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Males da ignorância

Por: Luiz Carlos Prates

17/02/2026 - 07:02

Tudo na vida pode ser e pode não ser. Ignorância, por exemplo, pode ser uma danação na vida, mas também pode ser um alívio. Enquanto não soubermos de uma tragédia não sofreremos, essa ignorância é um anestésico. Já a outra ignorância, a ignorância do que temos que saber e não sabemos, ah, essa é um veneno na vida. Ontem, como faço quase desde que nasci, saí para a minha caminhada diária, 55 minutos e fones nos ouvidos. Ouço palestras em inglês para manter o fio da audição em forma. Quase parei a caminhada quando o palestrante disse que vivemos num mundo ensandecido, estressado, depressivo, ansioso, louco, enfim, tudo em razão de vivermos nos “atualizando”, ouvindo e lendo notícias que não nos interessam. Foi o que ele disse, notícias que não nos interessam. E deu como exemplo uma guerra “lá em outro país, distante”, deu como exemplos enchentes, terremotos, tomadas de governos, maus-tratos às mulheres, tudo lá longe, nada temos a ver com isso… Foi o que disse o palestrante. Sim, as notícias nos entopem os sentidos da paz, é verdade, mas a ignorância nos arrasa e alicerça a razão dos nossos sofrimentos futuros. O sapato que está apertado lá do outro lado do mundo pode nos vir apertar aqui em nosso solo. Saber do que acontece pode nos irritar, fazer sofrer, porém… Sem as notícias, vivendo às escuras da ignorância, vamos perder a possibilidade de um Brasil melhor. Um Brasil onde as mulheres sejam respeitadas e a lei seja igual para “todos”, para todos, eu disse, para absolutamente todos. O vizinho ali da esquina passa a semana maltratando a esposa, no sábado ele faz um churrasco e nos convida… Iremos? Só se não tivermos vergonha na cara. O saber, o conhecimento sobre o comportamento do ordinário o deve levar primeiro ao isolamento e na seqüência à cadeia… Estar bem-informado pode nos deprimir num certo momento, mas as informações serão a chave da nossa reação e das mudanças que cabem a nós processar. Aliás, já ia esquecendo, a ignorância é a mamãe de todos os casamentos errados (a estupenda maioria) e por quê? Por pressa dos enamorados, muitas vezes interesseiros… Vale para pais que fingem ignorar filhos de mau-caráter… Uma ignorância artificial diante dos fatos. Se a ignorância fosse “candidata” ela se elegeria facilmente no Brasil, mas ela tem muitos, bah, muitos representantes…

FILHOS

Um camarada, no Centro-Oeste brasileiro, semana passada, matou os dois filhos e se matou. Deixou uma carta dizendo que fez o que fez ao descobrir que a esposa o traía… A partir dessa boçalidade, ouvi, desde então, incontáveis mulheres dizendo que se as mulheres fizessem isso, matassem os filhos e se matassem ao saber de traição do marido, não haveria mais filhos no Brasil… Uma tristeza, mas… A maioria dos maridos sabe disso, ô, se sabe…

VERDADE

Volta e meia, ouço pessoas falando mal das escolas, do modo como funcionam. Pessoas que dizem que os colégios são como fábricas de motores, linhas de montagem, todos os alunos são ensinados, educados por igual. Até certo ponto, concordo, porém, como ensinar a cada aluno de modo individual, adequando o ensino às características pessoais de cada um, como? Não há saída, linha de montagem, sim.

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FALTA DIZER

Manchete nacional: – “Ministério da Saúde tenta ampliar adesão à camisinha”. Uma campanha sobre sexo seguro. Perda de tempo, os homens não gostam de camisinha e forçam as mulheres a se danarem com anticoncepcionais, pílulas. Fique claro, quem deve mandar nessa questão são as mulheres. “Devem”.

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.