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MDB tem estrutura; PP tem dono

Por: Claudio Prisco Paraíso

15/05/2026 - 06:05

Na coluna de ontem, foi analisada a ofensiva do governador Jorginho Mello sobre o Progressistas, numa clara tentativa de enfraquecer as bases internas da sigla para atrair setores do partido ao seu projeto de reeleição em 2026. O movimento não é casual. O governador sabe que o senador Esperidião Amin trabalha para conduzir o PP catarinense na direção do prefeito João Rodrigues, pré-candidato do PSD ao governo do estado.

Dentro dessa estratégia, a nomeação do ex-deputado Leodegar Tiscoski para a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços foi um gesto cirúrgico. Mais do que preencher espaço administrativo, Jorginho busca criar fissuras internas no Progressistas, isolando Esperidião Amin e atraindo lideranças regionais que enxergam no Palácio Barriga Verde uma rota mais segura para sobrevivência política e eleitoral.

Mas quando o assunto é o MDB, o cenário muda completamente. E muda porque os partidos são estruturalmente distintos.

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O PP gravita

Historicamente, o Progressistas catarinense sempre orbitou em torno da família Amin. É uma realidade política consolidada há décadas. Esperidião Amin construiu uma trajetória eleitoral vigorosa, sempre como grande puxador de votos, dono de forte apelo popular e reconhecida capacidade de mobilização.

Em família

Sua mulher, Angela Amin, também acumulou protagonismo político expressivo: foi vereadora, deputada federal, prefeita de Florianópolis por dois mandatos e chegou ao segundo turno da disputa pelo governo estadual em 1994. O filho do casal, João Amin, igualmente teve passagem pela Assembleia Legislativa.

Ponto central

Ou seja: o partido, em Santa Catarina, sempre esteve centralizado na família Amin. Não apenas nas candidaturas majoritárias, mas também no controle político da sigla, na condução partidária e nas lideranças historicamente posicionadas ao redor desse núcleo central.

Brecha

É justamente aí que Jorginho Mello identifica espaço para avançar. Ao atrair quadros regionais do PP para dentro do governo, o governador procura desmontar, gradativamente, a hegemonia política de Esperidião Amin dentro do partido.

MDB é diferente

Com o MDB, a música toca em outro diapasão. O Manda Brasa catarinense possui uma estrutura muito mais robusta, orgânica e pulverizada. Está presente nos 295 municípios do Estado, mantém capilaridade política real e uma militância muito mais ativa do que a do Progressistas.

Várias cabeças

Mais do que isso: o MDB não depende de uma única liderança ou de uma família política para existir. O partido possui lideranças espalhadas por todas as regiões catarinenses, formando uma engrenagem muito mais complexa e menos suscetível a movimentos de cooptação direta.

Essa diferença estrutural altera completamente a estratégia do governador.

Rachado ao meio

Hoje, o MDB está rigorosamente dividido. Cinco parlamentares estão alinhados com Jorginho Mello e outros cinco caminham ao lado de João Rodrigues.

No bloco mais próximo de João Rodrigues estão o deputado federal e presidente estadual do partido Carlos Chiodini, o também deputado federal Rafael Pezenti, além dos deputados estaduais Mauro De Nadal, Volnei Weber e Tiago Zilli.

Trincheira governista

Do outro lado, alinhados ao governador, estão o deputado federal Valdir Cobalchini, a senadora Ivete da Silveira e os deputados estaduais Antídio Lunelli, Jerry Comper e Fernando Krelling.

Meio a meio

Na prática, o MDB está literalmente dividido ao meio: são três deputados federais, seis estaduais e uma senadora distribuídos entre os dois projetos políticos que disputarão o comando de Santa Catarina.

CNPJ x CPF

Há ainda um elemento adicional que diferencia profundamente o MDB do Progressistas: a densidade histórica. O MDB carrega em seus quadros ex-governadores, ex-senadores, ex-deputados e lideranças que marcaram época na política catarinense. É uma estrutura partidária consolidada, com musculatura institucional e raízes municipais profundas.

Campo minado

Por isso, qualquer tentativa de Jorginho Mello de levar o MDB oficialmente para dentro do primeiro escalão poderia produzir efeito contrário ao desejado. Uma nomeação formal de peso abriria conflito interno imediato e colocaria em risco justamente aquilo que o governador já conquistou: o apoio pragmático de grande parte dos prefeitos emedebistas, interessados em convênios, obras e liberação de recursos estaduais. Traduzindo: ao contrário do PP, o MDB não deve voltar formalmente ao governo este ano.

Caminho das pedras

Na leitura predominante dos bastidores, João Rodrigues tende a ficar com o “CNPJ” do MDB — estrutura partidária, comando formal e tempo de televisão. Mas Jorginho trabalha para assegurar o maior número possível de “CPFs”: prefeitos, vereadores, lideranças regionais e operadores municipais alinhados diretamente ao Palácio.

E, neste momento, é exatamente aí que está sendo travada a verdadeira batalha política catarinense para 2026.

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