Uma descoberta arqueológica no Sudeste Asiático pode alterar o que a ciência sabia até agora sobre a origem da mumificação. Pesquisadores da Australian National University identificaram onze sítios arqueológicos com restos humanos preservados há mais de 12 mil anos, considerados atualmente os mais antigos já encontrados com sinais de mumificação intencional.
Até então, os registros mais antigos conhecidos pertenciam à cultura Chinchorro, entre o Chile e o Peru, com cerca de 7 mil anos. As múmias do Egito Antigo, amplamente conhecidas, datam de aproximadamente 4,5 mil anos.
Segundo o estudo, os corpos encontrados no Sudeste Asiático foram preservados por meio de um processo controlado de fumaça e calor. Diferentemente de outras múmias conservadas naturalmente em ambientes secos ou frios, os pesquisadores apontam que houve intervenção humana para retardar a decomposição dos corpos.
A técnica funcionava de forma semelhante a uma defumação gradual, utilizada para secar tecidos e preservar os restos mortais. O que chamou a atenção dos cientistas é que os vestígios sobreviveram mesmo em regiões tropicais e úmidas, condições consideradas desfavoráveis para a conservação orgânica ao longo de milhares de anos.
Os onze sítios arqueológicos estão distribuídos em diferentes áreas do Sudeste Asiático, o que sugere que a prática não estava restrita a apenas um grupo isolado. A descoberta foi destacada pela revista National Geographic como um dos principais achados arqueológicos recentes.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram ossos e fragmentos orgânicos utilizando exames químicos e comparações com outros métodos antigos de preservação corporal.
Além de ampliar a linha do tempo conhecida da mumificação, o estudo também levanta novas discussões sobre os rituais funerários de sociedades pré-históricas. De acordo com os arqueólogos, os achados indicam que grupos humanos caçadores-coletores já desenvolviam práticas funerárias elaboradas milhares de anos antes do surgimento de grandes civilizações organizadas.
Os pesquisadores agora tentam entender se a mumificação surgiu de maneira independente em diferentes regiões do planeta ou se existiu algum tipo de troca cultural entre povos antigos. Até o momento, a principal hipótese é que diferentes sociedades tenham desenvolvido técnicas semelhantes de preservação sem contato direto entre si.