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Cenário político projeta segundo turno acirrado em SC

Foto: Arquivo/TRE/SC

Por: Ewaldo Willerding Neto

27/01/2026 - 10:01 - Atualizada em: 27/01/2026 - 10:32

Os recentes movimentos no tabuleiro político de Santa Catarina indicam que a disputa pelo Governo do Estado em 2026 tende a ser mais competitiva do que parecia à primeira vista. Embora a formação da chapa do governador Jorginho Mello (PL), agora com o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como vice, amplie o favoritismo no primeiro momento, o cenário geral aponta para uma eleição aberta e com forte possibilidade de segundo turno.

Para o empresário Marcelo Noronha, dono da Neokemp Pesquisas, a aliança entre Jorginho e Adriano consolida uma frente genuinamente de direita em um estado cujo eleitorado é majoritariamente alinhado a esse espectro ideológico. “Num primeiro momento, o favoritismo da chapa Jorginho/Adriano fica ainda mais amplo”, avalia. A composição reforça a narrativa de continuidade administrativa e agrega capital político relevante, especialmente em regiões estratégicas como o Norte do estado.

No entanto, Noronha alerta que esse movimento também deixa “pontas soltas” entre os demais partidos, sobretudo com a exclusão do MDB da chapa majoritária. A decisão empurra o partido para um caminho sem muitas alternativas: lançar candidatura própria ao governo.

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Com o MDB anunciando um “projeto próprio” e diante da possibilidade de pulverização de nomes — como João Rodrigues (PSD), Carlos Chiodini (MDB), Gelson Merisio (PSB), Afrânio Boppré (PSOL) e Marcelo Brigadeiro (Missão) — o desenho eleitoral se fragmenta. Na avaliação de Noronha, essa dispersão torna o segundo turno praticamente inevitável. “Analisando os cenários, me parece que não resta outra opção ao MDB. Precisa lançar candidatura majoritária para viabilizar as chapas proporcionais”, afirma.

Mais do que uma estratégia focada em 2026, a decisão do MDB mira a sobrevivência política no médio prazo. Segundo Noronha, o partido precisará calcular seus passos pensando em 2028. “Ou sai com candidatura própria agora, ou corre o risco de chegar às próximas eleições municipais com menos de 30 prefeituras em Santa Catarina”, projeta.

Caso o segundo turno se confirme, o ambiente eleitoral tende a mudar significativamente. Noronha acredita que haverá um equilíbrio maior de forças, com a possibilidade de união de diferentes campos políticos contra o atual governador. “Se houver segundo turno, o jogo fica mais disputado, mais acirrado. Direita e demais alas partidárias entram em equilíbrio, e ambas passam a ter chances reais”, analisa.

Nesse contexto, fatores externos também podem aumentar a temperatura da disputa. As pesquisas internas, segundo Noronha, serão decisivas nos próximos dois meses, especialmente com a abertura da janela partidária, quando muitas definições estratégicas devem ocorrer. Além disso, a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina tende a nacionalizar ainda mais o debate e intensificar a polarização no estado.

Em síntese, embora a largada favoreça a chapa governista, os rearranjos partidários, a fragmentação de candidaturas e a possibilidade de alianças no segundo turno desenham um cenário de eleição aberta. Santa Catarina caminha para uma disputa intensa, marcada por cálculos estratégicos e decisões que podem redefinir o mapa político do estado nos próximos anos.

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.