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Do feito à mão ao desejável: como agregar valor ao seu produto artesanal

Por: Ana Antonelo

12/03/2026 - 11:03 - Atualizada em: 12/03/2026 - 11:20

Vou começar esta coluna com uma pergunta simples: sua mãe ou sua avó costumavam fazer crochê?

Talvez você lembre de uma toalha sobre a mesa, uma manta no sofá ou até uma blusa feita à mão guardada no armário. Durante muito tempo, o trabalho manual fez parte da rotina de muitas casas.

Mas em que momento deixamos de valorizar aquilo que é feito à mão?

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Talvez a resposta esteja no ritmo que a moda passou a seguir. Com a industrialização e o fast fashion, tudo ficou mais rápido: produzir, consumir e descartar.

Só que existe um movimento curioso acontecendo agora. Depois de anos nesse ciclo acelerado, começa a surgir um movimento de reação. Cada vez mais, pessoas buscam produtos que carreguem história, tempo, identidade e é nesse cenário que o artesanal volta a ganhar espaço.

Nas passarelas da Paris Fashion Week, por exemplo, bordados, crochês, tricôs e aplicações aparecem como símbolos de luxo e excelência na Alta Costura.

Fonte: @stealthelook

Marcas como Dolce & Gabbana, Dior e Stella McCartney mostram, temporada após temporada, que o feito à mão não é apenas tradição. Ele também é uma linguagem de luxo.

Fonte: @carolinedonatilla

Fonte: @carolinedonatilla

Fonte: @carolinedonatilla

Influenciado por tendências de comportamento como o Slow living. O artesanal deixa de ser apenas uma técnica e passa a representar propósito, memória e identidade.

Esse movimento também começa a aparecer em iniciativas mais próximas da nossa realidade. No evento Open Fashion, que aconteceu em Florianópolis, eu pude observar de perto como algumas marcas estão resgatando técnicas manuais como parte da construção de identidade das coleções.

A marca Ta-hi, por exemplo, trabalha o crochê dentro de uma proposta de moda ética e consciente, muito conectada ao ritmo do Slow Fashion.

@tahi.kids/ @openfashionbr

Já a Gattai mostra como técnicas como crochê e macramê podem ganhar uma leitura contemporânea quando entram no design de produto.

@gattai_/ @openfashionbr

Mas transformar algo artesanal em um produto realmente desejável passa por alguns pontos importantes.

Primeiro: estética também comunica valor.

Um produto artesanal pode ter uma técnica incrível, mas se ele não conversa com o olhar de hoje, pode acabar passando despercebido. Tendência, e até a maneira de apresentar a peça já faz diferença na como o público percebe esse produto.

Segundo: a história faz parte do produto.

Quando alguém compra algo feito à mão, não leva apenas a peça. Leva também o processo, a técnica e o cuidado que existe por trás dela. Mostrar esse caminho ajuda o público a entender o valor daquele trabalho.

Terceiro: posicionamento muda tudo.

Existe uma diferença grande entre vender artesanato e apresentar um produto artesanal com identidade. A forma como a marca se comunica, fotografa suas peças e conta a própria história influencia muito na forma como o produto é percebido.

E é exatamente sobre desenvolver esse olhar que nasce o Moda em Foco. Um espaço para observar a moda além da tendência, entendendo valor, narrativa e estratégia por trás de cada peça.

E agora eu te faço uma pergunta. Você que está lendo esta matéria tem uma marca de produto artesanal? Hoje você consegue transformar o que é feito à mão em algo desejável, acompanhando tendências e linguagem de moda, ou ele ainda é percebido como algo “antigo?”

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