OCP – Qual é hoje o maior desafio do hospital na área de gestão e sustentabilidade financeira?
Somos um hospital filantrópico, e isso gera grandes desafios, principalmente na sustentabilidade financeira. Para manter nossa missão assistencial como hospital filantrópico, 60% dos atendimentos devem ser destinados a pacientes do SUS. Porém, diante de alguns desequilíbrios na estrutura regional de saúde, na prática, mais de 80% dos pacientes atendidos são do SUS. Isso impacta diretamente na sustentabilidade financeira, porque a remuneração do SUS não cobre os custos hospitalares, gerando um grande desafio para o HSJ.
Além de filantrópico, somos um hospital que atua em alta complexidade nas áreas de cardiologia, oncologia, neurocirurgia, transplantes, traumatologia e ortopedia. Assim, pacientes da nossa região não precisam se deslocar para outros centros. O HSJ está apto a atender as demandas mais complexas da região. Este é um grande desafio: equilibrar os atendimentos de baixa e alta complexidade, especialmente considerando que somos porta de entrada para urgência e emergência adulto em toda a região.
Todo o time está comprometido não apenas com um consistente trabalho de melhoria contínua nos processos, atividades e gestão, mas também na busca de soluções para que boa parte dos atendimentos de baixa complexidade e ambulatoriais possam ser resolvidos nos próprios municípios da região. Isso permitirá que o HSJ amplie os atendimentos de alta complexidade, contribuindo também para a sustentabilidade financeira.

Silva destaca que os investimentos na unidade são constantes | Foto: Divulgação/Hospital São José
OCP – Como o conselho deliberativo atua nas decisões estratégicas do hospital e qual é sua relação com a diretoria executiva?
A atuação do conselho é alinhada ao Plano Estratégico do HSJ. Recentemente, construímos, em conjunto com o time do hospital, um novo Planejamento Estratégico. A relação com a diretoria-executiva é boa, madura e profissional. Somos um conselho voluntário, e nosso interesse é ajudar o HSJ e sua diretoria a garantir que a trajetória da instituição continue sendo conduzida de forma a assegurar o cumprimento da missão com qualidade e viabilidade financeira. Os conselheiros e conselheiras vêm de distintas áreas e atividades, trazendo experiências, competências e conhecimentos que, embora externos ao ambiente hospitalar, são extremamente úteis no processo decisório.
OCP – Quais investimentos ou projetos o senhor considera mais importantes para os próximos anos?
Hoje somos um hospital de referência porque atuamos em alta complexidade. Dispomos de equipes especializadas, reconhecida capacidade técnica e estrutura moderna. Porém, há necessidade constante de investimentos em atualização e inovação, com a introdução de novas tecnologias, novos processos, novos espaços e novos serviços de alta complexidade.
Os investimentos são constantes. Alguns exemplos mais recentes são a implantação da cardiologia; ampliação e modernização do centro cirúrgico, já contemplando infraestrutura para futura implantação da cirurgia robótica; aquisição do acelerador para radioterapia, o mais moderno existente no mercado; implantação de uma nova UTI; implantação da ferramenta DRG (Diagnosis Related Groups), metodologia que utiliza inteligência artificial para monitorar a eficiência hospitalar, prever recursos e avaliar a segurança do paciente.
Em um futuro próximo, entre outros projetos, devemos avaliar a aquisição de sistema robótico para cirurgias; implantação do serviço de medicina nuclear, fundamental para o diagnóstico precoce do câncer; implantação de novos serviços de alta complexidade, como a vascular, por exemplo. Nosso objetivo é continuar evoluindo para oferecer à população um atendimento cada vez mais moderno, seguro e resolutivo.
OCP – Na sua visão, quais mudanças mais impactaram a área da saúde nos últimos anos em Jaraguá do Sul e na região?
Existem diversas mudanças que vêm gerando impacto significativo. Uma delas é o crescimento demográfico da região, acima da média estadual e nacional. Além disso, as estruturas de saúde voltadas aos atendimentos ambulatoriais e de baixa e média complexidade como PAs, UPA e unidades municipais, não evoluíram, nos municípios da região, na mesma proporção do crescimento populacional. Isso leva muitos pacientes a procurarem um hospital de alta complexidade para atender demandas de baixa e média complexidade.
Por isso, é importante que os municípios da região estejam dispostos a ajustar e ampliar suas estruturas de saúde diante dessas mudanças demográficas.
Outro ponto é que os serviços de saúde se tornaram muito mais complexos e caros nos últimos anos. Hoje temos mais tecnologia, exames mais modernos e tratamentos mais avançados, o que é extremamente positivo para os pacientes, mas também aumenta significativamente os custos operacionais dos hospitais e de todo o sistema de saúde. Há, ainda, a necessidade de ampliação do financiamento público da saúde, especialmente do SUS, para que hospitais filantrópicos e municípios consigam acompanhar tanto o crescimento da demanda quanto a evolução da própria medicina.
OCP – Quais são hoje as principais necessidades da comunidade em relação aos serviços hospitalares?
A principal necessidade da comunidade hoje é ter acesso cada vez mais rápido, resolutivo e próximo aos serviços de saúde. A população cresce, envelhece e necessita de atendimentos mais complexos, exames especializados e procedimentos que muitas vezes demandam estrutura hospitalar de alta complexidade.
Ao mesmo tempo, as pessoas buscam atendimento com agilidade e segurança, especialmente em momentos de maior fragilidade. Por isso, é fundamental fortalecer toda a rede regional de saúde, ampliando o acesso nos municípios, melhorando os fluxos de encaminhamento e garantindo que os hospitais consigam concentrar sua estrutura nos casos de maior complexidade. Os hospitais têm um papel essencial, mas a saúde precisa funcionar de forma integrada. Quando toda a rede evolui em conjunto, quem mais ganha é a população.
OCP – Como o senhor avalia o papel do voluntariado, das doações e do apoio empresarial para a manutenção e expansão do hospital?
O voluntariado, as doações e o apoio empresarial são pilares históricos, determinantes e indispensáveis para esta trajetória de 90 anos.
Sem esse apoio, não teríamos alcançado a atual condição de elevada competência clínica, tecnológica e capacidade assistencial. Não vislumbramos um futuro sem a participação destes pilares. Eles continuarão sendo fundamentais para que o HSJ siga cumprindo sua missão junto à comunidade.