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Queda nas temperaturas exige alguns cuidados dos produtores rurais; confira as dicas

Fotos: Divulgação/PMJS

Por: Elisângela Pezzutti

20/05/2026 - 17:05 - Atualizada em: 20/05/2026 - 17:26

Com a chegada dos períodos de temperaturas mais baixas do ano quem vive da produção rural, seja na agricultura ou na pecuária, precisa adotar alguns cuidados. Com base neste panorama, o engenheiro agrônomo da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Abastecimento da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Jackson Haroldo Schütz, elencou umas recomendações agropecuárias para os dias de frio intenso. Confira abaixo.

Animais

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– Quanto a criação de gado, utilizar o máximo possível a pastagem antes do período de frio intenso, principalmente nos cultivos de aveia, para tentar evitar a queima de grande parte da parte vegetativa;

– animais parindo e as crias devem ser abrigados em locais secos e sem vento. Para proteger os rebanhos adultos do frio, a recomendação é levá-los para locais com árvores, tanto nativas como sistemas silvipastoris, que vão funcionar como quebra vento;

– na alimentação, quando as pastagens estão comprometidas, recomenda-se a utilização de outras fontes de alimento, como silagem e feno.

– para galinheiros ou avicultura comercial (também adequado para suinocultura) deve-se manter o ambiente com isolamento térmico (uso de cortinas para evitar correntes de ar), fornalhas/lâmpadas de aquecimento sem correntes de vento, uma cama grossa de maravalha/palha bem seca, ventilação adequada para renovar o ar e evitar doenças respiratórias, além de bebedouros de bico fechado para evitar molhamento do ambiente e da própria ave, mantendo boa alimentação.

– para os produtores que possuam animais de estimação, como cães e gatos, o método mais seguro é trazer os animais para dentro de casa ou em uma área coberta e sem correntes de ar. Caso não seja possível, deixar os animais em casinhas elevadas do chão, protegidas do vento e conter cobertores ou palha, com boa alimentação e água limpa. Pássaros em gaiolas devem ser mantidos em locais cobertos, protegidos e sem corrente de ar frio, principalmente a noite, com água e alimentação de boa qualidade e em quantidade.

Abelhas – apicultura

Deve-se evitar abrir as caixas, pois há perda de calor e muito gasto de energia e alimento para elevar a temperatura às condições adequadas novamente. Não se deve fazer pulverização de ácido oxálico para controle de varroa, pois pode ocorrer o congelamento dentro do ninho. É recomendável fornecer alimento proteico, pois nesta época já tem crias, portanto, o bife proteico deve ser colocado próximo às crias. Se necessário, fornecer alimento energético. A prática da instalação do “alvado invertido” pode auxiliar ou, emergencialmente, pode-se utilizar a ripa na parte central do alvado. Poncho ou entretampa horizontal de ráfia podem ser utilizados, bem como o poncho ou entretampa vertical. Para detalhes destas práticas, acessar o site Apis on Line da Epagri (https://www.epagri.sc.gov.br/tag/apis-on-line/).

Piscicultura

evite alimentar os peixes em dias muito frios e realizar qualquer tipo de manejo (abaixo de 15 graus), principalmente em criações com tilápias. O que ocorre é que os peixes procuram as áreas mais quentes do viveiro (área mais funda) para se protegerem e que podem sofrer choque térmico quando forem subir para se alimentar ou se movimentar, passando pela camada mais fria da água (superfície). Alimentá-los somente nas horas mais quentes do dia e ainda assim, verificar se os peixes estão se alimentando bem. Se começar a sobrar ração, pare imediatamente a alimentação para evitar sobras e provocar a queda de qualidade da água.

Além disso, manter uma boa entrada de água (se a água externa for mais quente!) e evitar ligar os aeradores nos horários mais críticos de frio (madrugada até a saída do sol). Por isso é extremamente importante a manutenção da qualidade de água dos viveiros e a correta densidade de peixes, evitando problemas de falta de oxigênio e excesso de amônia e nitrito e nitratos.

Bananicultura

A forma de manejo do bananal vai auxiliar na redução de problemas com o frio. Entre as práticas indicadas está:

– a suspensão do transplantio das mudas até que o frio passe, bem como a antecipação da colheita dos cachos e ensacamento daqueles não colhidos. Também devem ser ensacadas as inflorescências recém-emitidas.

– manter as folhas velhas (ou secas) funcionando como isolante térmico (eliminá-las após o período de geadas).

– realizar adubações mais ricas em potássio, pois aumenta a viscosidade do plasma celular, tornando a planta mais resistente aos danos causados pelo frio e reduzir as adubações com nitrogênio, pois deixam as plantas mais tenras e menos protegidas;

– realizar ensacamento dos cachos para a proteção dos frutos;

– proteger as mudas com folhas secas ou mesmo terra para evitar a queima dos caules;

– quando possível realizar irrigação por aspersão na madrugada que antecede a geada (quando a temperatura se aproxima de 0 grau).

– utilizar aquecimento e fumaça através da queima de serragem salitrada em pontos estratégicos do bananal. Essa serragem é composta pela mistura de 100 litros de serragem de madeira seca e peneirada + 8 litros de óleo diesel ou óleo queimado + 5 quilos de Salitre do Chile (Nitranchile) ou 8 quilos de Nitrocálcio.

– pode-se também efetuar um controle preventivo de geada ou um tratamento para recuperação de bananais atingidos por frio através de pulverização utilizando-se: 400 litros de água + 4 quilos de Nitrato de Potássio + 2 quilos de Sulfato de Zinco + 1,2 quilos de Ácido Bórico + 12 quilos de açúcar cristal + 2 litros de AMINOM (aminoácidos). Efetuar a pulverização nas horas mais frescas do dia. Como preventivo, pulverizar na entrada do inverno e como recuperação de atingidas, a partir do momento que se tenha área foliar suficiente para absorção dos nutrientes.

(Fontes: CATI, 2026: https://www.cati.sp.gov.br/Cati/_tecnologias/plantas_frutiferas/clima_banana.php e EPAGRI, 2026: https://www.epagri.sc.gov.br/previsao-de-frio-intenso-conheca-as-praticas-recomendadas-pela-epagri-para-mitigar-prejuizos-nos-cultivos/).

Hortaliças

Manejos recomendados:

– sempre que possível, escolher variedades mais rústicas e adaptadas ao frio nas épocas críticas.

– manter o sistema de irrigação por aspersão ligado durante a ocorrência de geadas, desde que iniciada antes do congelamento e mantida até após o nascer do sol. A água, ao liberar calor latente durante a mudança de fase, forma uma fina camada de vapor que ajuda a manter a temperatura dos tecidos vegetais acima do ponto de congelamento.

– evitar o excesso de adubação nitrogenada dias antes da previsão de frio, pois tecidos muito tenros são mais suscetíveis ao congelamento. Aplicação de aminoácidos e produtos com sulfato podem ajudar na redução do ponto de congelamento da água nas plantas, assim como ajudam a se recuperar do estresse após o evento. Em áreas menores, se a geada for leve, basta cobrir os canteiros com sombrite para que não haja o congelamento dos tecidos das plantas.

– em plantas em fase de floração ou formação de inflorescência (como o brócolis e a couve-flor), amarre as folhas superiores sobre os botões florais para protegê-los diretamente da geada.

– priorizar cultivares mais tolerantes ao frio em épocas de maior risco. Aplicação de aminoácidos e produtos com sulfato podem ajudar na redução do ponto de congelamento da água nas plantas, assim como ajudam a recuperar do estresse após o evento.

– evitar a colheita de raízes após as geadas para evitar rachaduras ou deterioração rápida. Embora essas hortaliças sejam mais tolerantes à geada leve, recomenda-se protegê-las com coberturas leves, como palhada, quando as temperaturas previstas forem muito baixas.

– nos cultivos a campo de tomate, pimentão, abobrinha, pepino, usar cobertura com manta térmica (tipo “TNT”) ou túneis baixos com plástico, reforçar vedação e controle de ventilação nas estufas para manter o calor e as irrigações por aspersão só devem ser usada se houver estrutura adequada para manter a irrigação contínua durante a madrugada.

(Fonte EPAGRI, 2026: https://www.epagri.sc.gov.br/geadas-e-hortalicas-orientacoes-da-epagri-ajudam-a-reduzir-prejuizos/).

Demais frutíferas

– frutíferas de clima temperado como de pêssego, ameixa, kiwi, caqui, maçã, amoras, framboesas, uvas, são pouco cultivadas no município. De qualquer forma, na época mais fria essas plantas estão dormentes, podendo atrasar um pouco a brotação com a pulverização da calda bordalesa, além de realizar mais tarde as podas de inverno e atrasar o plantio de mudas novas. Nas iminência de geada, principalmente nas regiões mais altas do município, é possível fazer o controle com uso da irrigação por aspersão na madrugada que antecede a possível geada, no caso da temperatura baixar de 0°C.

– para o maracujá, o frio coincide com o período de vazio sanitário para controle da virose do endurecimento dos frutos.

– nas cítricas (laranjas, tangerinas, pomelos e limões) somente para plantas mais jovens (até dois anos) recomenda-se a proteção do tronco ou até toda a planta através de barreiras físicas como papelão, plástico, capim ou palha.

– quanto ao morango, recomenda-se a cobertura das plantas com plástico branco leitoso, de preferência na forma de túneis, mesmo daquelas já produzidas em ambientes protegidos altos. Também é muito importante não irrigar nem fertirrigar na véspera da geada, para evitar o congelamento da água presente no solo logo abaixo do mulching (plástico de cobertura do solo) ou substrato (sacos de cultivo), o que pode danificar as raízes e matar as plantas. Os túneis devem ser fechados antes da ocorrência da geada. Após a passagem da geada, o produtor deve ficar atento às doenças relacionadas à podridão dos frutos.

Milho

Com relação à semeadura do milho da safra, recomenda-se que o produtor espere a passagem e acompanhe a previsão climática para iniciar a semeadura em condições mais favoráveis. Nesse caso, o frio na entressafra de milho deve auxiliar no controle de insetos-pragas e de plantas espontâneas (guaxas) de milho, hospedeiras de pragas e doenças.

Aipim

O frio neste momento pode danificar as ramas (manivas) destinadas ao plantio da próxima safra. É recomendados proteger as ramas em local apropriado para o armazenamento. Assim, se evita o comprometimento do material propagativo.

Mudas em geral

Quem tem muda de qualquer espécie deve abrigá-las bem nos viveiros. É importante manter a área do viveiro mais úmida, evitando-se a inversão térmica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maquinário

Prejuízos em máquinas e equipamentos com o frio extremo merecem a atenção dos agricultores. Sistemas que levam água, como as bombas de irrigação, os pulverizadores e os turbo atomizadores são sensíveis ao congelamento da água e podem sofrer danos. Tratores, caminhões, colheitadeiras, entre outros maquinários, também devem ficar protegidos em galpões e com líquido anticongelante nos radiadores.

Considerações Gerais

De maneira geral é muito importante acompanhar as previsões meteorológicas para manter-se prevenido dos possíveis prejuízos nas criações e lavouras. Confiar em sites idôneos, como o Ciram/Epagri: https://ciram.epagri.sc.gov.br/ e Defesa Civil: https://www.defesacivil.sc.gov.br/boletins-do-tempo/ . Demais dúvidas entrar em contato com a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Rural e Abastecimento no fone: 2106 8114 ou whatsapp: (47) 99163 2831 ou mesmo no escritório local da Epagri, no (47) 3276 9428.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.