No calendário do futebol jaraguaense, o 1º de maio ganha um significado especial para o torcedor juventino. É nessa data que o Grêmio Esportivo Juventus inicia um novo ciclo, e, em 2026, o clube alcança a marca de 60 anos de existência.
Não há festas, eventos ou comemorações oficiais. Afinal, o Moleque Travesso chega às seis décadas em um momento de reconstrução profunda, com os olhos voltados menos para o passado e mais para o futuro.
A aprovação do plano de recuperação judicial no início de abril, sem qualquer objeção por parte dos credores, marcou um ponto de virada nesse processo. Abriu caminho para a fase final da reestruturação financeira e administrativa, etapa considerada decisiva para destravar projetos, como a possível transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Ainda existem barreiras formais a serem superadas, mas nos bastidores o sentimento é de confiança de que todas as exigências serão cumpridas. O reflexo desse cenário já é visível dentro de campo. Com orçamento reduzido, o departamento de futebol priorizou a montagem de um elenco sem comprometer a saúde financeira do clube.
O sonho do acesso segue vivo como sempre esteve, mas a diretoria reconhece que, neste momento, a prioridade está fora das quatro linhas. Mais do que subir de divisão, o Juventus busca se reerguer por completo.
História
Fundado em 1º de maio de 1966, o Grêmio Esportivo Juventus nasceu de um movimento que ia muito além do esporte. Naquele dia, um grupo de 27 jovens, que se reunia semanalmente no Salão Cristo Rei, ao lado da Igreja Matriz São Sebastião, dava início a uma trajetória marcada por convivência, espiritualidade e, mais tarde, protagonismo social.
Sob a orientação do Padre Elemar Scheid, figura reconhecida pelo espírito visionário, aqueles encontros ajudaram a formar lideranças que contribuiriam diretamente para o desenvolvimento de Jaraguá do Sul.
O período coincidiu com avanços importantes na cidade, como a implantação de uma instituição de ensino superior — hoje conhecida como Católica SC — e a chegada de serviços do SESI.
Em meio a esse ambiente de crescimento, o futebol surgiu quase naturalmente. Entre uma reunião e outra, parte do grupo decidiu organizar partidas informais, iniciativa que acabaria resultando na criação do Juventus.
O incentivo do próprio Padre Elemar, entusiasta do esporte, foi determinante para que o clube desse o salto do caráter recreativo para a disputa de competições oficiais. O primeiro grande marco esportivo veio em 1971. De forma invicta, o Juventus conquistou o Campeonato Regional, a tradicional Taça dos Municípios, superando adversários como Ipiranga e Continental, de Rio Negrinho, Operário, de Mafra, e Dom Pedro II, de Corupá.
A estreia na elite do futebol catarinense ocorreu em 1976. O clube permaneceu na Série A até 1980, antes de enfrentar um período de afastamento do cenário profissional. Foram dez anos de inatividade até o retorno, em 1990, para a disputa da segunda divisão estadual.
A década de 1990, aliás, marcou o auge da equipe. Nesse período, o Juventus chegou a disputar o Campeonato Brasileiro da Série C em duas oportunidades. O melhor desempenho ocorreu em 1995, quando o time avançou até a terceira fase da competição. Paralelamente, manteve presença constante na elite estadual entre 1991 e 1997.
Os anos seguintes foram marcados por oscilações. Entre acessos e rebaixamentos, o clube viveu momentos de instabilidade e chegou a interromper novamente suas atividades profissionais. A retomada aconteceu em 2004, coroada com a conquista do título da Série C do Campeonato Catarinense — à época denominada B1.
Desde então, a trajetória do Moleque Travesso tem sido marcada por altos e baixos. O clube alternou participações na elite estadual, alcançou semifinais, voltou a figurar em competições nacionais, mas também enfrentou novos rebaixamentos e períodos de estagnação na Série B. Uma história que reflete, em campo, os desafios de se manter competitivo ao longo das décadas.