Muito antes de o café verter tendência ganhar nome em cardápio sofisticado, Jaraguá do Sul já tinha o seu. O aroma que atravessava as manhãs da cidade vinha de uma indústria local que transformou grãos, açúcar e trabalho familiar em tradição. A Sasse marcou época ao unir produção artesanal, visão empresarial e presença constante no cotidiano dos moradores.
A história começa em 1953, quando Egon Sasse instala uma pequena fábrica de balas em uma sala alugada na Rua Epitácio Pessoa. As receitas vinham de um livro em alemão e as entregas eram feitas de bicicleta. Poucos anos depois, a empresa muda de endereço e amplia a produção. Em 1964, ocorreu a virada estratégica: a aquisição de uma torrefação de café. A partir dali, a produção cresce rapidamente e o nome Sasse passa a circular com força no comércio regional.

Foto: Reprodução/Por Acaso | Linha de produtos de Alimentos Sasse Ltda
Instalada na movimentada Rua Jorge Czerniewicz, a indústria consolidou sua atuação com investimento na modernização. Egon foi pioneiro ao substituir embalagens de papel por plástico e ao apostar em equipamentos mais eficientes. Cafés e balas dividiam o protagonismo da empresa, que chegou à liderança no mercado catarinense. Cafés como Pingo Preto deixam saudade até os dias atuais, assim como as famosas balinhas, dá água na boca só de lembrar!

Foto: Reprodução/Por Acaso | Área de produção e embalagem em 1996
Após a morte do fundador, a empresa enfrentou dificuldades, e mesmo com tentativas de reposicionamento, encerrou as atividades em outubro de 2010. Hoje, o Sasse não está mais nas prateleiras, mas continua sendo citado quase como quem fala de alguém da família. “Tu lembra do Café Sasse?” Aciona memória, cheiro, época. Porque tem coisa que o tempo não leva, só transforma em saudade boa. E essa, convenhamos, combina perfeitamente com café.

Foto: Reprodução/Por Acaso | A fábrica da Alimenticios Sasse no ano de 1975