Santa Catarina dá mais um passo importante na conexão entre ciência, economia e bem-estar. A pesquisa conduzida pela Epagri, em parceria com a UFSC, sobre o potencial do amido resistente nas cultivares de banana, aponta para um caminho promissor: transformar um produto tradicional em uma alternativa de alto valor agregado, com impacto direto na renda do produtor e na saúde do consumidor.
O estudo confirma que a farinha de banana verde, rica em amido resistente, pode atuar como fibra alimentar e contribuir para a saúde intestinal, além de auxiliar no controle de doenças como o diabetes tipo 2 e o colesterol. Esse avanço científico não apenas amplia as possibilidades de consumo, mas também reposiciona a banana catarinense em um mercado cada vez mais atento a alimentos funcionais.
Mais do que inovação nutricional, trata-se de uma estratégia inteligente de aproveitamento. A pesquisa abre espaço para o uso de bananas que não atendem ao padrão estético do consumo in natura, reduzindo desperdícios e promovendo uma cadeia produtiva mais sustentável. Ao agregar valor a esses frutos, cria-se uma alternativa concreta de aumento de rentabilidade para cerca de quatro mil famílias que vivem da bananicultura no Estado.
Os resultados preliminares, com teores elevados de amido resistente e destaque para cultivares como a banana Prata Catarina, reforçam o potencial industrial da farinha. Ao mesmo tempo, os estudos em panificação e análise sensorial demonstram preocupação com a aceitação do consumidor, fator essencial para consolidar o produto no mercado.
Em um cenário de busca por alimentos mais saudáveis e cadeias produtivas mais eficientes, iniciativas como essa mostram que o desenvolvimento regional passa pela valorização do conhecimento e pela capacidade de inovar a partir do que já se produz. A banana, símbolo da agricultura catarinense, pode agora ganhar um novo protagonismo: o de alimento funcional e estratégico para o futuro.