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Dedicação recompensada: conheça a história do jaraguaense que chegou ao basquete universitário do Canadá

Paulo Vitor Bona Negri é auxiliar técnico da equipe principal feminina de basquete da York University | Foto: Arquivo pessoal

Por: Lucas Pavin

15/01/2026 - 12:01 - Atualizada em: 15/01/2026 - 12:03

O caminho que começou nas quadras escolares de Jaraguá do Sul, hoje se estende até uma das ligas universitárias mais competitivas do planeta. Aos 38 anos, Paulo Vitor Bona Negri é assistente técnico da equipe principal feminina de basquete da York University, no Canadá, instituição que disputa a U Sports, a principal liga universitária do país.

Destaque nas categorias de base do basquete jaraguaense e catarinense, Paulo atualmente constrói uma carreira internacional e participa da competição que reúne 58 universidades, divididas em quatro conferências (OUA, RSEQ, Canada West e AUS). A York compete na OUA – Ontario University Athletics, considerada uma das conferências mais fortes do país.

A nova fase da carreira ganhou força com o apoio direto da técnica principal da equipe, Christa Enoujouken, nome respeitado no basquete universitário canadense. Segundo Paulo, a confiança e a liderança da head coach foram decisivas para sua inserção no alto rendimento do país.

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“A orientação da Christa tem sido decisiva para que eu pudesse aproveitar plenamente essa oportunidade extraordinária. É graças ao seu apoio, confiança e liderança que esta etapa se tornou possível, abrindo portas e ampliando minha dedicação, minha evolução e minha entrega nesse novo desafio”, destaca.

Paulo junto com a equipe canadense no ano passado | Foto: Arquivo pessoal

O desejo de trabalhar com basquete fora do Brasil acompanha o jaraguaense desde cedo, mas ganhou contornos reais entre 2011 e 2014, quando viveu nos Estados Unidos para cursar o mestrado em Sport Management (Gestão Esportiva) na Indiana University, em Bloomington.

Durante esse período, atuou diretamente com a equipe principal da universidade — um dos programas mais tradicionais do basquete universitário norte-americano — e também participou de atividades junto ao Indiana Pacers, da NBA, colaborando em camps de desenvolvimento para jovens atletas.

“Essa combinação de experiências ampliou minha visão profissional e abriu portas valiosas tanto no universo da NCAA quanto, de forma indireta, no ambiente da NBA, consolidando minha vontade de construir uma carreira internacional no basquete”, relembra.

Paulo (D) nos tempos de Indiana Pacers | Foto: Arquivo pessoal

Rotina intensa e alto nível competitivo

A rotina do basquete universitário no Canadá segue o mesmo padrão de excelência observado nos Estados Unidos. Treinos diários, por vezes com duas ou três sessões, combinam atividades coletivas, individuais e em pequenos grupos, além de trabalho físico, análise de vídeos e estudo detalhado dos adversários.

As atletas enfrentam, diariamente, algumas das melhores jogadoras do mundo, incluindo talentos estrangeiros que escolhem a América do Norte para desenvolver suas carreiras. Mesmo na offseason, quando o ritmo diminui, o trabalho não para. Nutrição e psicologia esportiva também fazem parte da preparação integral das jogadoras.

“A estrutura é de primeira linha e as condições de treino são excelentes, com nível altíssimo. As atletas competem diariamente contra algumas das melhores jogadoras do mundo, incluindo muitas estrangeiras que vêm à América do Norte para desenvolver seus jogos e perseguir seus sonhos”, ressalta.

U Sports x NCAA

Embora independentes, U Sports e NCAA são frequentemente comparadas. A NCAA é maior em número de universidades e divisões, mas o basquete canadense vive um crescimento acelerado.

O próprio país colhe frutos desse avanço: atletas canadenses brilham em ligas profissionais ao redor do mundo, e o atual MVP da NBA, Shai Gilgeous-Alexander, é canadense. Nesse cenário, a U Sports desempenha papel fundamental ao oferecer estrutura de alto nível, desenvolvimento técnico e crescente visibilidade para atletas que buscam o profissionalismo.

Sonhos e base familiar

Apesar da posição consolidada, Paulo mantém os pés no chão. “Ainda tenho muito a aprender e evoluir”, afirma. Entre os sonhos, não esconde o desejo de atuar em seleções nacionais, na NBA ou WNBA, e até mesmo participar de uma Olimpíada ligada ao basquete.

Outro objetivo que carrega com carinho é retribuir tudo o que conquistou, por meio de projetos sociais voltados a crianças, usando o esporte como ferramenta de transformação.

Mas por trás de cada conquista ou sonho na carreira, ele não deixa de exaltar a base familiar. Paulo faz questão de destacar o apoio dos pais, Luiz Antonio Negri e Márcia Margarida Bona Negri, do irmão Marcus Vinicius, da esposa Fernanda Pompeu Oaigen Negri e das filhas Luana e Mariah.

“Eles dão sentido a cada conquista. São meu alicerce diário. Com essa estrutura familiar, sinto-me cada vez mais confiante de que coisas extraordinárias estão por vir”, resume.

Raízes em Jaraguá do Sul

A história de Paulo no basquete começou no Colégio Divina Providência, sob orientação do professor Milton Cesar Mateus. Da escola à AJAB, equipe que representa Jaraguá do Sul, foi um caminho natural.

Ao longo da formação, o ex-atleta teve o acompanhamento de nomes fundamentais como Airton Luiz Schiochet (Ito), técnico desde a iniciação até as categorias maiores, com quem foi campeão da primeira Olesc de 2001, em Criciúma, além de inúmeros títulos na base.

“Além de formar muitos atletas com passagens pela seleção brasileira de base, a AJAB também tem formado muitos técnicos. O Paulo Vitor está sendo uma referência em um nível internacional. Ele é muito dedicado, estudioso e não duvido que logo estará na NBA ou WNBA”, disse Ito.

Paulo esteve em Jaraguá do Sul no fim do ano passado e se encontrou com o ex-técnico Ito | Foto: Arquivo pessoal

Também recebe reconhecimento o trabalho de Nicolas Andreas Foscolos, presidente da AJAB, além de técnicos, dirigentes e professores que ajudaram a fortalecer o basquete local. “Meus sinceros agradecimentos a todos os profissionais do esporte da cidade, que trabalham diariamente para fortalecer e desenvolver as modalidades locais”, declara.

Formação acadêmica e profissional

A trajetória esportiva conduziu Paulo à Educação Física, cursada na UDESC – CEFID, onde participou de projetos de pesquisa e extensão. Entre os nomes decisivos estão o professor Paulo Henrique Xavier de Souza (Paulão) e o Prof. Dr. Ruy Jornada Krebs, responsável por abrir portas acadêmicas e conexões internacionais.

Nos Estados Unidos, Paulo ainda contou com o apoio dos professores Dr. David Gallahue e Dr. Mike Willet, da Indiana University, além de técnicos e profissionais do basquete catarinense e de Florianópolis que marcaram sua formação.

“Sou grato a todos os excelentes professores da minha formação que contribuíram de maneira significativa para meu desenvolvimento acadêmico e esportivo”, finaliza.

Paulo (camisa 10) em um dos campeonatos pela AJAB | Foto: Arquivo pessoal

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Lucas Pavin

Jornalista esportivo, com a missão de informar tudo o que rola na região, seja na base, amador ou profissional.