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Após a escolha do vice, aliados frustrados recalculam rota em SC

Por: Claudio Prisco Paraíso

05/02/2026 - 06:02

Dez dias depois do anúncio da dobradinha Jorginho Mello (PL) e Adriano Silva (Novo) para a disputa ao governo do Estado, o que predomina entre os partidos que ficaram fora da composição é cautela estratégica. Ninguém correu para a oposição automática, mas também não há gestos de alinhamento irrestrito. O momento é de observação, conversa reservada e avaliação de custo-benefício.

A decisão do governador teve efeito dominó. Ao buscar Adriano Silva — movimento que também neutralizou uma possível investida do PSD sobre o prefeito de Joinville — Jorginho redesenhou o tabuleiro e, inevitavelmente, deixou aliados tradicionais sem o espaço prometido. O caso mais emblemático é o do MDB.

MDB: força estrutural, fragilidade majoritária

Mesmo já não ostentando o título de partido com o maior número de prefeituras — posto hoje ocupado pelo PL — o MDB segue sendo a sigla com maior capilaridade territorial em Santa Catarina. Está organizado nos 295 municípios, possui militância ativa e uma rede histórica de lideranças locais que nenhum outro partido conseguiu replicar com a mesma densidade.

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Musculatura histórica

Esse patrimônio político nunca foi ignorado por Jorginho Mello. Ao contrário: durante boa parte do mandato, o governador sinalizou que a vaga de vice estaria reservada aos emedebistas. O acordo, reiterado inclusive de forma pública, acabou atropelado pelo movimento em direção a Adriano Silva.

Opções

O MDB ficou sem o posto que considerava natural — e agora precisa decidir se reage com rompimento, acomodação ou fragmentação interna.

Um gigante que encolheu nas majoritárias

O dilema é agravado por um dado histórico incômodo: o MDB perdeu protagonismo nas disputas majoritárias estaduais. O último governador eleito e reeleito diretamente pela sigla foi Luiz Henrique da Silveira, em 2002 e 2006. Depois disso, o partido participou de vitórias como coadjuvante — com Eduardo Pinho Moreira de vice nas gestões de Raimundo Colombo — mas sem liderar a chapa.

Sem votos

Mesmo quando Moreira assumiu o governo em 2018, foi em mandato-tampão, não por eleição direta. No Senado, as vitórias mais recentes também ficaram para trás. Em outras palavras: a musculatura municipal não tem se convertido em comando de projeto estadual.

Ainda assim, ninguém subestima o MDB. Seu tempo de TV, sua estrutura e sua base de prefeitos e vereadores o tornam peça cobiçada por qualquer candidatura competitiva.

Tendência de divisão interna

Hoje, a leitura predominante nos bastidores é de que o MDB dificilmente caminhará de forma unificada em 2026. Uma ala expressiva, formada por lideranças com participação no governo estadual, tende a manter proximidade com Jorginho Mello. Outra parte olha para alternativas fora do PL.

Nesse campo aparecem dois polos: João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio, que deve se filiar ao PSB e se posicionar no bloco de centro-esquerda.

Isolamento

Se o MDB lançar candidatura própria ao governo, a avaliação corrente é de que o nome corre sério risco de isolamento — o que levaria a um fenômeno clássico da política catarinense: a dispersão informal do partido entre projetos considerados mais viáveis.

Chiodini simboliza o momento do partido

O presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, tornou-se símbolo dessa encruzilhada. Nos últimos dias, foi visto tanto em ambientes ligados a Merisio quanto em conversas com João Rodrigues e outras lideranças de centro-direita.

O movimento não indica indecisão pessoal, mas reflete a tentativa de manter canais abertos enquanto o cenário se consolida. O MDB sabe que, isolado, perde poder de barganha. Unido a um projeto competitivo, volta a ser fiel da balança.

Outros preteridos também observam

Além do MDB, outros partidos que orbitavam a base do governo também adotam postura semelhante: evitam rupturas definitivas e aguardam a evolução do quadro nacional e estadual.

A definição das candidaturas presidenciais e a formação dos palanques terão peso decisivo na escolha dos alinhamentos locais. A eleição catarinense, como já ocorreu em 2018 e 2022, tende a ser fortemente influenciada pelo cenário federal.

Relógio eleitoral

Dois marcos do calendário funcionam como gatilhos para decisões mais firmes: o prazo de desincompatibilização, em 4 de abril, e as convenções partidárias, em agosto. Até lá, o que se verá é intensificação das conversas, gestos calculados e movimentos silenciosos de bastidor.

Feridas abertas

A escolha de Adriano Silva resolveu um problema imediato de Jorginho Mello, mas abriu vários outros no sistema político ao redor. Os aliados que ficaram de fora ainda não bateram o martelo — mas estão, todos, com a calculadora eleitoral na mão.

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