Costumo amanhecer com os pés de fora. E já disseram que quem acorda com os pés de fora vira encrenqueiro, criador de casos. Fazer o quê? Mas acho que hoje acordei bem tapado, tanto que me ocorreu lembrar de uma velha frase que ouvi pela primeira vez no Colégio Santa Maria, em Santa Maria, RS, onde fiz meu curso “primário”. A frase, inesquecível, dizia que “a alegria é a saúde da alma”. A frase foi dita ao meio de uma aula de religião, a aula inicial de todos os dias. A frase me ficou num cantinho da memória. E hoje, adulto, ao lembrar da frase fico a pensar: – Pô, que frase incontestável. E o que é alegria? Já perguntei isso a muitas pessoas e todas me responderam mais ou menos do mesmo modo: – “Ah, alegria é ter alguma coisa boa para comemorar, celebrar”! Passo a pergunta para você, leitora, leitor. O que é alegria? Vou responder por mim, talvez uma resposta um tanto teatral, mas… Não vejo outra saída. Alegria, sim, pode vir de uma boa novidade em nossa vida, mas essa novidade é muito rara, como é então chegar à alegria? A resposta que me acode é dizer que a alegria pode vir da transformação dos nossos limões da vida em limonadas gostosas. Ficarmos o tempo todo a chupar um limão amargo, a espera de que nos chegue uma alegria não é nada inteligente. Se nós somos o que pensamos, como podemos ser felizes pensando como pensamos, pelo menos no mais do tempo? Mudando o modo de pensar, mudamos nossa vida. E os limões vão virar limonadas. É claro que há problemas insuportáveis, danosos, que nos levam às lágrimas do “nunca mais”… Mas essas vivências não são comuns. Mais do tempo estamos numa boa, sem problemas árduos, mas chorando pitangas. Muitas vezes, ou mais das vezes, precisamos perder alguma coisa para nos darmos conta de que éramos felizes e não sabíamos, como cantava Ataulfo Alves. Erro grave. Vivemos encrencas perfeitamente solucionáveis, como, por exemplo, casamento enjoado, emprego frustrante, amigos falsos, vidas vazias, tudo na palma da nossa mão para resolver. Coisas nossas. Ou culpas nossas, por falta de ação e reação. A alegria está aqui, ó, na palma da nossa mão, porém… Não a vemos.
FUTURO
Se houvesse uma Mega Sena sobre o comportamento das pessoas, eu jogaria todo meu dinheiro nela. Por exemplo: na passagem do ano muitos fizeram promessas de mudança, mudança aqui, ali, várias mudanças, tudo para viver um ano melhor. A aposta é esta: já começaram as mudanças? Aposto que 99,99% não, não começaram. E não vão mudar coisa nenhuma. Essas pessoas fingem ignorar que o futuro é feito no agora. O “amanhã” é o Dia dos Sonsos…
REAÇÃO
Agora é o governo da França. Batendo na mesa para proibir o acesso de jovens até aos 15 anos às redes sociais e usar celular na escola. Uma loucura coletiva de jovens com depressão, sedentarismo, suicídios e violências de toda sorte… Alguma novidade? Aqui a mesma coisa, mas… Enquanto não houver o “chicote” educacional dos pais, tirem o time de campo. Sim, já podem tirar…
FALTA DIZER
Pronto, devidamente conhecidos os quatro jovens canalhas que em Florianópolis mataram a pauladas um cão de rua, agora é a vez da “justiça”. E os pais juntos, sem desculpas. Ferro. Tem que haver “justiça”. Eu disse, tem que “haver justiça”. Isso não pode passar em branco, e não vai passar, ah, não vai… Canalhas!