20/03/2026 - 06:03
O Brasil está ficando para trás
Não, o título não é um exagero. Embora o país continue crescendo economicamente, estamos no modo “freio de mão puxado”, quando comparados com a média global. Entre os anos 1980 e 1990, o país chegou a representar mais de 3,5% do PIB mundial. Depois disso, a participação sofreu uma queda relativamente expressiva, chegando a 2% em 2023.
Na prática, isso significa que outras economias estão avançando mais rápido que a nossa. Nos últimos 25 anos, por exemplo, o PIB da China cresceu mais de 500%, enquanto países como Índia, Vietnã e Bangladesh expandiram suas economias acima de 200%. Neste mesmo espaço de tempo, o Brasil cresceu apenas 75%, ou seja, em termos práticos, a economia brasileira não chegou a dobrar e a chinesa multiplicou-se por 6. Em outras palavras, nos últimos 25 anos, o crescimento do PIB brasileiro foi cerca de 7 vezes menor que o da China.
Estes dados comprovam que estamos diminuindo a nossa velocidade nesta corrida mundial. Tanto, que saímos de 6ª maior economia do mundo, há 15 anos, para 11ª atualmente. Quatro fatores podem ajudar a explicar essa “lentidão” brasileira:
⦁ baixa produtividade do trabalho, despencando nos últimos anos;
⦁ crescimento mais lento da população ativa, atualmente abaixo de 0,5%/ano, contra 2% há 20 anos;
⦁ contas públicas pressionadas e juros elevados, muito por conta da ampliação de benefícios sociais e do custo do sistema previdenciário;
⦁ corrupção descarada (até institucionalizada) em todas “as latitudes e longitudes” públicas e privadas.
Longe da influência de qualquer vírus ideológico, há que se fazer uma análise honesta, baseada em dados e fatos, sobre o que está acontecendo com o Brasil e, muito mais importante, sobre o que podemos – na iniciativa privada e nos setores públicos – fazer para mudar.
Sim, esse é o tipo de tema que precisa sair dos grupos de WhatsApps e chegar às salas de conselhos e mesas de diretorias de empresas privadas, bem como a plenários público-políticos e, muito importante, à consciência da população frente às urnas eleitorais.
Sim, o Brasil precisa de nós todos, inclusive dos potencialmente “desistentes” – primeiro pessoas, agora empresas – que fazem, por exemplo, a fronteira Brasil-Paraguai viver uma nova onda migratória: mais de 17 mil brasileiros obtiveram residência no país vizinho, apenas em 2025, número recorde que consolida o Paraguai como principal destino regional para empresários, que buscam um ambiente econômico mais atrativo, com menos burocracia e custos operacionais mais baixos, bem como para trabalhadores, que buscam maiores oportunidades de trabalho.
Enfim, quando me formei em Engenharia Mecânica, pela UFSC, em 1975, muitos diziam que o Brasil não tinha futuro. Inclusive, colegas abriam padarias e lojas de conveniência, por falta de oportunidades para a sua profissão e outros se mudavam para os EUA ou Europa, onde descobriam, algum tempo depois, que todos os lugares têm vantagens e desvantagens e que a “contabilidade” final de perdas e ganhos depende de cada um.
Hoje, mesmo escutando que o Brasil é um lixo, que não vai deslanchar e que o melhor é ir embora, a minha visão evoluiu: já foi alternadamente pessimista e otimista, e, hoje, creio que ainda dá tempo de “dar a volta por cima”, pois nossos problemas são provocados por nossos hábitos ruins, dos quais precisamos nos livrar. Enquanto isso, vivemos culpando políticos e magistrados.
Sim, sim, afinal, “apontar o dedo dá bem menos trabalho do que arregaçar as mangas”.
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Consultor especializado em profissionalização, governança e sucessão empresarial familiar. Com vasta experiência, Emílio da Silva Neto é PhD/Dr.Ing, Pós-Doc, Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante, Professor e Sócio da 3S Consultoria Empresarial Familiar. Redes sociais: emiliodsneto | www.consultoria3s.com