A Associação da Comunidade Surda de Jaraguá do Sul e Região se manifestou neste sábado (2), por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais e de uma nota oficial. No pronunciamento, o vice-presidente da entidade, Douglas Ramos, afirmou que a associação repudia “todo e qualquer tipo de abuso”, classificando a situação como uma violência grave e inaceitável, que não pode ser tolerada em nenhuma circunstância.
A entidade também reafirmou apoio e solidariedade às vítimas e incentivou que casos sejam denunciados. “Se você sofreu qualquer tipo de abuso, denuncie. Você não está sozinho”, diz a nota.
A associação ainda destacou a importância do respeito à comunidade surda e pediu que o caso não seja associado à instituição como um todo. Segundo o comunicado, o ocorrido já está sendo devidamente investigado, e a entidade afirma confiar que a Justiça será feita.
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Relembre o caso
O caso ganhou repercussão após a prisão do presidente da Associação da Comunidade Surda de Jaraguá do Sul e Região, Paulo Sérgio Praxedes do Monte Araújo, de 44 anos, e de seu companheiro, Carlos Francisco Priprá, de 42 anos, ocorrida na noite de quinta-feira (30).
A informação foi divulgada em primeira mão pelo OCP News, após uma das vítimas procurar o jornal acompanhada de sua defesa.
A Justiça decretou, na tarde de sexta-feira (1º), a prisão preventiva dos dois suspeitos durante audiência de custódia realizada de forma virtual. Com isso, ambos permanecem detidos no Presídio Regional de Jaraguá do Sul, à disposição da Justiça.
Eles são investigados por suspeitas de importunação sexual e estupro de vulnerável. Segundo a Polícia Civil, os crimes teriam sido cometidos contra pessoas que utilizavam os serviços da entidade.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
As investigações são conduzidas pela Delegacia da Mulher, da Criança e do Adolescente, sob coordenação do delegado Augusto Brandão. De acordo com as autoridades, o inquérito foi instaurado em 2025 a partir de solicitação do Ministério Público.
Segundo o delegado, a apuração avançou de forma cuidadosa, pois as vítimas tinham receio de relatar os fatos. Até o momento, ao menos cinco vítimas já foram identificadas.
A investigação também apontou que algumas vítimas apresentavam maior vulnerabilidade, inclusive devido a dificuldades de comunicação. Segundo a Polícia Civil, elas procuravam a associação para aprender Libras e receber orientação.
A Polícia Civil reforça que possíveis novas vítimas ou pessoas com informações sobre casos semelhantes devem procurar a Delegacia da Mulher em Jaraguá do Sul.
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