Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ficaram “indignados” após o vazamento da reunião secreta nesta quinta-feira (12), na qual foi decidida a saída de Dias Toffoli da relatoria das investigações do caso do Banco Master na Corte.
O conteúdo da reunião foi divulgado por reportagem do portal Poder360, com a íntegra de falas atribuídas aos ministros do STF na reunião.
As informações são do Jornal O Globo.
Segundo o portal, sete ministros (Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques) estavam a favor da permanência de Toffoli à frente da relatoria do caso Master. Cármen Lúcia e Edson Fachin ficaram mais relutantes em manter o ministro na função.
Segundo o jornal O Globo, alguns ministros do STF questionam o conteúdo das conversas divulgadas pelo Poder360, enquanto outros acusam Toffoli de ter gravado a reunião.
Participaram da reunião apenas os dez membros que atualmente compõem o tribunal; eles alegam que o vazamento teria agravado as desavenças e desconfianças internas na corte.
Nesta semana, a Polícia Federal entregou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório pericial sobre o celular de Daniel Vorcaro, controlador do Master, que teria identificado menções ao nome de Dias Toffoli em mensagens encontradas no aparelho. Após esse encaminhamento, um pedido de suspeição contra Toffoli foi aberto na Corte.
Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o relatório seria baseado em “ilações” e que a PF não teria legitimidade no caso.
Segundo o Poder360:
- Gilmar Mendes antecipou que votaria contra suspeição de Toffoli e defendeu uma solução “rápida”, “antes do Carnaval”, para evitar desgaste institucional.
- Alexandre de Moraes criticou a atuação da Polícia Federal. O escritório da mulher do ministro, a advogada Viviane Barci, foi contratado para defender o Master por R$ 129 milhões em três anos.
- Nunes Marques afirmou que não havia fundamento jurídico para afastar Toffoli
- André Mendonça reconheceu que havia uma crise institucional, mas relativizou a participação de magistrados em eventos patrocinados por empresas privadas, afirmando que tal critério poderia atingir qualquer integrante da Corte.
- Zanin questionou o volume e a consistência das informações encaminhadas pela PF
- Flávio Dino defendeu que pedidos de suspeição contra ministros do STF só deveriam ser atendidos em situações extremas, e sugeriu que a crise fosse resolvida administrativamente, por meio de nota conjunta dos ministros.
- Cármen e Fachin fizeram ressalvas, segundo o Poder360; Cármen defendeu a necessidade de pensar na institucionalidade, enquanto Fachin propôs levar o caso ao plenário.