Durante muito tempo, guardar dinheiro no Brasil tinha um destino quase automático: a poupança. Esse hábito, porém, começou a mudar e, aos poucos, o brasileiro passou a olhar além da caderneta, explorando alternativas mais interessantes e com maior retorno, como renda fixa e variável. A poupança ainda tem presença relevante, mas já não ocupa o mesmo espaço de antes. Em Santa Catarina, ela vem perdendo força, com uma redução de R$ 4 bilhões no estoque total de depósitos em poupança nos últimos cinco anos, segundo dados do Banco Central.
O cenário do estado não é isolado. Ele reflete uma mudança mais ampla na relação dos brasileiros com os investimentos. Embora siga forte no imaginário popular, como mostra o Raio-X do Investidor da ANBIMA, a poupança já começa a perder tração nacionalmente, com queda de seis pontos percentuais nas citações espontâneas em relação à edição anterior do estudo. A tendência aponta para um movimento puxado pelas novas gerações, que vêm abrindo espaço para formas mais dinâmicas de investir.
Para Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin, a busca por diversificação está diretamente ligada à sensação de ter ficado para trás e perdido oportunidades. “Na prática, quem deixou 5 mil reais na poupança nos últimos cinco anos até viu o dinheiro crescer, mas não o suficiente para acompanhar o aumento dos preços dos produtos no mercado e nas lojas, e acabou perdendo poder de compra no caminho”, destaca.
Por isso, investimentos como ações, CDBs, renda fixa digital e criptomoedas vêm ganhando mais espaço na carteira dos catarinenses, não apenas pelo potencial de maior rentabilidade, mas também pela possibilidade de diversificação, combinando a previsibilidade da renda fixa com o potencial de valorização dos ativos variáveis.
CDBs e Renda Fixa Digital
A renda fixa segue como porta de entrada para quem começa a sair da poupança. É o caso dos CDBs, já conhecidos, e da renda fixa digital, que vem ganhando espaço como uma evolução dentro da categoria. No fim, os dois funcionam de forma parecida: o investidor aplica e recebe uma rentabilidade previsível, geralmente ligada aos juros da economia.
A diferença aparece nos detalhes. Enquanto os CDBs de grandes bancos costumam render entre 100% e 120% do CDI, a renda fixa digital vem chamando atenção por oferecer mais, em parte por ter menos intermediários. Segundo dados do Mercado Bitcoin, o volume de RFD cresceu 108% em 2025, com retorno médio de 132% do CDI no ano, muitas vezes com isenção de imposto de renda.
Para visualizar essa diferença, uma simulação simples ajuda: com R$ 5.000 aplicados por um ano, a poupança chegaria a cerca de R$ 5.300, um CDB a aproximadamente R$ 5.600, e a renda fixa digital poderia superar R$ 5.700.
Ações e Criptomoedas
Se a renda fixa costuma ser o primeiro passo, é na renda variável que muitos investidores passam a buscar ganhos mais expressivos. Nesse movimento, ações e criptomoedas ganham espaço no estado como alternativas com maior potencial de valorização, ainda que com mais oscilações no curto prazo. Enquanto as ações acompanham o desempenho das empresas, as criptomoedas abrem portas para um mercado global que funciona 24 horas por dia, com destaque para o Bitcoin.
Esse avanço já aparece no comportamento dos catarinenses. Segundo levantamento do Mercado Bitcoin, o número de investidores em cripto no estado cresceu mais de 10% em 2025, colocando Santa Catarina como o sexto maior mercado do país nesse segmento. No mesmo período, a base de investidores em ações avançou cerca de 2%, segundo a própria B3.
“De longe, investir em cripto pode parecer complexo, mas o crescimento da categoria em Santa Catarina, à frente da B3, mostra que o processo é mais simples do que se imagina. Com aportes regulares e carteira diversificada, é possível diluir riscos sem depender de análises técnicas”, comenta Rony. O Brasil já é o quinto maior país em criptoativos, e o Bitcoin foi o ativo mais rentável da última década, rendendo mais de 170% só em 2024.
O movimento em Santa Catarina mostra que os investidores estão mais estratégicos e conscientes, buscando alternativas que unam segurança e crescimento. Esse comportamento reflete uma transformação no perfil do investidor, que passa a priorizar planejamento, diversificação e acompanhamento das oportunidades do mercado.
*Os dados do estoque total de depósitos são fundamentados nos saldos do Estban (Estatística Bancária Mensal por Município e por Instituição), divulgados mensalmente sob responsabilidade do Banco Central. O recorte considera os saldos de setembro de 2020 e dezembro de 2025, último mês publicado pela instituição.