A palavra “velhos” pode soar como palavra ofensiva, já idoso, idosa amaciam a “ofensa”. Seja como for, nós somos o que pensamos e, mais que tudo, o que pensamos de nós mesmos. Os jovens atilados sabem que olhando para a velhice das pessoas podem aprender muito e evitar sofrimentos mais tarde, todavia… Poucos fazem isso. Acabei de ler uma frase, tirada da minha caixa de frases, e sentei para pensar. Essa frase serve como uma luva para mim. A frase diz assim – “Decida o que é mais importante para você: uma vida plena ou um álbum cheio de fotos”. Engoli a frase. Fui narrador de futebol por 25 anos, num tempo em que não se narrava jogos por televisão, como fazem hoje de modo generalizado no rádio brasileiro. Viajei demais, não há canto no Brasil que eu não conheço, que não tenha ido lá narrar um jogo, oficial ou amistoso. Viajei por muitos países, mas… O tempo todo eu estava a pensar sobre o jogo que ia narrar, ainda que sobrasse tempo para dar umas voltas e aproveitar a viagem. Resultado: só tenho fotos de algumas dessas viagens, aproveitar o que era bom, passear, curtir a história dos povos não, nada disso. Só fotos e esperar pelo jogo. Dessas viagens o que me sobrou na cabeça foram lembranças de jogos ou de jogadas e quase absolutamente nada dos locais por onde passei, como, por exemplo, Atenas, Grécia. Muitos e muitos lugares, viagens que bem poderiam ser conjugadas com trabalho e lazer. Muitas vezes, e aí falo de nós todos, ficamos atolados na besteira de registrar tudo com fotos, fotos e mais fotos, curtir o momento, respirar o ar das novidades, aproveitar, enfim, os “acessórios” de um bom momento, não, isso vamos deixar para mais tarde através das fotos tiradas e guardadas. Ah, outra coisa, fotos só interessam a nós, é perda de tempo, senão falta de educação, ficarmos a mostrar fotos nossas para quem não as quer ver. E quem não as quer ver? Todos a quem mostramos essas fotos. O escritor Luiz Fernando Veríssimo dizia isso, ser avesso a fotos em viagens, o que lhe importava eram as vivências, na hora, no local. Adianta dizer? Claro que não, basta ver postagens nas redes sociais. Nossas vivências não ficam nas fotos, ficam-nos no coração e nas lembranças.
MOMENTOS
Andamos caminhando em campo minado, perigosíssimo. Ontem uma pessoa me mostrou uma postagem de um empresário paulista, senhor bem-vestido, cara de pessoa séria, lendo e comentando um artigo político da Folha de São Paulo, que ele tinha nas mãos. Ouvi, concordei inteiramente com ele, achei-o um sujeito confiável. Era tudo Inteligência Artificial, o sujeito não existe. Fiquei pensando, se eu todo metido, entrei na fria de acreditar, bah, quantos outros vão entrar nesse barco? Hoje, todo cuidado é pouco, ô!
MORAL
Já houve entre nós brasileiros “analfas”, metidos a sebo, a gritar contra as vacinas… Porém, o tempo lhes deu a devida resposta. Mas temos uma outra vacina indispensável: a vacina moral. Uma vacina caseira e indispensável para um crescimento humano correto, respeitoso e feliz. Não é mesmo, famílias?
FALTA DIZER
Penso que não era por maldade, mas por hábitos sociais generalizados e quase nenhuma crítica para combater esses hábitos. Falo dos ditados populares. Um deles dizia que “Não falta sapato para um pé torto”. Um modo rústico de dizer que sempre haverá alguém para nós amar, nos querer, sejamos do modo que formos. Para os desanimados, então, vale dizer: Não desistam, o “sapato” existe!