A Justiça decretou, na tarde desta sexta-feira (1º), a prisão preventiva do presidente da Associação de Surdos e Mudos de Jaraguá do Sul, Paulo Sérgio Praxedes do Monte Araújo, de 44 anos, e de seu marido, Carlos Francisco Priprá, de 42 anos, suspeitos de importunação sexual e estupro de vulnerável. Os crimes teriam sido cometidos contra pessoas que utilizavam os serviços da entidade.
A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada de forma virtual. Com isso, ambos permanecem detidos no Presídio Regional de Jaraguá do Sul, à disposição da Justiça.

Foto: OCP News
Ambos foram presos na noite de quinta-feira (30), no bairro Czerniewicz, sem registro de resistência. Um dos investigados passou por exame de corpo de delito na manhã desta sexta-feira.
Até o momento, cinco vítimas foram identificadas, todas surdas. Quatro delas já prestaram depoimento à Polícia Civil com o auxílio de intérpretes de Libras.
O caso foi divulgado em primeira mão pelo OCP News, após uma das vítimas procurar o jornal acompanhada de sua defesa.
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De acordo com o delegado Augusto Brandão, da Delegacia da Mulher, da Criança e do Adolescente de Jaraguá do Sul, a investigação teve início após requisição do Ministério Público. A denúncia apontava que pessoas estariam sendo abusadas pelo presidente da associação e por seu companheiro.
Segundo o delegado, a apuração avançou de forma cuidadosa, pois as vítimas tinham receio de relatar os fatos.
“As vítimas tinham verdadeiro temor de falar, de nos relatar o que estava acontecendo, porque os investigados utilizavam intimidação e chantagens emocionais para impedir que o caso chegasse ao conhecimento das autoridades”, declarou.
O delegado também afirmou que um dos investigados costumava oferecer dinheiro às vítimas.
Durante o depoimento de uma delas, conforme Brandão, um dos investigados realizou uma chamada de vídeo e pediu desculpas.

Foto: Gabriel JR/OCP News
“Quando estávamos colhendo o depoimento de uma das vítimas, ainda na delegacia, um dos investigados fez uma ligação por vídeo e, de certa forma, confessou, pediu desculpas e reconheceu que o que fazia era errado, demonstrando ter consciência dos atos”, relatou.
A investigação também apontou que algumas vítimas apresentavam maior vulnerabilidade, inclusive devido a dificuldades de comunicação. Segundo a Polícia Civil, elas procuravam a associação para aprender Libras e receber orientação.
A Polícia Civil reforça que possíveis novas vítimas ou pessoas com informações sobre casos semelhantes devem procurar a Delegacia da Mulher em Jaraguá do Sul.
A reportagem do OCP tenta contato com a defesa dos investigados. O espaço permanece aberto para manifestação.