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Em diferentes fases da vida, duas mulheres mostram que ser mãe é amor, coragem e recomeço

Fotos: Elisângela Pezzutti/OCP News/Arquivo pessoal

Por: Elisângela Pezzutti

09/05/2026 - 07:05

O amor de mãe não nasce sempre da mesma forma. Às vezes ele chega cedo, em meio aos planos da juventude. Em outras, aparece depois da estabilidade profissional, quando a vida parece organizada. E há ainda os casos em que ele ressurge diante das perdas, transformando avós em mães novamente.

Neste 10 de maio, Dia das Mães, as histórias das moradoras de Jaraguá do Sul, Ana Maiochi Drews e Dinalva Marli Hort Reimer mostram diferentes formas de viver a maternidade — ambas marcadas por afeto, dedicação e superação.

Aos 75 anos, Ana olha para o neto Carlos Eduardo e vê mais do que um rapaz prestes a entrar na vida adulta. Vê a continuidade do filho que perdeu em dezembro de 2016, em um acidente que mudou completamente a rotina da família.

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Sem poder ter filhos biológicos, Ana adotou o único filho aos 27 anos. Três décadas depois, enfrentaria a dor de perdê-lo. Carlos tinha apenas 8 anos.

Mas a ligação entre avó e neto já vinha de antes. Carlos cresceu dentro da casa dos avós. “Ele sempre morou com nós, desde bebê”, conta Ana.

Os pais do menino se separaram quando ele tinha 4 anos. Sua mãe se mudou para Joinville e alegou que não poderia cuidar do filho sozinha. Assim, a avó de Carlos assumiu de vez o papel de mãe.

Hoje, Carlos tem 17 anos e cursa o terceiro ano do ensino médio no Sesi/Senai, onde também faz curso voltado ao desenvolvimento de sistemas. Educado pela avó com carinho e disciplina, ele lembra com bom humor das broncas da infância. “Às vezes precisava, né? Ela botava na linha”, brinca.

Dona Ana e o neto Carlos Eduardo | Foto: Elisângela Pezzutti/OCP News

Ana também ri ao recordar o neto “muito malandro” quando criança. Mas o orgulho fala mais alto ao observar o jovem educado e carinhoso em que ele se transformou. “Com certeza foi a escolha certa. A gente ama o neto como se fosse filho”, afirma.

A maternidade, para Ana, foi sendo reconstruída pela vida. Primeiro, com a adoção do filho. Depois, ao transformar o luto em força para criar o neto. “Eu sempre dizia que talvez não teria neto. E olha ali, já está quase adulto”, diz.

Realização de um sonho

Enquanto Ana reaprendeu a ser mãe diante das dificuldades, Dinalva Marli Hort Reimer viveu a maternidade em outro tempo da vida: depois dos 40 anos, após consolidar a carreira profissional.

Representante comercial da área têxtil, ela passou anos priorizando o trabalho. Quando decidiu engravidar, encontrou dificuldades. Após muito tempo utilizando anticoncepcional, precisou buscar tratamento de fertilização.

“Fiz tratamento e várias tentativas. Depois engravidei naturalmente”, relembra. A notícia da gravidez, aos 41 anos, foi recebida como a realização de um sonho. “Foi uma surpresa maravilhosa. Eu estava realizando o maior sonho”, relembra.

Dinalva se tornou mãe após os 40 anos | Foto: Arquivo pessoal

Mesmo diante das inseguranças comuns da maternidade tardia, Dinalva viveu uma gestação tranquila. O maior medo era que algo interrompesse a gravidez ou que o bebê tivesse algum problema de saúde. “Fiz todos os exames indicados pelo médico e o bebê veio saudável”, conta.

Durante a gravidez, ela manteve a rotina intensa de trabalho e viagens. E, diferente do que muitas mulheres enfrentam, não se abalou com opiniões externas. “Minha alegria era imensa, grande demais para me preocupar com comentários”, afirma.

Para Dinalva, ser mãe em uma fase mais madura trouxe vantagens importantes. A estabilidade financeira, a experiência de vida e a maturidade emocional ajudaram na criação da filha, Maria Elvira.

Mesmo contando com apoio de babá por causa da rotina profissional, Dinalva buscou organizar a vida para estar presente na criação da filha. O resultado, segundo ela, é uma relação construída com amor, amizade, respeito e cumplicidade. “O amadurecimento ajudou muito nessa construção”, afirma.

Hoje, Maria Elvira é formada em Biomedicina e cursa o terceiro ano de Medicina — um orgulho para a mãe.

Ao olhar para trás, Dinalva diz que talvez tivesse procurado ajuda para engravidar mais cedo, na tentativa de ter mais um filho. Ainda assim, sente-se plenamente realizada com a maternidade. “Foi incrível ser mãe mais madura”, resume.

Maria Elvira e Dinalva | Foto: Arquivo pessoal

Formas diferentes de viver o amor de mãe

Embora tenham vivido maternidades completamente diferentes, Ana e Dinalva se encontram no mesmo sentimento: a dedicação aos filhos.

Uma viu a maternidade reaparecer no papel de avó que precisou recomeçar depois da perda do filho. A outra realizou o sonho de ser mãe após os 40 anos, quando muitos acreditam que o tempo já passou.

As duas histórias mostram que não existe idade certa, fórmula perfeita ou caminho único para ser mãe. Existe amor, entrega e a disposição diária de cuidar, orientar e acolher.

 

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.