Teve um tempo em que domingo à tarde e até outros dias da semana tinham roteiro certo em Jaraguá do Sul. Não precisava combinar muito: bastava aparecer. Na Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, em frente ao Colégio Marista São Luís, o Sorvetão era mais que uma sorveteria, era ponto de encontro, vitrine de sabores e escola informal de marketing criativo, muito antes dessa palavra virar moda.
Fundado em 1986 por Ana Maria e Julmir Rozza, o Sorvetão marcou gerações com uma proposta simples e ousada para a época, sorvetes artesanais, sucos naturais feitos na hora e novidades que a cidade ainda não conhecia. Mamolanja, moraxi, laranxi, nomes que viraram vocabulário afetivo de quem cresceu ali.

Foto: Reprodução/Por acaso | Na imagem, a professora Nilmara Bompani, do antigo Colégio Divina Providência, com alunos para curtir um clássico da infância jaraguaense
Julmir era do tipo visionário que fazia antes de virar tendência. Distribuir sorvete no Banco do Brasil como ação de marketing? ez. Colocar máquina de sorvete na calçada para receber crianças no Dia das Crianças? Fez também. Já o cardápio parecia coisa de cinema. O famoso “palhacinho”, banana split, taças generosas, sorvete frito, sanduíche de sorvete, tortas e até panetone recheado.

Foto: Reprodução/Por acaso | O Sorvetão se destacou em nosso jornal, junto do editorial de Economia
Foram cerca de dez anos de funcionamento intenso e uma equipe que chegou a somar 16 funcionários. Com o passar do tempo, o negócio mudou de endereço, foi vendido e, aos poucos, encerrou suas atividades. Os idealizadores também seguiram outros caminhos. Mas em Jaraguá do Sul, o sentimento permanece, e até hoje, volta e meia, alguém repete: “Que saudades do Sorvetão.”

Foto: Reprodução/Por acaso | Os donos do estabelecimento estavam sempre se especializando e isso também era noticiado na época