Jaraguá do Sul segue reafirmando sua vocação para atrair talentos esportivos, inclusive em modalidades ainda pouco conhecidas do grande público. É nesse cenário que se destaca a trajetória de Nicole Cibele Zaniz. Aos 31 anos, a atleta se consolidou como uma das principais referências brasileiras no Kettlebell.
Para se ter uma ideia, a moradora da cidade desde 2023 já participou de quatro edições do Campeonato Mundial e conquistou o título em todas. A atleta também acumula títulos brasileiros, sul-americanos e estaduais, além de quase 100 medalhas de ouro e o reconhecimento de Master of Sports, uma das principais honrarias da modalidade.
O desempenho a colocou entre os finalistas do Prêmio Destaque Desportivo de Jaraguá do Sul, na categoria Internacional Individual, cuja cerimônia ocorre no dia 12 de maio. Ela também concorre ao prêmio de Atleta do Ano 2025.
Fora das competições, a rotina é intensa. Profissional de Educação Física, ela divide o tempo entre o trabalho em duas academias e como personal trainer, conciliando tudo com os treinos de alto rendimento.
“Não é nada fácil, mas amo o que faço e não me arrependo. Subir na plataforma para competir é uma das melhores sensações do mundo. Ouvir o hino no lugar mais alto do pódio fora do país não tem preço”, destaca.
Apesar das conquistas, Nicole ainda enfrenta desafios financeiros comuns a esportes em desenvolvimento no Brasil. “Meu grande sonho é conseguir competir sem precisar me preocupar com os custos. Muitas vezes deixo de fazer coisas pessoais para investir na carreira. Gostaria de ter um patrocínio para bancar passagens e hospedagens”, completa.

Nicole após a conquista do terceiro Mundial, em 2023 | Foto: Arquivo pessoal
História no esporte
A relação de Nicole com o Kettlebell começou há cerca de uma década e se confunde com o próprio crescimento da modalidade no Brasil. Pioneira entre as mulheres, ela iniciou os treinamentos com foco competitivo em um período em que o esporte ainda engatinhava no país.
O primeiro contato veio em 2011, quando um professor de Educação Física apresentou a ferramenta durante os treinos em academia. Já em 2014, ao lado de uma amiga, passou a treinar com objetivos mais ambiciosos. Na época, não havia competições nacionais, o que levou Nicole a buscar oportunidades no exterior.
As primeiras disputas aconteceram em Buenos Aires e Nova Iorque, e já renderam títulos logo de início. No mesmo ano, o Brasil começou a estruturar suas primeiras competições, acompanhando o crescimento do número de praticantes.
Desde 2018, Nicole se classifica para o Campeonato Mundial da WKSF Federation, embora tenha conseguido disputar apenas quatro edições por limitações financeiras. Sem apoio institucional, encontrou alternativas para viabilizar a participação, como rifas e investimento próprio.
“O kettlebell ainda não tem apoio do governo e está em processo de reconhecimento no Ministério do Esporte. Com isso, será possível buscar recursos no futuro e ampliar as oportunidades para atletas”, explica.

Foto: Arquivo pessoal
Sobre o Kettlebell
O Kettlebell é uma ferramenta de ferro em formato de bola com alça, considerada uma das mais antigas da história, com registros desde a Grécia Antiga. Como esporte, ganhou força na Rússia a partir da década de 1980, tornando-se especialmente popular no leste europeu.
A modalidade envolve provas de levantamento de peso com movimentos técnicos e repetitivos. Entre os principais estão o Long Cycle, em que o peso é levado das pernas até acima da cabeça em duas etapas, e o Snatch, realizado em um único movimento contínuo.
As competições podem ser realizadas com um ou dois kettlebells, dependendo da categoria. O objetivo é completar o maior número possível de repetições dentro de um tempo determinado — geralmente 10 minutos — sem apoiar o equipamento no chão.
Há ainda provas de resistência, como as maratonas de 12 e 30 minutos, que exigem alto nível de preparo físico e controle mental.