Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Morar no mato

Por: Luiz Carlos Prates

10/04/2026 - 07:04

Como todos os dias temos mais e mais leitores, sou forçado a me repetir por aqui. Muitos ainda não sabem que coleciono frases recortadas de jornais, sublinhadas em livros ou ouvidas de pessoas. Leio, ouço e recorto ou anoto. Às últimas horas ouvi um desabafo de uma amiga, jornalista, e fiquei com uma frase dela. A amiga, passando por algumas encrencas emocionais, me disse: – “Ai, Prates, às vezes tenho vontade de largar tudo e ir viver no meio do mato”. Já ouvi essa frase várias vezes. Baita equívoco. A pessoa, abafada por questões emocionais, pensa que seria feliz morando “no meio do mato”, sozinha. Esse desabafo da amiga fez-me lembrar que um dia antes eu mesmo tinha saído da Terra… Isso mesmo, saí da Terra. Foi assim: eu estava na minha caminhada diária, no fim de tarde, e o céu estava de um azul daqueles. Nenhuma nuvem, nada, era o céu e uma lua cheia. Uma lua lindíssima. Caminhava e olhava para a beleza da lua. Foi aí que me ocorreu pensar em morar na lua. Olhava para a lua e pensava: vamos supor que fosse possível morar na lua, numa casa lindíssima, confortável, com tudo do bom e do melhor, com comidas e bebidas de todo tipo, com tudo, enfim, de que eventualmente pudéssemos precisar, nós, humanos. Uma vida de todas as farturas, mas só nós, solitários. Tudo com o que pudéssemos sonhar teríamos, porém… Teríamos que viver sozinhos, para sempre. Será que alguém aceitaria essa proposta: morar na lua com tudo de bom e ao tempo todo, mas sozinho? Só um uma pessoa completamente estonteada para dizer sim. Às vezes, fazemos aquela frase maluca, aquela do – “Aí, que vontade de ir morar no meio do mato, sem ninguém para me incomodar”! São frases, não mais que frases, são tentativas de fugas mentais de que fazemos uso sem pensar. O castigo maior nas penitenciárias são as celas solitárias, onde o bandido descobre o que é bom para a tosse. Uma casinha pobre, com ele ou ela ao lado, é o paraíso na Terra. É uma “lua” na Terra. Não nascemos para viver sozinhos, sem amigos, sem corações batendo juntos. Tchau, lua!

DECISÃO

Acho que os japoneses me acompanham aqui no jornal. Um ranço meu começa a ser lei no Japão. Ranço? Segurança e responsabilidade, isso sim. Notícia do Financial Times, de Tóquio: “Japão vai multar ciclistas por uso de fones”. Correto. Não tem cabimento um néscio andar de bicicleta com fones nos ouvidos nas ruas perigosas de hoje sem prestar atenção a tudo: pessoas, buzinas, sinais de trânsito, outros motoristas, de tudo um pouco. Ferro nesses safados. Depois vão se queixar da sorte? As UTIs estão lotadas…

VERDADE

As pessoas ouvem e dão de ombros, estou no meio. É o seguinte, todos os dias durante minhas caminhadas, ouço palestrantes americanos, ouço o grito forte deles contra o consumo distraído ou ignorante de açúcar. O aviso me acerta em cheio, porém… Deixo de ir à geladeira ver se tem um docinho? Não é a falta de conhecimento que nos faz andar na contramão da vida, é o pensamento mágico ou a ignorância mesmo. Açucar mata mais cedo. Ponto.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

FALTA DIZER

Semana passada um grupo de políticos catarinenses me convidou para concorrer à deputação federal. Deram-me todo o apoio e muito entusiasmo. Fiquei-lhes muito grato, gratíssimo, mas… Não é minha vocação. Abraços, amigos, o voto de confiança é o melhor dos votos que podemos ganhar, e vocês me deram esse voto. Boa sorte!

 

 

 

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.