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O Brasil não quebra por falta de imposto. Quebra por excesso de governo

Por: Antídio Aleixo Lunelli

14/02/2026 - 07:02

O brasileiro trabalha muito.
Acorda cedo.
Empreende.
Produz.

E paga imposto como poucos no mundo. Hoje, a carga tributária brasileira gira em torno de 33% do PIB. Estamos no nível de países desenvolvidos — mas entregando serviços de país subdesenvolvidos.

Mesmo assim, o discurso oficial é sempre o mesmo: “precisamos arrecadar mais”.

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Como pode?

A resposta é simples — e incômoda: o problema do Brasil não é arrecadação. É gestão.
Em 2023, o governo federal arrecadou mais de R$ 2,3 trilhões. Ainda assim, fechou o ano com déficit superior a R$ 230 bilhões. A dívida pública já ultrapassa R$ 8 trilhões.
Isso não é falta de dinheiro.
É excesso de despesa.
Enquanto o PIB avança lentamente, a estrutura pública se expande em ritmo acelerado. O Brasil saiu de pouco mais de 20 ministérios para quase 40. Cada ministério significa estrutura, cargos, orçamento, máquina administrativa. Só em cargos comissionados federais são dezenas de milhares de posições — muitas delas ocupadas por indicação política.

Isso custa caro. E não é apenas o salário. É gabinete, assessoria, estrutura, carro oficial, despesas indiretas. Uma engrenagem pesada que gira independentemente do resultado entregue.

Enquanto isso, o pequeno empresário enfrenta burocracia, o trabalhador paga mais imposto sobre consumo e o crédito fica cada vez mais caro.

Quando o governo gasta mais, o cidadão paga mais. Déficit público não é um número abstrato. Ele tem consequência prática.
Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa se financiar. E faz isso emitindo dívida. Quanto maior a dívida, maior o risco. Quanto maior o risco, maiores os juros.

E quem paga essa conta?
A dona de casa que financia um eletrodoméstico.
O jovem que tenta comprar seu primeiro carro.
O empreendedor que precisa de capital de giro.

Juros altos não caem do céu. Eles são consequência direta de desequilíbrio fiscal. Não existe milagre econômico sem responsabilidade.
Nos últimos anos, vimos a ampliação de gastos obrigatórios, expansão de programas sem contrapartida clara e aumento de despesas estruturais permanentes.

Criam-se compromissos fixos sem garantir receita sustentável. É como uma família que assume parcelas eternas acreditando que o salário sempre vai crescer.
Não vai.
E quando a conta chega, não há discurso que resolva.

Além disso, a política tem pesado mais que a técnica. Ministérios para acomodar partidos. Emendas bilionárias negociadas por apoio. Estruturas criadas para manter base. Isso não é estratégia de desenvolvimento. É estratégia de sobrevivência política.

E quando a prioridade é política, a eficiência fica em segundo plano.

Eu venho da iniciativa privada. Lá, a regra é clara:
Gastou errado, quebra.
Administrou mal, perde mercado.
Prometeu e não entregou, perde credibilidade.
Na vida pública, deveria ser igual.
E o problema não é o tamanho do Brasil. É o tamanho do governo.

O brasileiro é produtivo. O agro bate recordes. A indústria resiste. O setor de tecnologia cresce. O empreendedor continua abrindo empresa mesmo diante das dificuldades.

O país tem força. O que falta é o Estado parar de atrapalhar. O Brasil não quebra por falta de imposto. Quebra quando o governo cresce mais do que a economia. Quebra quando a política vale mais que a técnica. Quebra quando a máquina pública pesa mais que o setor produtivo.

Se quisermos um país forte, competitivo e justo, precisamos inverter a lógica.

Menos privilégios.
Menos politicagem.
Mais gestão.
Mais responsabilidade.

Porque quem trabalha já faz a sua parte.

Está na hora de o governo fazer a dele.

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Antídio Aleixo Lunelli

Antídio Aleixo Lunelli é deputado estadual pelo MDB. Fundador do grupo Lunelli, foi prefeito de Jaraguá do Sul.