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Concluída a recuperação estrutural da antiga escola Antonieta de Barros em Florianópolis

Foto: Divulgação/PMF

Por: Ewaldo Willerding Neto

13/05/2026 - 09:05 - Atualizada em: 13/05/2026 - 09:34

A Prefeitura de Florianópolis já concluiu a recuperação estrutural em concreto da antiga Escola de Educação Básica Antonieta de Barros, no Centro (na esquina da Rua Victor Meirelles com a Rua Saldanha Marinho), que está sendo revitalizada desde agosto do ano passado. Reforço das vigas e melhorias nas lajes da edificação estavam entre os principais serviços a serem executados e, só eles, representam 20% das obras. Até o momento, no entanto, foi feita praticamente metade da restauração em geral conduzida pela Secretaria de Infraestrutura e Manutenção da Cidade. A previsão é a de que os trabalhos sejam finalizados até dezembro.

Outro serviço bastante significativo, equivalente à 10% das obras, diz respeito aos reparos das esquadrias (portas e janelas) e do forro de madeira e à troca do piso em assoalho, o que deve ficar pronto dentro de dois meses.

Antes da conclusão da recuperação estrutural em concreto, foram finalizadas as escavações, as fundações, a estruturação metálica e as demolições necessárias, e os serviços de revestimento de paredes (reboco interno e externo), de retirada de uma escada construída após a inauguração da escola que descaracterizou o layout original e de colocação de grama do paisagismo.

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Estão sendo realizados a pintura da fachada e esquadrias; o restauro de pisos; os serviços de infraestrutura elétrica (que inclui construção de casa de medição para a nova entrada de energia com transformador em poste), e hidrossanitárias (sendo que já foi construído o reservatório d´água para consumo e reserva técnica de incêndio com casa de bombas); de implantação de sistema de cabeamento estruturado e climatização.

Internamente, ainda está prevista infraestrutura preventiva contra incêndio e implantação de elevador voltado especialmente a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Já externamente, haverá implantações de guarda-corpo nas escadas e de gradil sobre o muro de pedra, ambos de vidro.

Antes e depois

Foto: Divulgação/PMF

Centro de Memória e Cultura

Mais essa importante obra no centro leste da cidade prepara a antiga Escola de Educação Básica Antonieta de Barros, doada ao município pelo governo do Estado, para a criação do Centro de Memória e Cultura Professora Antonieta de Barros. A proposta é a de que o espaço que homenageia a professora, jornalista e política Antonieta de Barros seja um centro agregador, formativo, difusor e de valorização dos aspectos culturais de origem africana e afro-brasileira, bem como dos elementos alusivos à trajetória de vida e profissional da Professora Antonieta de Barros. Assim sendo, o lugar voltará a ser utilizado pela sociedade, que poderá desfrutar tanto do acervo do Museu Antonieta de Barros quanto do Centro de Memória, Cultura e Arte Negra Catarinense.

Os trabalhos na edificação com área total de 928,99 metros quadrados que totalizam um investimento no valor de R$ 4.499.000,00 vêm sendo executados pela empreiteira Litoral Engenharia e Construções LTDA – EPP. Do montante, R$ 4.102.061,22 são provenientes de outorga onerosa por meio do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano, e R$ 396.938,78, disponibilizados através de emenda parlamentar da vereadora Carla Ayres.

Segundo informações da Secretaria de Estado da Educação, o Colégio Cenecista Antonieta de Barros foi autorizado a funcionar através da portaria ministerial nº 309, de 23 de março de 1953, quando Florianópolis completava 280 anos. Já o prédio foi tombado como patrimônio histórico pela própria Prefeitura de Florianópolis, em 1986. Cedida à Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), a unidade educacional retornou para o Estado em 2004, e atendeu estudantes da rede estadual até 2007. Ao final, o colégio chamava-se Escola de Educação Básica Antonieta de Barros.

O espaço cultural

À princípio, o Museu Antonieta de Barros vai ser instalado no piso superior do edifício com livros, reproduções de cartas e de imagens, poemas, discursos, entrevistas e exibições de documentários relativos à essa personalidade tão marcante para a história de Florianópolis, de Santa Catarina e do Brasil – e contará com miniauditório (a exemplo do Museu de Florianópolis) para eventos. Enquanto o espaço do Centro de Memória, Cultura e Arte Negra Catarinense, no mesmo andar, vai ser destinado à valorização e trajetória de grupos sociais e indivíduos, e de práticas culturais negras no Estado. Nele serão expostos materiais considerados antigos e raros, reproduções de imagens e mostras de audiovisuais. Para tanto, ambos os ambientes serão estruturados com telas interativas, entre outros equipamentos. Mas, além disso, o Centro de Memória e Cultura Professora Antonieta de Barros também terá uma sala com acervo permanente do artista e professor Franklin Cascaes, no que remete à arte e cultura negra.

Sendo que, ainda neste piso, outras duas áreas prometem ser bastante interessantes para os visitantes. Afinal, o pátio interno deverá ser usado para exposições temporárias e/ou itinerantes ou de acervo permanente e de comodatos, e o pátio externo para práticas culturais diversas como feiras, apresentações, ensaios, mostras, encontros, atos e rodas de conversas. Além disso, o andar contará com uma sala para reserva técnica.

O térreo do prédio, o andar de recepção do público, contará com espaços voltados a ações culturais de curta e média duração como oficinas de dança, teatro, capoeira, práticas de leitura e formação de leitores, desenho, música; contação de histórias; lançamentos de livros; exibição de documentários e de outros gêneros de filmes, e debates públicos, entre outras. Esse mesmo piso ainda terá salas de apoio para guarda de equipamentos, banheiros públicos, e pequena cozinha e copa para os trabalhadores do lugar.

Vale ressaltar que todo o uso e ocupação desse edifício foi amplamente discutido entre o gabinete do prefeito e os coletivos sociais envolvidos nesse planejamento.

Antonieta de Barros

Em 2023, o nome de Antonieta de Barros foi merecidamente eternizado no Livro de Aço dos heróis e heroínas nacionais do Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na capital federal, em Brasília.

Segundo a Cátedra Antonieta de Barros: Educação para a Igualdade Racial e Combate ao Racismo da UFSC, que integra programa da UNESCO/Rede UNITWIN (University Twinning and Networking Scheme), Antonieta de Barros, nasceu em Florianópolis no dia 11 de julho de 1901. Ela destacou-se por ter assumido uma das cadeiras da Assembleia Legislativa de Santa Catarina em 1935 como uma das primeiras mulheres eleitas e a primeira negra a ter um mandato popular, no Brasil. No parlamento, foi ativa defensora da emancipação feminina e de uma educação de qualidade para todos, e autora do projeto de lei que criou o Dia do Professor e o feriado escolar que marca a data, no Estado, o que viria a ser oficializado em todo País somente 20 anos depois.

Crédito: Memorial Antonieta de Barros

Antes disso, no entanto, Antonieta de Barros já era notável professora formada pela Escola Normal Catarinense. Fundou em 1922, na cidade natal, o Curso Antonieta de Barros, com o objetivo de alfabetizar pessoas sem condições financeiras — o qual dirigiu por 30 anos, até sua morte – tendo também lecionado Português e Literatura em importantes colégios de Florianópolis. Já como cronista, escreveu mais de mil artigos em oito veículos e criou a revista Vida Ilhoa, e, em 1937, publicou o livro ´Farrapos de Ideias´, cujos lucros da primeira edição foram doados para construção de uma escola para abrigar crianças filhas de pais internados no leprosário Colônia Santa Tereza.

 

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.