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Quem ama perdoa?

Por: Luiz Carlos Prates

29/04/2026 - 07:04

Antes de entrar no assunto, vamos deixar claro que nós só esquecemos na vida o que não nos é importante. O que nos interessa não esquecemos. É preciso que essa verdade seja sublinhada porque todos os dias ouço ou leio alguém falando sobre as debilidades da mente, da memória, de modo especial, que se enfraquecem à medida que envelhecemos. Não é verdade. A verdade é que com a passagem do tempo nós vamos nos desligando de certos interesses e… A memória nos pede colo. – Ah, é? Não estás mais interessado? Então, chumbo na memória. E a coisa fica no crédito da idade avançada. Erro crasso. Quando temos interesse não esquecemos. O que me traz ao assunto, leitora, leitor, é ter acabado de ouvir uma música em que a certa altura a cantora dizia: – “Quem ama sempre perdoa…”. Não sei quem cantava, era num canal de tevê. Eu não estava nem aí para a música, porém… Essa frase, essa do – “Quem ama sempre perdoa” fez-me pensar. Será mesmo que quem ama perdoa sempre? Quem mais perdoa, ou engole a pílula em seco e em silêncio, são as mulheres. Os homens são sempre desconfiados, todos e sempre, sem essa de que este ou aquele é macho, se garante. Não se garante em nada, pode até exibir força física, mas isso os bichos também fazem… Ademais, tem o seguinte: são vários os nossos erros, perdoar alguns deles é fácil, e a facilidade começa pelo pouco valor que damos a certos erros dele ou dela, porém… Os “erros” afetivos, o marido traí a mulher, por exemplo, será que a mulher perdoa em paz, sem encrencas mentais, emocionais? E ele, o marido que se acha alguma coisa, vai perdoar a traição eventual da mulher? Vai nada. As mulheres que são surradas, ameaçadas ou vítimas de feminicídios, por maioria, nada fizeram para merecer essas reações. Então, é uma estupidez, uma safadeza alguém escrever uma letra de música com essa mensagem tola, essa do – quem ama sempre perdoa. Mas fique claro, todos nós somos muito teatrais, fingimos bondades, caridades, generosidades, tudo de bom, enfim, quando a coisa não nos cutuca, quando são vivências alheias e nada nos afeta. Facílimo ser bom e perdoar nesses casos. Só esquecemos o que não nos interessa, fique claro, não é velhice ou isso ou aquilo, é desinteresse. Chega de teatro.

BAFAFÁ

Aquele bafafá teatral, cinematográfico que aconteceu na Casa Branca, EUA, dia destes, foi mostrado na televisão brasileira por horas e horas, dia sim e outro também… Mas eu gostaria de saber se aquele cinematográfico bafafá fosse aqui entre nós, na América do Sul, se as tevês americanas iam fazer o que as nossas fizeram. Quando vamos acordar? O Primeiro Mundo é aqui, precisamos acordar e erguer punhos de aço para a nossa defesa territorial. Aqui o furo é mais embaixo. Recado.

FALTA DIZER

Às vezes, por momentos, esquecemos das nossas “desgraças”, dos nossos incômodos na vida, mesmo que não os tenhamos na prática os temos nos pensamentos. E aí, surgem os momentos de distração, e nesses momentos esquecemos das nossas encrencas e somos felizes. Estar “distraído”, no melhor sentido, é o momento em que somos plenamente felizes…

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.