Neste domingo, 8 de março, o mundo volta os olhos para o Dia Internacional da Mulher. Mais do que uma data simbólica, o momento relembra uma trajetória marcada por lutas históricas por direitos, igualdade e respeito. No entanto, diante da realidade enfrentada por milhares de brasileiras, a reflexão que se impõe é inevitável: até que ponto há, de fato, motivos para celebrar?
Os números da violência de gênero no Brasil continuam alarmantes. Em 2025, o país registrou mais de 1.500 casos de feminicídio — o maior número desde que o crime passou a ser tipificado em lei. Na prática, significa que quatro mulheres são assassinadas todos os dias por razões relacionadas ao gênero.
Essa realidade nacional também se reflete em estados e municípios. Em Santa Catarina, os registros de violência contra a mulher permanecem elevados, revelando um problema persistente e estrutural. Em Jaraguá do Sul, dados da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso indicam que crimes como ameaça, lesão corporal, injúria e perseguição continuam sendo recorrentes.
Os números mostram uma realidade que vai muito além de estatísticas policiais. Cada ocorrência representa uma história interrompida, uma família afetada e uma mulher que teve sua dignidade violada. O crescimento das solicitações de medidas protetivas ao longo dos últimos anos também demonstra que cada vez mais vítimas buscam ajuda — um sinal importante de confiança nas instituições, mas também um alerta sobre a dimensão do problema.
Diante desse cenário, o 8 de março deixa de ser apenas um dia de homenagens e flores. Torna-se um convite à reflexão coletiva sobre os desafios que ainda precisam ser enfrentados para garantir segurança, respeito e igualdade.
Ao mesmo tempo, iniciativas como a Procuradoria da Mulher e espaços de acolhimento, como a Casa Izabel, mostram que o caminho passa pela informação, pela rede de proteção e pelo fortalecimento da autonomia feminina.
Celebrar o Dia Internacional da Mulher é, portanto, reconhecer conquistas importantes. Mas, sobretudo, é lembrar que a verdadeira comemoração virá quando nenhuma mulher precisar temer pela própria vida.