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Apneia do sono e obesidade: por que o excesso de peso é um fator central no problema?

Obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento da doença. Foto: Pixabay

Por: Pedro Leal

18/02/2026 - 14:02 - Atualizada em: 18/02/2026 - 14:40

A apneia do sono é um distúrbio respiratório ainda subdiagnosticado, mas bastante comum, especialmente entre pessoas com obesidade. Segundo o otorrinolaringologista Dr. Marcio Freitas, a condição muitas vezes passa despercebida porque sintomas como o ronco costumam ser banalizados e não reconhecidos como um sinal de alerta para a saúde.

“Com o aumento do peso corporal, ocorre uma redução do espaço da faringe, região por onde o ar passa durante a respiração. Além disso, há maior acúmulo de gordura e flacidez dos tecidos dessa área, o que facilita o colapso das vias aéreas durante o sono”, explica. Esse colapso é o que provoca o ronco e as pausas respiratórias características da apneia.

Do ponto de vista médico, a obesidade deixa de ser apenas um fator associado e passa a ter papel central no desenvolvimento da apneia do sono a partir do sobrepeso. De acordo com o especialista, pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 26 já podem apresentar ronco e apneia relacionados ao ganho de peso. “Quando o IMC ultrapassa 30, a obesidade se torna um fator determinante, e nos casos de obesidade mórbida, acima de 35, a presença de apneia é muito frequente”, afirma.

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A boa notícia é que a perda de peso tem impacto direto na evolução da doença. A redução do peso corporal melhora o espaço das vias aéreas, diminui a frequência das pausas respiratórias, melhora a qualidade do sono e reduz sintomas diurnos como sonolência excessiva e cansaço. “Em muitos casos, a perda de peso modifica o curso da apneia. Pacientes que tinham apneia grave podem evoluir para quadros leves ou até deixar de apresentar a condição”, destaca o médico.

Dentro do tratamento da obesidade, medicamentos à base de tirzepatida (princípio ativo conhecido por fármacos como o Mounjaro) têm ganhado espaço como aliados no cuidado médico. A substância atua melhorando o controle do peso e promovendo benefícios metabólicos importantes, como redução da glicemia, da resistência à insulina, da pressão arterial e de alterações no colesterol e nos triglicerídeos.

Com a liberação da tirzepatida pela Anvisa, o especialista reforça que o uso deve ser sempre criterioso. “Apesar de ser uma medicação segura e com benefícios relevantes, não é isenta de efeitos colaterais. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável para garantir que os ganhos superem qualquer risco”, alerta.

Para o Dr. Marcio, tratar a obesidade de forma adequada é um passo fundamental não apenas para o controle da apneia do sono, mas também para a prevenção de doenças cardiovasculares e para a melhora da qualidade de vida como um todo. “A apneia não deve ser vista como algo normal ou inofensivo. Identificar e tratar os fatores centrais, como a obesidade, faz toda a diferença no cuidado com a saúde”, conclui.

 

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).