Em 2025, o PIB avançou cerca de 2,3%. À primeira vista, parece um bom resultado. Mas basta olhar com mais atenção para perceber o problema: quem puxou esse crescimento foi o agronegócio, com alta expressiva, enquanto a indústria avançou pouco mais de 1%.
É um sinal claro de desequilíbrio. O país até anda, mas não avança como deveria. E a razão é simples: sem indústria forte, não existe futuro.
Esse não é um problema novo. A indústria brasileira vem perdendo espaço há anos e ainda não recuperou o nível que tinha antes da crise iniciada em 2014. Ou seja, estamos há mais de uma década andando em círculos enquanto o resto do mundo segue em frente.
Quem está na ponta sente isso todos os dias. Produzir no Brasil virou um desafio. Juros altos dificultam investimentos, a burocracia atrasa decisões, a insegurança jurídica gera medo e o custo logístico pesa no bolso. Não é surpresa que muitas empresas tenham dificuldade até para exportar. O país, muitas vezes, parece trabalhar contra quem quer crescer.
E o resultado aparece. O Brasil ainda tem uma base industrial relevante, mas vem perdendo competitividade ano após ano. Importa mais tecnologia do que produz, perde espaço no mercado internacional e vê fábricas reduzindo operações ou simplesmente fechando as portas. Cada indústria que encolhe representa menos empregos, menos renda e menos oportunidades para as famílias.
Em Santa Catarina, no entanto, vemos um caminho diferente. Nosso estado cresceu apostando na indústria, no empreendedorismo e na valorização de quem trabalha. Regiões como o Norte catarinense mostram, na prática, que é possível competir, gerar emprego e crescer com base na produção. Aqui, o desenvolvimento não veio por acaso — veio de escolhas certas.
Isso deixa uma lição importante: o problema não é o Brasil. É o modelo que o Brasil adotou ao longo dos anos.
Se quisermos um país mais forte, precisamos mudar a direção. Valorizar quem produz, reduzir o peso do Estado, simplificar regras e garantir segurança para investir. Não existe milagre econômico. Existe trabalho, planejamento e decisão.
O Brasil tem tudo para dar certo. Tem mercado, tem recursos e tem gente disposta a trabalhar. O que falta é clareza de rumo. Falta parar de dificultar. Falta parar de penalizar quem produz. Falta colocar a indústria no centro de um verdadeiro projeto de desenvolvimento.
Porque, no fim das contas, a conta é simples: sem indústria forte, não existe futuro.