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Campeonato Catarinense registra caso de racismo em jogo das quartas de final

Cléo Silva, do Barra, foi vítima de racismo em partida contra o Santa Catarina | Foto: Divulgação/BFC

Por: Lucas Pavin

09/02/2026 - 16:02 - Atualizada em: 09/02/2026 - 16:06

As quartas de final do Campeonato Catarinense ficaram marcadas por um caso de racismo no confronto de volta entre Santa Catarina e Barra no último sábado (7), em Rio do Sul.

Na súmula da partida, o árbitro Gustavo Bauermann relatou que que o atacante Cléo Silva, do Barra, teria sido chamado de “macaco” por um torcedor do Santa Catarina nos acréscimos do segundo tempo.

Com isso, ele acionou o protocolo de anti-racismo da Federação Catarinense de Futebol e a partida ficou paralisada por quatro minutos.

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Além disso, o juiz afirmou que torcedores do time da casa atiraram “diversas garrafas” na equipe de arbitragem e houve tentativa de invasão no vestiário por “pessoas com a camisa do Santa Catarina”.

Em nota divulgada nas redes sociais, o Pescador diz que o suspeito pelo ato racista foi identificado e que Cléo Silva registrou Boletim de Ocorrência.

O Santa Catarina também se manifestou e disse que as decisões da arbitragem “contribuíram para um clima de extrema tensão”, além de alegar que “o atleta Hyan Klynsmann Moreira dos Santos foi vítima de ato racista cometido por um membro da torcida adversária”.

Veja a nota do Barra:

“NOTA DE REPÚDIO ✋🏿🚫

O Barra Futebol Clube vem a público manifestar seu total repúdio aos atos racistas sofridos pelo nosso atleta Cléo Silva durante a partida de ontem (07), válida pelas quartas de final do Campeonato Catarinense, em Rio do Sul.

No decorrer do jogo, um indivíduo presente na arquibancada, posicionado atrás do nosso banco de reservas, proferiu injúrias raciais contra o atleta. O protocolo antirracismo foi prontamente acionado pela arbitragem, o fato foi relatado em súmula e o autor das ofensas devidamente identificado.

Informamos que, após a partida, o atleta Cléo Silva dirigiu-se à delegacia e registrou o Boletim de Ocorrência (B.O.), formalizando a denúncia para que o infrator responda criminalmente pelos seus atos.

Ressaltamos que entendemos este como um ato isolado de um criminoso, que não representa a instituição Santa Catarina Clube, nem a sua torcida em geral. O racismo não cabe no futebol, na sociedade e não será tolerado pelo Barra FC.

O clube segue prestando todo o apoio jurídico e psicológico ao atleta.

A COR DA PELA NÃO DEFINE CARÁTER. O RACISMO, SIM.”

Veja a nota do Santa Catarina:

“NOTA OFICIAL – SANTA CATARINA CLUBE

O Santa Catarina Clube vem a público se manifestar com profunda tristeza, indignação e senso de responsabilidade sobre os acontecimentos ocorridos no jogo das quartas de final do Campeonato Catarinense, realizado em Rio do Sul, no dia 07/02/2026, contra o Barra Futebol Clube.

O que deveria ser uma festa do futebol transformou-se em uma noite marcada por polêmicas de arbitragem, provocações, tensão excessiva e episódios inadmissíveis de discriminação.

Dentro de campo, decisões controversas da arbitragem e do VAR em momentos decisivos contribuíram para um clima de extrema tensão. Fora dele, a situação se agravou. Nossa torcida, que compareceu de forma pacífica para apoiar o clube, foi alvo de provocações reiteradas por atletas e membros da comissão técnica adversária, incluindo o uso irresponsável e desrespeitoso da tragédia das enchentes que atingem a população de Rio do Sul — um tema sensível que exige empatia e solidariedade, jamais deboche.

Ao término da partida, nosso atleta Hyan Klynsmann Moreira dos Santos foi vítima de ato racista cometido por um membro da torcida adversária, fato que nos causa repulsa absoluta. O agressor não pôde ser plenamente identificado, mas o atleta foi acompanhado até a delegacia para registro do boletim de ocorrência.

O Santa Catarina Clube não tolera, não relativiza e jamais se calará diante de qualquer forma de racismo. Isso ultrapassa o futebol e fere valores básicos de humanidade. Da mesma forma, nos solidarizamos com o Barra Futebol Clube pelo episódio de racismo sofrido por seu atleta Cléo Silva, reforçando que atos isolados não representam os princípios da instituição nem de sua torcida.

Manifestamos solidariedade às vítimas e ao povo de Rio do Sul, que enfrenta desafios muito maiores do que qualquer rivalidade esportiva.

Futebol precisa ser paixão, não medo. Disputa, não violência. Inclusão, nunca discriminação.

Santa Catarina Clube

Por um futebol mais justo, humano e seguro.”

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Lucas Pavin

Jornalista esportivo, com a missão de informar tudo o que rola na região, seja na base, amador ou profissional.