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Joinville gasta 16,52% a mais com saúde e segue investindo mais que o dobro constitucional

Foto: Divulgação/Prefeitura de Joinville

Por: Pedro Leal

25/02/2026 - 14:02 - Atualizada em: 25/02/2026 - 14:53

A Comissão de Saúde realizou, nesta quarta-feira (25), audiência pública para apresentação do relatório da Secretaria da Saúde com os dados da pasta referentes ao período de setembro a dezembro do ano passado. Conforme a exposição, Joinville aplicou 34,14% da receita em saúde — mais que o dobro do mínimo constitucional de 15%. O absenteísmo (faltas dos pacientes) em consultas ficou em 20% e os índices da cobertura vacinal infantil evoluíram, mas seguem abaixo da meta.

De acordo com as representantes da secretaria Gabriela Neves e Suelyin Manteufel o investimento de Joinville em saúde totalizou R$ 859,9 milhões, o que representa aumento de 16,52% em relação ao mesmo período de 2024.

As receitas para financiamento da saúde somaram R$ 1,32 bilhão, com destaque para o aumento dos repasses da União e do Estado.

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Já as despesas chegaram a R$ 1,35 bilhão, alta de 10,11%, concentradas principalmente na assistência hospitalar e ambulatorial. O investimento em medicamentos totalizou R$ 19,4 milhões.

Atendimentos e absenteísmo

Na área assistencial, o município mantém 176 equipes de Estratégia Saúde da Família, que alcançam 92,72% de uma população estimada em 654,8 mil habitantes. Os dados também indicam que cerca de 40% da população possui plano de saúde.

A Atenção Básica registrou crescimento de 13,8% nos atendimentos de urgência e emergência. Houve ampliação no número de consultas e procedimentos, mas também aumento do absenteísmo, que somou 220 mil faltas no período. De acordo com a apresentação, cada ausência gera um custo médio de R$ 14,76, impactando diretamente a eficiência do sistema e o aproveitamento das vagas ofertadas.

Idosos, causas de morte e vacinação

A população idosa já ultrapassa 95 mil moradores e representa quase 15% da população de Joinville, cenário que reflete a demanda por serviços voltados às doenças crônicas. As enfermidades do aparelho circulatório permanecem como principal causa de internação (3.620 casos) e também de óbito (479 registros), evidenciando o peso das doenças cardiovasculares no perfil de morbimortalidade do município.

A cobertura vacinal infantil apresentou melhora, mas ainda permanece abaixo do ideal. Entre crianças com menos de um ano e com um ano de idade, os índices não alcançam 90%, e, aos quatro anos, ficam abaixo de 80%, todos abaixo da meta de 95%. A mortalidade infantil caiu de 8,6% para 8,2%, aproximando-se da meta de 8%.

Entre os destaques do quadrimestre estão obras concluídas em unidades de saúde, novas ordens de serviço para UBSs, ações de multivacinação, mutirões de prevenção e projetos de inovação na gestão hospitalar.

Presidente da Comissão de Saúde, Pastor Ascendino Batista (PSD) destacou o peso do Hospital Municipal São José nos gastos da pasta e defendeu a estadualização da unidade. O parlamentar também criticou os índices de absenteísmo apresentados no relatório.

 

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).