Antes de Jaraguá do Sul virar referência industrial, ela aprendeu a trabalhar com as mãos cheias de palha, paciência e futuro. Entre tiras trançadas, costuras cuidadosas e formas de madeira, a história da Marcatto foi sendo escrita junto com a da cidade. Começou pequena, atravessou guerras, acompanhou mudanças de moda, reinventou caminhos, e segue em funcionamento até hoje.
A história começa em outubro de 1923, quando João e Cristina Marcatto, vindos da Itália, escolheram Jaraguá do Sul não por acaso. Aqui existia a matéria-prima da qual se extraía a fibra para os chapéus de palha. Com apenas uma máquina decostura e uma prensa, nasceu a Fábrica de Chapéus de Palha João Marcatto. Os primeiros modelos carregavam nomes de época, como Santos Dumont e Pinheiro Machado.

ANTIGAMENTE EM JARAGUÁ DO SUL/TANIA MARIA ZIELSDORFF | Prédio antigo da Marcatto, com fachada ainda em obras
Nas décadas de 1960 e 1970, os chapéus viveram seu auge. Os modelos “Panamá”, produzidos pela empresa, ganharam fama. Mas o sucesso não vinha apenas da fábrica. Muitas famílias jaraguaenses participavam do processo: trançavam a palha em casa, formavam tiras, levavam material até a empresa, onde os chapéus eram costurados e moldados. Era trabalho compartilhado, renda espalhada e um sentimento coletivo de pertencimento.

ANTIGAMENTE EM JARAGUÁ DO SUL/DOUGLAS DE OLIVEIRA | Trabalhadora realizando o entrelaçamento de ripas de palha
Quando os chapéus começaram a sair de cena, a Marcatto não fechou as portas, vieram a camisaria, as cordas, os bonés, os feltros, as bolsas e os acessórios. O som das máquinas mudou, mas o trabalho seguiu firme. O parque fabril se modernizou, marcas internacionais passaram a dividir espaço com a história local e, em 2023, a empresa completou 100 anos de atuação! É história!

ANTIGAMENTE EM JARAGUÁ DO SUL/DOUGLAS DE OLIVEIRA | Vista de fábrica durante o período de produção