O cenário político de Santa Catarina entra na reta decisiva para o pleito com duas estruturas partidárias relevantes profundamente divididas: o MDB e a federação União Progressista (União Brasil e PP). Em ambos os casos, o que se vê não é apenas divergência tática, mas uma ruptura clara quanto ao projeto majoritário para 2026 — e, mais do que isso, quanto ao alinhamento em relação ao governador Jorginho Mello.
De um lado, lideranças tradicionais insistem na construção de uma alternativa ao atual governo, ancorada na pré-candidatura de João Rodrigues (PSD), que patina e cuja tendência é andar para trás, não avançar. De outro, um contingente expressivo de parlamentares e lideranças regionais já opera, de forma aberta, pela recondução de Jorginho, ainda que isso signifique tensionar — ou até romper — com direções partidárias que vêm sendo impostas goela abaixo.
A consequência é direta: fragilidade organizacional das legendas, perda de coesão interna e impacto potencial significativo nas chapas proporcionais (que é o que realmente interessa tanto para a federação quanto para o velho Manda Brasa).
MDB
O MDB vive um dos momentos mais delicados de sua história recente em Santa Catarina. Sob a presidência de Carlos Chiodini, o partido aposta formalmente na aliança com João Rodrigues. Trata-se de uma decisão estratégica que busca reposicionar a sigla no tabuleiro majoritário, mas que está longe de ser unânime. Muito pelo contrário. Até porque João Rodrigues, no final de 2025, chutou e esnobou o MDB publicamente.
Reeleição
Isso porque uma parcela relevante da bancada e das lideranças municipais já sinaliza alinhamento com o projeto de reeleição de Jorginho Mello. Esse movimento se intensificou após o próprio governador ter descartado, de forma unilateral, a composição inicialmente desenhada com o MDB — que previa o próprio Chiodini como candidato a vice.
Desmoronando
A exclusão do partido da chapa majoritária não apenas feriu o MDB politicamente, como também acelerou o processo de fragmentação interna. Falando com franqueza, o MDB acelera no mesmo rumo do PSDB: o desaparecimento.
Federação
Na União Progressista, o quadro não é diferente — e talvez ainda mais sensível. O senador Esperidião Amin e o deputado federal Fábio Schiochet lideram o movimento de apoio a João Rodrigues. São, inclusive, os dois únicos representantes da federação no Congresso Nacional, o que lhes confere peso institucional. Ainda assim, o movimento parece orientado prioritariamente por seus próprios projetos de reeleição — o que torna a estratégia ainda mais questionável.
Rachaduras
No entanto, assim como no MDB, há uma dissidência crescente. Deputados estaduais, lideranças regionais e operadores políticos já trabalham com o cenário de apoio ao governador.
Fora
A situação se agravou quando Jorginho Mello redesenhou sua chapa: retirou espaço da federação e abriu caminho para novos arranjos, incluindo a chegada de Carlos Bolsonaro e a entrada da deputada federal Carol De Toni na disputa ao Senado, além da escolha de Adriano Silva (Novo) como vice.
O recado foi claro: a federação deixou de ser prioridade no desenho do projeto governista — assim como o MDB.
Chapa
Mesmo que MDB e União Progressista confirmem, mais adiante, uma coligação em torno de João Rodrigues, há um fator incontornável: o controle formal da aliança não garante o engajamento real das bases.
Plim plim
Na prática, o que se desenha é uma campanha com tempo de televisão assegurado, mas com capilaridade comprometida. Prefeitos, vereadores e deputados tendem a seguir seus próprios cálculos eleitorais — e muitos deles já estão posicionados ao lado do atual governador.
Desempenho
Há ainda um elemento objetivo que pressiona esse arranjo: o desempenho de João Rodrigues nas pesquisas. Estacionado entre 15% e 20% das intenções de voto, o pré-candidato ainda não conseguiu converter visibilidade em tração eleitoral, mesmo após mais de dois anos em pré-campanha. Soa como um disco riscado: repete a mesma narrativa, sempre centrada no ataque ao governador.
Se esse quadro persistir, o efeito colateral será inevitável: impacto direto nas chapas proporcionais.
Assembleia
No MDB, a conta é apertada. A bancada atual de seis deputados estaduais deve ser reduzida. A projeção mais realista aponta para quatro cadeiras — com possibilidade remota de uma quinta, na sobra.
Quarteto
E há um agravante: a ausência de renovação. Nomes como Antídio Lunelli, Mauro de Nadal, Jerry Comper e Fernando Krelling largam em clara vantagem. Se o partido fizer quatro vagas, elas já têm dono. Espaço para renovação é praticamente inexistente.
O deputado Tiago Zilli ainda tenta se viabilizar, mas corre por fora — e terá muitas dificuldades.
Federação
Na federação, o cenário é ainda mais competitivo — e, portanto, mais duro.
O PP conta com Altair Silva e Pepê Collaço buscando reeleição. Pelo União Brasil, aparecem Sérgio Guimarães e Vicente Caropreso, que deixou o PSDB.
Potencial
A esse grupo se soma o ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, que entra na disputa com potencial de alta votação.
O problema é matemático: são cinco nomes competitivos para uma federação que dificilmente fará cinco cadeiras. O resultado provável é direto: deputado com mandato ficando de fora.
Tensão
Esse conjunto de fatores — racha interno, indefinição estratégica e desempenho eleitoral abaixo do esperado — já começa a produzir efeitos concretos.
Nos bastidores, cresce a inquietação. Mandatários pressionam, reavaliam posições e, sobretudo, evitam compromissos definitivos. É o movimento típico de momentos de incerteza: ninguém quer ficar do lado errado da história eleitoral.
E, hoje, tanto MDB quanto União Progressista caminham exatamente sobre essa linha de risco.