O balanço anual do Programa Resgate de Fauna da Fujama revela muito mais do que números. Os mais de 600 animais silvestres resgatados em Jaraguá do Sul ao longo de 2025 evidenciam a complexa e, ao mesmo tempo, delicada convivência entre a cidade e a Mata Atlântica. O aumento de 2,5% em relação a 2024 não representa um agravamento do cenário, mas sim a manutenção de uma realidade já conhecida: vivemos em um território onde natureza e urbanização se encontram diariamente.
Com cerca de 40% do município coberto por Mata Atlântica, é natural que gambás, serpentes, lagartos e aves apareçam em áreas residenciais, especialmente em períodos mais quentes, como primavera e verão, quando a atividade animal se intensifica. A presença desses animais, muitas vezes vista com receio, não deve ser automaticamente interpretada como ameaça. Na maioria dos casos, trata-se apenas de fauna nativa seguindo seus ciclos naturais.
Nesse contexto, o trabalho da Fujama vai além do resgate. A educação ambiental contínua, especialmente por meio das redes sociais, tem contribuído para reduzir intervenções desnecessárias e para conscientizar a população de que grande parte das espécies é inofensiva. Saber quando acionar o resgate e quando permitir que o animal siga seu caminho é um avanço importante na relação entre o ser humano e o meio ambiente.
O resgate de animais raros reforça ainda mais a importância de um serviço técnico, preparado e responsável. Preservar a fauna é preservar o equilíbrio do ecossistema e, consequentemente, a qualidade de vida da própria cidade. Jaraguá do Sul dá um exemplo claro de que conviver com a natureza exige informação, respeito e compromisso coletivo.