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O homem-bomba – Claudio Prisco Paraíso

Por: Claudio Prisco Paraíso

29/08/2025 - 06:08

Carlos Bolsonaro, o Carluxo, é pura nitroglicerina. Já conhecido de longa data, foi ele quem estruturou as redes sociais do pai em 2018, quando Jair Bolsonaro surpreendeu o sistema e ganhou a Presidência da República. Um verdadeiro cochilo do regime. O filho 02 completa 20 anos como vereador no Rio de Janeiro. É muito celebrado por setores radicais da direita, mas na capital fluminense coleciona brigas homéricas e polêmicas de grande repercussão. No último fim de semana, esteve em São José (SC), cidade que frequenta há bastante tempo e para onde deve transferir seu domicílio eleitoral. Logo depois voltou ao Rio e, na terça-feira, publicou em suas redes sociais: “Impasse? Vocês estão brincando demais com a alma do meu pai e é covardia que vocês estão fazendo com ele! Não há impasse algum! Se continuarem, colocarei tudo na mesa, não adianta me intimidar”.

Resposta

A mensagem foi uma reação a uma matéria da coluna do Estadão, que dizia que o PL buscava novas opções para a candidatura de Carluxo ao Senado, citando até a possibilidade de disputar por Roraima. O comentário soou como um recado — ou ameaça. E quem se manifestou em seguida foi o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que disse: “Nosso candidato a presidente da República é Jair Bolsonaro, ou quem ele, e só ele, escolher. E quanto ao Carlos Bolsonaro, seguimos firmes em sua candidatura ao Senado por Santa Catarina ou qualquer estado que ele desejar”.

Umbigo

Na fala de Carluxo, a impressão é de que falava apenas de si e de sua participação eleitoral. Mas Valdemar, por cautela, também tratou da questão presidencial. Não por acaso: é voz corrente que Tarcísio de Freitas trocará o Republicanos pelo PL para disputar a Presidência, com o aval direto de Jair Bolsonaro.

Santa Catarina

Mas a questão regional permanece: a quem Carluxo quis se referir com sua postagem? Ao governador Jorginho Mello? Este já teria sinalizado a Bolsonaro que aceita a candidatura do 02 em SC. O problema é que tanto Carluxo quanto o irmão Eduardo — hoje nos EUA — vêm disparando contra Tarcísio, o presidenciável do PL. E isso é tudo que Jorginho não deseja: marolas. Seu projeto de reeleição está bem pavimentado, e o último cenário que gostaria de enfrentar é ter um aliado de chapa atirando contra o candidato à Presidência do seu próprio partido.

Tiro no pé

Permitir que um integrante da majoritária questione Tarcísio seria entregar de bandeja munição ao PT, à esquerda e ao PSD, sócios do atual governo Lula. Além disso, há forte resistência dos meios empresariais catarinenses. A Fiesc, em nota oficial divulgada em junho, afirmou que o estado tem lideranças legítimas, criticando diretamente a ideia de importar um nome de fora.

Menos

Carlos Bolsonaro não pode imaginar que virá a Santa Catarina como “dono do pedaço”. Pode até ter o respaldo do PL, mas enfrentará rejeição. Vale lembrar: em 2022, Bolsonaro emplacou Jorge Seif, então desconhecido, ao Senado. Mas naquela época Jair estava no poder e disputava a reeleição. Em 2026, estará inelegível e fora do jogo institucional.

Perfil

Por isso, é preciso cautela. O problema não é apenas o estilo explosivo de Carluxo. É também o fato de que, ao entrar na chapa, Jorginho Mello perde espaço para equilibrar os partidos aliados. Em resumo: Carluxo pode ser um homem-bomba não só para a direita nacional, mas também para a própria costura política de Santa Catarina.

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