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Gerontolescência

Foto: Freepik

Por: Emílio Da Silva Neto

06/02/2026 - 07:02

O mundo envelhece, com a população acima dos 60 anos crescendo em ritmo acelerado e a taxa de natalidade caindo. Esse fenômeno traz desafios evidentes para a previdência, a saúde pública e as políticas sociais. Contudo, há um aspecto menos discutido – e talvez mais sensível – que emerge nesse processo: o descompasso entre idade biológica e maturidade intelectual, emocional e cívica.
Define-se “terceira idade” como a fase da vida que vem após a vida adulta, geralmente associada ao envelhecimento, à aposentadoria e a novas reorganizações sociais, físicas e psicológicas. No Brasil, costuma-se situá-la a partir dos 60 anos, embora a idade cronológica, sozinha, diga pouco sobre vitalidade ou autonomia.

Mas, a vida não para na “terceira idade”. Hoje, muito se fala, também, em “quarta idade” (80+) e, até, “quinta idade” (90+), às quais muitos chegam plenamente ativos e super lúcidos, o que nos leva a concluir que há tantas “idades” quanto “formas” de viver o tempo.
Recentemente, surgiu o termo “gerontolescência” (e um equivalente, “NOLT”, sigla para “New Older Living Trend”, “Nova Tendência de Vida Mais Velha”, em tradução livre), justamente para questionar rótulos rígidos e lembrar que envelhecer não é apenas declínio. Pode ser reinvenção, liberdade e potência tardia, uma espécie de “adolescência tardia”, vivida por pessoas que envelheceram cronologicamente, mas mantêm padrões cognitivos, emocionais e comportamentais típicos da juventude imatura.

Em outras palavras, este conceito, “Gerontolescência”, associa a vivência da maturidade e velhice (“geronto”) a traços tradicionalmente associados à adolescência (“lescência”), como curiosidade, desejo de experimentar, reinvenção de identidade, busca de sentido e autonomia.

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Ressalte-se que estes idosos joviais não “negam a idade” e nem infantilizam o envelhecimento. Ao contrário, reconhecem que, com o aumento da longevidade, eles, passando dos 60 anos, com saúde, energia psíquica e liberdade, podem rever escolhas, iniciar novos projetos, amar de novo, mudar de carreira, estudar, viajar ou engajar-se politica e culturalmente.

De forma geral, os “gerontolescentes” reduzem a submissão a papéis sociais rígidos, revisam crenças herdadas, valorizam o prazer, o tempo e a autenticidade e convivem entre a experiência acumulada e o espírito explorador.

Em síntese, a “gerontolescência” propõe uma ideia potente: envelhecer não é apenas declinar – pode ser também um segundo laboratório de vida, no qual a maturidade dialoga com a ousadia de quem ainda se permite experimentar.

Ou seja, poeticamente, pode-se dizer que a “gerontolescência” é uma fase, onde o espelho insiste em envelhecer, enquanto a cabeça continua fazendo planos que dariam trabalho até aos vinte. É, digamos, um “território curioso”, em que a experiência virou patrimônio, mas o corpo cobra aluguel alto para cada ousadia.

O “gerontolescente” tem plena consciência de que não vai mais salvar o mundo, mas insiste em flertar com a ideia de “bagunçar” algum espaço. Ri de si mesmo com certa elegância: perdeu a pressa, mas não a curiosidade; perdeu o fôlego, mas não o desejo de recomeçar.

Há ironia nisso tudo, claro: depois de décadas tentando ser adulto responsável, ele descobre que amadurecer também é reaprender a brincar, só que agora com consciência do preço.

Sim, porque a “gerontolescência” não é negação da idade, é negociação… rsrsrs… e acordo silencioso entre rugas e sonhos, em que se aceita o limite do corpo sem aposentar a imaginação. No fim, é a adolescência com memória, menos drama e mais lucidez — e talvez por isso, perigosamente livre!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

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Emílio Da Silva Neto

Consultor especializado em profissionalização, governança e sucessão empresarial familiar. Com vasta experiência, Emílio da Silva Neto é PhD/Dr.Ing, Pós-Doc, Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante, Professor e Sócio da 3S Consultoria Empresarial Familiar. Redes sociais: emiliodsneto | www.consultoria3s.com