Após dois anos em patamar elevado, o dólar voltou a cair e passou a operar abaixo de R$ 5,20, chamando a atenção de investidores e consumidores. O movimento acontece em um dia decisivo para os mercados, marcado por decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, evento conhecido como “Super Quarta”.
No cenário doméstico, o mercado acompanha atentamente a decisão do Banco Central do Brasil, enquanto no exterior os holofotes estão voltados para o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano. A expectativa majoritária é de manutenção das taxas de juros nos dois países, o que contribui para a volatilidade controlada do câmbio.
Com o dólar no menor nível dos últimos dois anos, cresce a dúvida entre investidores e consumidores: é hora de comprar dólar, seja para reserva de valor, viagens internacionais ou diversificação de investimentos?
Vale a pena comprar dólar agora?
Especialistas destacam que a decisão de compra depende do objetivo de cada pessoa, seja proteção cambial, planejamento de viagem ou investimento de longo prazo. Apesar do cenário atual favorecer o real, o câmbio segue sensível a mudanças nas expectativas sobre juros e crescimento econômico, tanto no Brasil quanto no exterior.
Por isso, analistas recomendam cautela e acompanhamento constante do mercado antes de tomar qualquer decisão.
Cotação do dólar hoje
Até às 12h17, horário de fechamento desta matéria, o dólar à vista era negociado a R$ 5,188, registrando queda de 0,35%. Já o dólar futuro para fevereiro, o mais negociado no mercado brasileiro, operava praticamente estável, com leve alta de 0,02%, cotado a R$ 5,184.
No pregão anterior, a moeda norte-americana fechou a R$ 5,2074, com baixa de 1,38%, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, confirmando uma sequência recente de perdas.
No mercado comercial, as cotações indicavam compra a R$ 5,187 e venda a R$ 5,188, refletindo um ambiente de maior oferta de dólares.
Fluxo estrangeiro fortalece o real
A queda do dólar não acontece de forma isolada. Um dos principais fatores é o enfraquecimento da moeda norte-americana frente a outras divisas globais, tendência observada nos últimos dias.
Além disso, o Brasil voltou a atrair capital estrangeiro, impulsionado pelo interesse em ativos locais. Esse fluxo de entrada de dólares contribui diretamente para a valorização do real frente à moeda americana.
Segundo analistas da Investing, esse movimento explica por que o dólar abriu em baixa mesmo após uma forte queda na sessão anterior.
Expectativas para os juros no Brasil e nos EUA
No Brasil, o consenso do mercado aponta para a manutenção da taxa Selic em 15%. No entanto, a maior atenção está no comunicado do Banco Central, que pode sinalizar quando terão início os cortes de juros.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também deve manter os juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade dessa decisão é de 97%.
Mesmo assim, investidores monitoram de perto qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária americana, especialmente diante de pressões políticas internas por cortes mais acelerados nos juros.