O Carnaval libera geral, todos podem jogar para fora o que são por dentro, são, mas costumam esconder. Qual a característica do Carnaval? A máscara. Máscaras que não escondem, máscaras que revelam. As crianças não costumam brincar com o que elas não gostam, só brincam por prazer, com o que elas gostam, porém… Ao crescer têm que parar, ao crescer as crianças passam a usar da “personalidade”, palavra de origem latina, “persona”, que significa máscara. Vale dizer, todos vivemos num carnaval social, todos temos uma personalidade, uma máscara de disfarces. Vem daí o sucesso do Carnaval, ele nos libera para “brincar” de ser o que somos. Ninguém se fantasia do que não gosta. Não esquecer que nas Escolas de Samba a fantasia não é escolha das pessoas, é uma espécie de “uniforme”, diferente do carnaval de blocos na rua. No carnaval de blocos na rua vale tudo, as pessoas se fantasiam do que elas querem e gostam, muito mais os homens que as mulheres, muito mais… E é preciso ficar claro que todos temos nossos modos de fazer “carnaval”, isto é, de jogar para fora o que está reprimido dentro de nós no convencional dos dias… De um modo ou de outro, usamos de “fantasias”, os psicoterapeutas sabem bem disso. Se as nossas “brincadeiras”, se as nossas “fantasias” fossem-nos atos de consciência ninguém precisaria de psicoterapeutas… Não estou inventando nada, apenas repasso o que aprendi e tenho aprendido ao logo do convívio com a Psicologia. Somos bichos, queiramos ou não, bichos ditos racionais, mas… Não devemos andar de gravata o dia todo, nem elas com alta moda, precisamos de descontração, de risadas, de brincadeiras, de dançar, de conviver com amigos de modo natural… Fazemos isso? Raramente. Dentro da ordem, do respeito, o Carnaval nos libera, ô, se libera, vem daí a sua popularidade. Todos liberados para usar da “fantasia” que bem entendem, sem precisar da “máscara” da falsa personalidade, o convencional de nossas vidas. Sem as cordas puxadas da vergonha, somos crianças arteiras, se dermos corda a essas crianças o Carnaval será interminável, sem exceções. O vovô circunspecto do passado nunca me enganou… Ele sabia onde fazer “carnaval” longe da vovó…
CASOS
Um caso atrás do outro e… Nada é feito, crimes ficam como coisas naturais. Manchete que vem de São Paulo: – “Professora universitária é assassinada ao terminar aula”. Um aluno a matou. Duas hipóteses foram consideradas: a professora ter terminado um namoro com o aluno ou ele ter sido reprovado por ela. E os hipócritas chamam o bandido de “suspeito”, afinal, ele ainda não foi julgado. O cara é preso na hora, com as mãos sujas de sangue, mas para os hipócritas ele é “suspeito”. Canalhada.
PRECONCEITOS
Preconceitos começam em casa ou entre amigos, lá fora e em todos os cantos. Esta semana ouvi uma “influenciadora” dizendo o que mais ocorre durante os Chás-revelações. A grávida reúne as amigas para dizer do sexo da criança que ela está esperando. Quando a futura mamãe diz que está esperando um “guri”, um machinho, o alarido das amigas é muito maior do que quando a mamãe diz que espera por uma menina. Gentalha é gentalha!
FALTA DIZER
A felicidade já esteve muitas vezes na nossa mão, mas… Foram momentos que passaram sem nos darmos conta, mais das vezes. É a pior das desatenções na vida. Neste momento, muitos ricos, podres de ricos estão na UTI enquanto pobretões estão rindo e tomando um cafezinho frio… Mas felizes. A felicidade é discreta.