Desde 1º de janeiro de 2026, a Reforma Tributária já está em fase de testes e começa a impactar diretamente a rotina das empresas brasileiras. Mesmo sem a substituição completa do sistema atual, ajustes em sistemas, processos internos, formação de preços e fluxo de caixa já são necessários.
Para o advogado e contador, consultor e professor Marcos Adriano Silva, especialista em gestão tributária, o principal erro é tratar a reforma como algo distante ou apenas conceitual. “A reforma não é mais algo que vai acontecer. Ela já começou. Quem continua operando com a lógica antiga, focada apenas no cumprimento básico das obrigações, tende a enfrentar mais riscos, mais custos e menos previsibilidade”, afirma.
A Reforma Tributária marca uma mudança estrutural no sistema de tributação brasileiro e inaugura uma nova fase na forma como as empresas lidam com impostos, gestão e tomada de decisão. O novo modelo propõe a substituição gradual de diversos tributos sobre o consumo por um sistema mais unificado, baseado no IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
Hoje, as empresas ainda lidam com tributos conhecidos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, mas já precisam se preparar para conviver, durante o período de transição, com um novo modelo de cobrança. Na prática, isso significa mudanças na forma de calcular impostos, emitir notas fiscais e controlar créditos, com a entrada da CBS, no âmbito federal, e do IBS, que unifica a arrecadação de estados e municípios. Também está previsto o Imposto Seletivo, que deve incidir sobre produtos específicos, impactando diretamente o preço final ao consumidor.
Embora o discurso oficial seja de simplificação, Marcos Adriano alerta que o período de transição exige atenção redobrada. “Durante alguns anos, as empresas vão conviver com dois sistemas ao mesmo tempo. Isso aumenta a complexidade operacional e exige decisões bem fundamentadas”, explica.
Impacto direto no dia a dia das empresas
Na prática, a nova era tributária impacta diretamente a rotina empresarial. A relação com fornecedores, a estrutura de preços e o fluxo de caixa passam a exigir maior controle e integração entre as áreas jurídica, contábil e financeira. Segundo o especialista, 2026 é um ano decisivo. “Os ajustes precisam acontecer agora. Sistemas, processos internos, contratos e precificação não podem ser revisados às pressas”, destaca Marcos Adriano.
Além disso, mecanismos como o split payment podem alterar a dinâmica do caixa, reduzindo o valor que efetivamente ingressa na empresa após cada operação. “Não é só uma mudança de imposto. É uma mudança de mentalidade. A tributação passa a estar diretamente conectada à estratégia do negócio”, ressalta.
Para Marcos Adriano, a Reforma Tributária pode funcionar como um filtro de maturidade empresarial. “As empresas que se anteciparem não apenas reduzem riscos, mas constroem um diferencial competitivo importante. Em um cenário de transição complexa, planejamento vira vantagem estratégica. Quem se prepara antes tende a ganhar espaço enquanto outros ainda estão se adaptando”, afirma.