O Brasil vive uma encruzilhada econômica. E o mais grave não é apenas o tamanho do problema. É o diagnóstico errado — e, consequentemente, o tratamento equivocado que vem sendo aplicado – e repetido.
Nos últimos anos, o país tem sido conduzido por uma visão ideológica que insiste em tratar sintomas, mas se recusa a enfrentar as causas reais da estagnação. A esquerda brasileira segue defendendo mais Estado, mais impostos, mais intervenção, mais assistencialismo e mais gastos públicos como solução para todos os males. Essa é uma visão míope — e os resultados estão aí para quem quiser ver.
Quando a economia desacelera, o governo gasta mais. Quando a arrecadação não é suficiente, cria-se ou aumenta-se imposto. Quando a dívida cresce, a culpa é “do mercado”.
Essa lógica ignora o óbvio: não existe crescimento sustentável baseado apenas em aumento de despesas públicas. Não existe prosperidade construída sobre déficits permanentes. E não existe justiça social sem responsabilidade fiscal.
O Brasil tem convivido com baixo crescimento, insegurança jurídica, instabilidade política, descrença nas instituições, desconfiança de investidores e juros elevados. Tudo isso não acontece por acaso. É consequência direta de um modelo que prioriza o tamanho do Estado em vez da eficiência do Estado.
Como bem diz um ditado popular: não existe almoço grátis. Quando o governo gasta além do que arrecada, alguém paga a conta. E esse alguém é a sociedade.
Mais impostos significam menos dinheiro no bolso do trabalhador e menos capacidade de investimento para as empresas. Mais dívida pública significa juros mais altos e menos recursos para áreas essenciais no futuro. Mais burocracia significa menos empreendedorismo e menos geração de empregos.
A esquerda insiste em dizer que o problema do Brasil é falta de gasto social. Mas o Brasil já está entre os países que mais gastam em proporção ao seu tamanho econômico. O problema não é quanto se gasta — é como se gasta. Sem eficiência, sem metas claras, sem avaliação de resultados, o dinheiro público vira apenas combustível para manter uma máquina pesada e pouco produtiva.
Eu venho da iniciativa privada. Sei, na prática, que desenvolvimento acontece quando há ambiente favorável para produzir, investir e gerar empregos. Quando o governo trata empresários como adversários e não como parceiros, o recado é claro: o risco aumenta. E quando o risco aumenta, o investimento diminui.
Sem investimento, não há crescimento. Sem crescimento, não há arrecadação sustentável. Sem arrecadação sustentável, não há política social que se sustente no longo prazo.
Programas emergenciais, subsídios pontuais e estímulos artificiais podem gerar algum alívio momentâneo. Mas não resolvem o problema estrutural. É como dar analgésico para um paciente que precisa de cirurgia.
O Brasil precisa de reformas que fortaleçam a responsabilidade fiscal, simplifiquem o sistema tributário, reduzam a burocracia e aumentem a produtividade. Precisa de segurança jurídica. Precisa de previsibilidade.
Precisa, acima de tudo, de confiança. Porque não é o governo quem cria riqueza. Quem cria riqueza é quem trabalha, empreende, investe e assume riscos.
O papel do Estado deve ser claro: garantir regras estáveis, infraestrutura adequada, educação de qualidade elevada, segurança e um ambiente favorável aos negócios. Não competir com a iniciativa privada, nem sufocá-la.
A visão estatizante parte do princípio de que o governo sabe mais do que a sociedade. Eu penso exatamente o contrário. A sociedade é mais criativa, mais ágil e mais eficiente quando não é travada por amarras ideológicas.
O Brasil não precisa de paliativos. Precisa de coragem para enfrentar a realidade — e de uma gestão que coloque o crescimento sustentável acima da ideologia.
Esse é o caminho.