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Verão exige cuidado: afogamentos recentes acendem sinal de alerta em Jaraguá do Sul e região

Afogamentos recentes mobilizaram equipes de emergência | Foto: Fábio Junkes/OCP News

Por: Gabriel JR

21/01/2026 - 05:01 - Atualizada em: 21/01/2026 - 07:19

O aumento no número de afogamentos e ocorrências envolvendo água tem mobilizado e preocupado as equipes de emergência da região. Em poucos dias, três casos graves foram registrados, resultando em duas mortes em Jaraguá do Sul e um salvamento em Schroeder. As situações reforçam o alerta sobre os riscos presentes em rios, cachoeiras e piscinas.

Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Guaramirim, Maicon Rodrigo Ewald, os registros indicam que os acidentes se repetem ao longo dos anos e ocorrem em diferentes ambientes. Ele destaca que, em 2024, a corporação atendeu a um óbito por afogamento em rio; em 2025, a uma ocorrência fatal em piscina; e, em 2026, a um caso de morte no rio Itapocu.

Embora não seja possível apontar um local com maior concentração de casos, o comandante destaca que as piscinas exigem vigilância constante. “A maior probabilidade de acontecer um afogamento, em qualquer época do ano, é em piscinas, devido à frequência de uso e à falsa sensação de segurança. Qualquer descuido pode ter consequências graves”, alertou.

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Os rios, por sua vez, apresentam riscos ainda mais imprevisíveis, especialmente após períodos de chuva intensa. Conforme explicou Ewald, o leito pode sofrer alterações rápidas, transformando áreas rasas em pontos profundos. Além disso, galhos, troncos, bambus e corredeiras podem surgir repentinamente, aumentando o perigo para banhistas.

As cachoeiras, muito procuradas durante o verão, também exigem atenção redobrada. O comandante chama a atenção para ameaças menos perceptíveis, como o escorregamento em pedras cobertas por limo, a presença de animais peçonhentos e as chamadas cabeças d’água. Esse fenômeno ocorre quando há chuva na parte superior do curso d’água, provocando uma elevação súbita e violenta do nível da água.

Outro risco frequente nesses locais é o choque térmico, causado pela diferença entre a temperatura ambiente e a água, geralmente mais fria. Mesmo pessoas que sabem nadar podem ser afetadas ao entrar de forma brusca.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul, Neilor Vincenzi, explica que a prevenção começa antes do mergulho. “Quando a pessoa sai de um ambiente quente e entra diretamente na água fria, pode ter dificuldade respiratória. Isso ocorre principalmente quando o mergulho é feito sem adaptação prévia”, afirmou.

A orientação, segundo Vincenzi, é entrar gradualmente na água. “Ao se ambientar aos poucos, o corpo se adapta melhor à temperatura, tornando o mergulho mais seguro. Entrar de forma abrupta aumenta o risco de choque térmico e pode levar ao afogamento”, pontuou.

Ele acrescenta que, após chuvas fortes, outros perigos podem estar submersos. “Pedras, galhos e diversos obstáculos podem ser deslocados pelas enxurradas, alterando completamente o local onde as pessoas costumam se banhar”, destacou.

Como medida básica de segurança, o comandante recomenda evitar banhos solitários em rios e cachoeiras. “Mesmo quem sabe nadar deve ter alguém fora da água, fazendo a segurança, além de contar com algum objeto que flutue”, orientou.

Segundo ele, itens simples podem auxiliar em situações de emergência. “Uma garrafa PET, uma boia ou qualquer material flutuante pode ser lançado para ajudar a pessoa a retornar à margem com segurança”, concluiu.

Casos fatais e salvamento recente reforçam cuidados em ambientes aquáticos | Foto: Fábio Junkes/OCP News

Orientações para evitar afogamentos

Entre os cuidados essenciais, Maicon Rodrigo Ewald recomenda evitar o consumo de bebidas alcoólicas e medicamentos que possam comprometer a coordenação motora. “É fundamental conhecer bem o ambiente, como profundidade e presença de obstáculos”, ressaltou.

Ele também orienta entrar na água com cautela, evitar brincadeiras perigosas e, no caso de pessoas que não sabem nadar, redobrar a atenção, permanecendo em áreas rasas ou utilizando equipamentos de flutuação. “Nos rios, a pesca pode parecer segura por ocorrer em embarcações, mas exige cuidados como o uso de colete salva-vidas”, completou.

Relembre os casos recentes na região

No dia 17 de janeiro, o adolescente Luis Gustavo Bononomi, de 17 anos, natural de Brusque, morreu após se afogar enquanto tomava banho em uma cachoeira na localidade do Manso, no bairro Santa Luzia, em Jaraguá do Sul. O jovem foi encontrado a cerca de três metros de profundidade.

Já no dia 15 de janeiro, após cinco dias de buscas, os bombeiros localizaram o corpo do jaraguaense Aguinaldo Mendonça Francisco, de 43 anos, no rio Itapocu, no bairro Bananal do Sul, em Guaramirim.

No domingo, dia 18, uma criança de 2 anos foi socorrida após se afogar em uma piscina, em Schroeder. Ela permaneceu submersa por cerca de dois minutos, voltou a respirar após manobras realizadas pelo pai e, com a chegada dos bombeiros, recebeu ventilação de suporte, apresentando normalização dos sinais vitais. A criança foi encaminhada à UPA de Schroeder.

Aparência tranquila da água nem sempre indica segurança em rios e cachoeiras | Foto: Fábio Junkes/OCP News

Outros casos

Em dezembro do ano passado, o adolescente Daniel Vitor da Cruz, de 16 anos, morreu após se afogar no rio Itapocu, nas proximidades da rua Bertoldo Enke, no bairro Água Verde. O jovem, que completaria 17 anos neste mês, foi localizado após cerca de 1h30 de buscas realizadas pelos Bombeiros Voluntários.

Segundo relato de um amigo, ambos atravessavam o rio a nado quando Daniel informou que iria mergulhar. Após o mergulho, ele não retornou à superfície, o que levou ao acionamento das equipes de resgate.

Em 2 de janeiro deste ano, o jovem Lucas Pommerening, de 27 anos, se afogou no rio Itapocu, próximo à represa, em Guaramirim. Ele estava com um grupo de pessoas tomando banho no local quando submergiu e não voltou à superfície. O corpo foi localizado pelo Corpo de Bombeiros no dia seguinte.

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Gabriel JR

Repórter e radialista com 15 anos de experiência na área de comunicação