Muito se fala sobre a disputa majoritária em Santa Catarina. E não sem razão. O estado, décimo maior colégio eleitoral do país, já apresenta três polos relativamente consolidados para 2026.
Na esquerda, Gelson Merisio deverá liderar a chapa com Angela Albino de vice, além de Décio Lima e Afrânio Boppré ao Senado.
No campo da centro-direita, João Rodrigues aparece como candidato ao governo, possivelmente tendo Carlos Chiodini na vice e Esperidião Amin na disputa senatorial.
Já o governador Jorginho Mello deve buscar a reeleição ao lado de Adriano Silva, do Novo.
Ao Senado, Carol De Toni e Carlos Bolsonaro formando dobradinha.
Mas existe uma pergunta tão importante quanto a disputa pelo governo e Senado: como ficará a eleição proporcional?
Avalanche
No momento, o PL nada de braçadas. O partido construiu musculatura política, eleitoral e ideológica suficiente para transformar 2026 numa eleição de expansão parlamentar. Tanto na Câmara Federal quanto na Assembleia Legislativa.
Robustez
Hoje, já é perfeitamente plausível projetar o PL elegendo entre sete e oito deputados federais dos 16 catarinenses. Na Assembleia, o partido pode alcançar algo entre 14 e 15 parlamentares dos 40 estaduais. Seria um desempenho avassalador.
E que não nasce apenas da força do bolsonarismo em Santa Catarina, mas também da fragilidade crescente do centro político tradicional.
Esquerda
A esquerda, por sua vez, também pode surpreender. O PT repetiu nas duas últimas eleições estaduais a mesma bancada de quatro deputados estaduais. Os mesmos nomes, inclusive. Mas o cenário de 2026 pode ser diferente.
Baliza
Se Gelson Merisio atingir a faixa dos 20% dos votos ao governo — hipótese hoje bastante factível — o partido tende a ampliar sua densidade eleitoral. E isso pode resultar na eleição do quinto deputado estadual petista.
Detalhes
Em 2022, o PT reelegeu Pedro Uczai e conseguiu levar Ana Paula Lima de volta ao Congresso, depois de ela ter ficado fora da Câmara em 2018 por um único voto.
A depender das sobras eleitorais e da composição das federações, não é impossível que o partido ainda conquiste um terceiro deputado federal.
Dependência
E é justamente aqui que entra o fator decisivo da eleição catarinense: o desempenho de João Rodrigues. O crescimento simultâneo do PL e da esquerda depende diretamente da performance eleitoral do prefeito de Chapecó.
Se João apresentar uma candidatura competitiva, robusta e capaz de consolidar um polo intermediário forte, o centro-direita preserva musculatura parlamentar.
Pato manco
Mas, se João continuar patinando nas pesquisas, com dificuldades para consolidar alianças e não transmitir viabilidade eleitoral, abre espaço para uma transferência de votos em duas direções: parte para a esquerda e parte, principalmente, para o PL. Ou seja: quanto mais João enfraquece, mais os extremos crescem.
PSD
O PSD talvez seja hoje o melhor retrato desse fenômeno. Na Assembleia Legislativa, o partido elegeu três deputados em 2022: Mário Motta, Napoleão Bernardes e Júlio Garcia, este último hoje mirando a Câmara Federal. Além deles, Nilso Berlanda filiou-se recentemente ao PSD e tentará a reeleição.
Teoria e prática
Na teoria, o partido poderia repetir os três estaduais. Na prática, isso dependerá diretamente da força da candidatura de João Rodrigues ao governo.
Se o desempenho for abaixo do esperado, o PSD pode cair para duas cadeiras. E alguém sobrará nessa conta.
Linha tênue
Na Câmara Federal, a situação é ainda mais delicada. O partido elegeu dois deputados em 2022, mas ambos migraram para o PL: Ricardo Guidi e Ismael dos Santos.
Hoje, o PSD depende praticamente de Júlio Garcia e talvez de Raimundo Colombo para tentar voltar a Brasília. Ainda assim, o cenário é apertado.
Fator Colombo
Se Colombo disputar, um dos dois pode se eleger. Se não entrar no páreo, nem mesmo Júlio Garcia tem garantia de sucesso. O PSD, inclusive, corre o risco real de permanecer sem representação federal. Eis o tamanho do efeito cascata provocado pela disputa majoritária em Santa Catarina.