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Luiz Inácio Lula da Silva no Sambódromo

Por: Claudio Prisco Paraíso

18/02/2026 - 06:02

A cena carnavalesca deste ano, tradicionalmente vista como espaço de expressão cultural e crítica social — mas também carregada de erotismo — ganhou contornos políticos explícitos ao trazer uma homenagem ao presidente da República em pleno desfile no Rio de Janeiro. O episódio extrapola o folclore típico do período de Momo e se insere no ambiente de polarização e disputa, narrativa que marca a política brasileira contemporânea.

A leitura que se faz nos bastidores — especialmente entre observadores mais céticos — é de que a homenagem funcionou como gesto simbólico de afirmação política, ainda que envolta em estética carnavalesca. Ou seja, Lula e o mundo inteiro sabem que foi cometido um crime eleitoral, num momento em que o governo busca recompor imagem e mobilização social, enquanto a oposição reagiu imediatamente, entrando com novas ações na Justiça. Os mais afoitos, contudo, podem achar que isso tornará a deidade vermelha inelegível. Apesar do comício na Sapucaí, com jingle de campanha, material promocional e deboche em relação a Jair Bolsonaro e aos evangélicos, o colunista avalia que nada vai acontecer. No máximo, uma multa para o PT.

Enredo

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A apresentação foi grotesca, chula, sem qualquer glamour — uma baixaria generalizada. O comício em forma de desfile tentou resgatar a trajetória pessoal e política de Lula — do retirante nordestino e líder sindical ao atual chefe do Executivo. Isso todo mundo sabe e, até aí, Lula era mais um cidadão qualquer. Depois tornou-se, na avaliação do autor, o maior corrupto e mentiroso contumaz dos tempos recentes.

Repercussão

Nos meios políticos e jurídicos, apesar do escracho ao vivo e a cores, prevalece a percepção de que dificilmente haverá consequências eleitorais relevantes. A eventual discussão sobre campanha antecipada tende a permanecer no plano formal, sob a alçada da Justiça Eleitoral e do próprio Supremo Tribunal Federal, sem impacto prático imediato. Essas duas instâncias judiciais, envergonham o Brasil. Estariam absolutamente aparelhadas. Enquanto liberam tudo para Lula e o PT, seguiriam perseguindo quem não “lambe as botas do regime”.

Comparações

O episódio inevitavelmente reacende paralelos com momentos anteriores de forte exposição política em eventos públicos, inclusive envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A lembrança de decisões como as tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes, proibindo o uso de imagens do desfile de 7 de setembro de 2022 — que reuniu um milhão de pessoas em Brasília — volta ao debate.

Clima social

Além do simbolismo político, a reação pública reflete um ambiente mais amplo de inquietação com temas estruturais — economia, segurança e percepção de integridade das instituições. Escândalos e crises recorrentes envolvendo órgãos e empresas estatais, como a Petrobras, alimentam esse pano de fundo de desconfiança. A população já não aguenta mais.

Perspectiva

No horizonte eleitoral, a tendência é que episódios desse tipo sejam incorporados ao arsenal retórico de ambos os campos. O efeito real desse circo canhoto não se mede pela repercussão imediata, mas pela capacidade de reforçar percepções já existentes no eleitorado — positivas ou negativas.

Em síntese, a homenagem carnavalesca acaba sendo menos relevante pelo espetáculo em si e mais pelo que revela: a política brasileira permanece onipresente, inclusive onde historicamente predominava apenas a festa. O tiro tem tudo para sair pela culatra. E tem tudo para reforçar as perspectivas eleitorais da oposição na corrida presidencial.

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