Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

CAPS IJ capacita casas-lares de Joinville para fortalecer apoio à saúde mental de crianças e adolescentes

Foto: Divulgação/Prefeitura de Guaramirim

Por: Elisângela Pezzutti

12/01/2026 - 13:01 - Atualizada em: 12/01/2026 - 13:58

O trabalho de cuidadores e profissionais de instituições como casas-lares pode impor momentos desafiadores nas suas rotinas, principalmente em como agir em casos de crise emocional de crianças e adolescentes.

Com o intuito de auxiliar estes profissionais no cuidado com a saúde mental, profissionais do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS IJ) de Joinville, que atendem crianças e adolescentes destas instituições, promoveram um ciclo de capacitação das equipes de cases-lares sobre o cuidado nestes tipos de situação.

Os encontros foram realizados com equipes da Casa Lar Emanuel, Associação Ecos de Esperança, Fundação 12 de Outubro e Lar Abdon Batista, e devem ter continuidade em 2026, trabalhando também outros temas pertinentes à rotina destes espaços de acolhimento. As capacitações também serão ampliadas para famílias inscritas no Serviço Famílias Acolhedoras.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

“Em 2025, programamos capacitações com as quatro casas-lares de Joinville, mas vimos a necessidade de ampliar também para o público das famílias acolhedoras, pois as dificuldades que acontecem dentro das casas-lares também podem ocorrer nestas famílias”, pontua Ana Caroline Giacomini, gerente de Saúde Mental da Secretaria da Saúde.

Identificar mudanças de comportamento é fundamental

A médica psiquiatra do CAPS IJ, Darlla Souza, que conduz as capacitações, explica que a relação entre um cuidador e a criança em instituições como casas-lares é essencial para a segurança desta criança ou adolescente e o seu comportamento futuro.

“O nosso papel é identificar as mudanças de comportamentos, pois isso reflete muito em como essa criança vai se relacionar consigo mesma e com o mundo a sua volta, como vai respeitar os outros, se respeitar e expressar as suas emoções”, enfatiza.

Segundo a médica, crianças e adolescentes que passam por casas-lares costumam ter um padrão de comportamento diferente, por isso, é importante que os profissionais estejam mais conscientes da realidade de cada criança para lidar de uma maneira amistosa e respeitosa.

“Elas recebem amor e cuidados nas casas-lares, mas quando são frustradas e irritadas, o instinto de sobrevivência delas é diferente de uma criança que não passou por essa experiência”, reforça a psiquiatra.

Daiana Delamar Agostinho, que atua na coordenação do Lar Abdon Batista e também é presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente participou da agenda de capacitações. O Lar Abdon Batista é uma instituição de 114 anos e atua como moradia provisória para crianças e adolescentes que são vítimas de violência, negligência ou estão em risco social.

“Para nós, é muito importante essa parceria de todos os serviços da rede que nos acompanham, tanto o CAPS IJ, as unidades básicas de saúde e as escolas, pois eles são essenciais para o serviço de inclusão. Para nós, é fundamental que a gente consiga conversar, entender o que é, como funciona e como fazer o correto estímulo para essa criança e adolescente”, avalia Daiana.

De acordo com a psicóloga Rubia Harmel, que atua no CAPS IJ e também está à frente dos ciclos de capacitação, é possível identificar sinais em casos de crise emocional e adotar estratégias para apoiar os cuidados nestes momentos. Agitação ou silêncio repentino, aumento no tom de voz, mudança de expressão facial e comportamentos agressivos podem indicar uma crise.

“Nestes casos, é preciso manter a calma, ter empatia, reduzir estímulos e falar de forma tranquila, pois a tranquilidade é o ponto de apoio da criança. Leve-a para um local mais calmo e, se possível, dê espaço, mas permaneça por perto. Use frases curtas e claras, já que, nos momentos de crise, crianças não conseguem processar discursos longos. Para os adolescentes, pode não ser funcional e piorar a crise. Em casos extremos, procure ajuda profissional e redes de suporte”, orienta a psicóloga.

O CAPS IJ atende as crianças e adolescentes de 0 a 18 anos incompletos que apresentam transtornos mentais graves e/ou persistentes ou uso abusivo de substâncias psicoativas (álcool e outras drogas) e que necessitam de um cuidado intensivo. Alguns destes usuários estão em instituições de acolhimento, como as casas-lares, e também em famílias acolhedoras.

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.