De um pequeno galpão em Jaraguá do Sul para o topo do mundo. Assim pode ser resumida a trajetória da WEG, que se consolida em 2025 como a maior fabricante global de motores elétricos, conquista que resulta da combinação entre excelência industrial, inovação tecnológica e visão estratégica.

Eletromotores Jaraguá, empresa fundada em 1961, que mais tarde se tornaria a WEG | Foto: divulgação
O trajeto percorrido até a liderança foi pavimentado com ousadia e espírito empreendedor. Tudo começou em 16 de setembro de 1961, quando três homens – o eletricista Werner Ricardo Voigt, o administrador Eggon João da Silva e o mecânico Geraldo Werninghaus – uniram sonhos e competências para fundar a então Eletromotores Jaraguá, que mais tarde passaria a se chamar WEG, a partir das iniciais de seus fundadores. Curiosamente, um dos significados da palavra “Weg” em alemão é “caminho”, e talvez nem mesmo Werner, Eggon e Geraldo tenham imaginado que este caminho os levaria tão longe.
Com um capital inicial modesto, o trio acreditou que era possível fabricar motores elétricos nacionais com qualidade e desempenho competitivos. Hoje, mais de seis décadas depois, com um portfólio que reúne mais de 1.500 linhas de produtos, fábricas em 18 países e 42 filiais ao redor do mundo, somando cerca de 48 mil colaboradores, essa crença se transformou em realidade global.

Da esq. para a direita: Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus em registro fotográfico feito nos anos 1990 | Foto: divulgação
Excelência e a inovação
A WEG iniciou sua produção focada em motores elétricos, mas o compromisso com a excelência e a inovação rapidamente colocou a empresa em destaque no mercado brasileiro. Já nos anos 1970, começou a exportar para países da América Latina e, na década seguinte, ampliou sua linha de produtos para incluir componentes eletroeletrônicos, transformadores, automação industrial e tintas.
O crescimento foi sustentado por uma forte cultura de qualidade – com a adoção precoce de normas internacionais – e por uma estratégia de formação de talentos. O CentroWEG, criado em 1968, exemplifica esse investimento em capital humano ao preparar gerações de jovens para o mercado tecnológico.

Já nos anos 1970, a WEG começou a exportar para países da América Latina e, na década seguinte, ampliou sua linha de produtos para incluir componentes eletroeletrônicos, transformadores, automação industrial e tintas | Foto: divulgação
Nas últimas décadas, a WEG não apenas expandiu sua atuação globalmente, como conquistou a liderança mundial na fabricação de motores elétricos, fornecendo soluções para diversos setores, incluindo indústria, infraestrutura, energia, mobilidade e agronegócio, entre outros.
Mais recentemente, a empresa incorporou tecnologias de indústria 4.0, inteligência artificial e automação avançada aos seus produtos, com investimentos estratégicos que reforçam essa virada digital.

O crescimento da empresa foi sustentado por uma forte cultura de qualidade, com a adoção precoce de normas internacionais, e por uma estratégia de formação de talentos | Foto: divulgação
Compromisso com o futuro
Além da liderança em motores, a WEG também se destaca por seu protagonismo em sustentabilidade. Em 2022, lançou seu Programa de Carbono Neutro, com metas ambiciosas: reduzir 52% das emissões até 2030 e alcançar neutralidade total até 2050. A companhia também participa ativamente da transição energética global, com soluções em energia eólica, solar e geração distribuída.
A liderança mundial em motores elétricos não é apenas um marco para a WEG, mas um símbolo de que a indústria brasileira pode competir — e vencer — no cenário internacional.

A WEG fornece soluções para diversos setores, incluindo indústria, infraestrutura, energia, mobilidade e agronegócio, entre outros | Foto: divulgação
Entrevista
Acompanhe entrevista exclusiva com o diretor-superintendente de Motores Industriais, Rodrigo Fumo Fernandes, sobre a mais nova conquista da WEG. Na empresa desde 2002, o engenheiro já atuou na China, Áustria e Estados Unidos.

Diretor-superintendente de Motores Industriais, Rodrigo Fumo Fernandes | Foto: Fábio Junkes
A WEG se tornou líder mundial na fabricação de motores elétricos. O que isso significa para a empresa?
Na verdade, é um grande desafio, porque a WEG começou suas atividades com a fabricação de motores elétricos. Então, a ambição foi, primeiro, se tornar líder na região. Depois de alguns anos, se tornar líder nacionalmente. E aí, lógico, o grande sonho era como poderíamos chegar numa liderança mundial. Então, é uma caminhada de muitos anos de estratégias de expansão comercial e de internacionalização, com os nossos escritórios comercias, depois com as fábricas no exterior, até o momento em que a gente se torna realmente globalizado, com fábricas no exterior e mais perto dos mercados. É realmente uma grande conquista e representa muito na estratégia adotada pela empresa no decorrer dos anos.
Qual era a colocação da WEG antes?
Em 2021 e começo de 2022, quando tivemos acesso aos relatórios de estudo de mercado, a gente viu que tinha alcançado a segunda posição no ranking mundial. Com isso, nós traçamos um plano interno um pouco mais de longo prazo, de nos tornarmos número 1 em 2030, mas isso chegou bem antes, o que para nós é motivo de muito orgulho. Agora precisamos estar atentos para seguir mantendo esta posição.
Quais foram os fatores que contribuíram para esta conquista?
Ao longo desta caminhada tem muito da cultura da empresa e eu vou voltar no que diziam os fundadores Werner, Eggon e Geraldo. O Sr. Werner afirmava que ‘é sempre possível fazer melhor’. Ele tinha a mentalidade da melhoria contínua, de não desistir, de ver como é possível fazer melhor, com menos custo, mais tecnologia, etc. O Sr. Eggon dizia sempre que ‘pessoas motivadas por uma ideia são a base do êxito’, ou seja, ter um time engajado com um objetivo em comum, com um direcionamento claro de onde se quer chegar, e o Sr. Geraldo tinha o lema de ‘não desistir jamais’. A WEG completa 64 anos de fundação neste ano e essas palavras dos fundadores continuam representando muito dentro do pilar da empresa, como um combustível que nos move no dia a dia, para trabalhar com simplicidade, sem arrogância perante o mercado, percebendo o que está acontecendo ao nosso redor, as boas práticas, as boas soluções, estudando os nossos concorrentes para saber quais são os seus pontos fortes, para a gente se tornar cada vez melhor, e os pontos fracos, para que com isso a gente possa também ganhar mercado. Então, trabalhamos com simplicidade, mas com ousadia para ter um crescimento contínuo e sustentável, com uma visão de longo prazo, desenvolvendo sistematicamente novas tecnologias a um custo competitivo, entendendo as necessidades dos clientes.
Como a WEG conseguiu se diferenciar da concorrência neste setor altamente competitivo?
Eu acho que a gente se diferenciou da concorrência porque, em primeiro lugar, acreditamos que poderíamos continuar crescendo. A empresa nasceu numa cidade pequena, no interior de Santa Catarina, em uma área praticamente rural, mas isso nunca foi visto como algo limitante para a sua evolução. O segundo aspecto é que, ao longo do tempo, a gente foi posicionando estruturas fora do Brasil. A ideia não era simplesmente para ganhar em custo, produzindo na China, por exemplo, porque lá é mais barato e de lá a gente vai exportar para o resto do mundo e ganhar dinheiro. Estar na China, no México, em Portugal e em outras plantas ao redor do mundo é importante para entendermos também como é aquele mercado em que a gente está inserido. No começo, 80% do nosso negócio na China era exportação. Hoje, 80% é venda no mercado doméstico. Ou seja: nós entendemos melhor a dinâmica e as necessidades daquele mercado. Um dos pontos é adaptar o produto para o mercado onde ele está inserido. Outro diferencial em relação aos nossos concorrentes é que boa parte deles mirou mais em terceirizar serviços, enquanto a WEG tem uma estrutura extremamente verticalizada, com todos os processos sendo feitos dentro de casa. Talvez esteja aí uma das principais fortalezas da empresa em relação aos concorrentes.
Quais foram os maiores desafios enfrentados pela empresa neste processo de ascenção?
Eu acho que, primeiro, foi fechar alguns gaps de tecnologia. Quando a empresa não tinha competência interna para fazer, logo no final dos anos 1960, os senhores Werner, Eggon e Geraldo foram para a Alemanha para comprar tecnologia de motores, ou seja, buscar alguém que pudesse ensinar. A partir do momento que se aprendeu a fazer aquilo ali, tinha que criar a percepção da marca. No início ninguém sabia quem e o que era a WEG. Então, o que a gente podia fazer com relação aos nossos concorrentes? Um produto mais competitivo em termos de preço, um produto com alta qualidade e, logicamente, com robustez. Então, o que foi feito ao longo de todo este caminho foi observar de que maneira a gente continuaria, de maneira sistemática, buscando inovação. Isso é algo muito ativo dentro da empresa. Desde o chão de fábrica até o alto nível de PID nós temos pessoas pensando em como fazer melhor, fechando gaps de tecnologia, estando mais próximo dos clientes.
Depois, as principais dificuldades na expansão de mercado foram convencer alguns clientes a apostarem na WEG. Em alguns momentos a gente praticamente empatou dinheiro, não ganhávamos com exportações, mas a marca estava se tornando conhecida e ganhando a confiança do mercado. Hoje a condição da empresa é bem diferente daquela do começo e o que vai nos levar para o futuro é, principalmente, não perdermos a simplicidade e a humildade. Não acharmos que por termos alcançado a liderança mundial estamos garantidos para sempre. Nosso desafio daqui para frente será brigar para a ampliação da nossa fatia no mercado. Hoje nós temos 16%, de acordo com o último relatório, e temos a ambição, que de novo é um desafio interno, de continuar crescendo até 2035.
Na sua opinião, quais são as iniciativas mais importantes da empresa em termos de sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico?
Bom, nós lançamos em 2021, por exemplo, o nosso programa WEG Carbono Neutro. Então, estamos falando agora diretamente de sustentabilidade. Nós, efetivamente, queremos ser protagonistas na transição energética, que é, literalmente, ter um mundo mais eficiente e sustentável no futuro. A WEG hoje, no Brasil, é sustentável em energia, ou seja, 100% da energia que a empresa consome hoje no Brasil é de fonte sustentável – solar, eólica ou hidrelétrica. Nós não usamos mais nenhuma outra fonte que não seja renovável. Com base nisso, nós também temos migrado sistematicamente os nossos veículos de transporte interno de motores a combustão para motores elétricos. Mais recentemente, passamos a utilizar o BESS (Battery Energy Storage System), que é o armazenamento de energia num sistema de baterias para uso nos horários de pico, em vez de usar uma usina termoelétrica. E lançamos no ano passado uma linha completa de motores industriais que são os mais eficientes do mundo, na frente de todos os concorrentes. Pela primeira vez a gente realmente passou na frente de todos os concorrentes com uso de tecnologia.
Como a WEG vê o papel da tecnologia e da inteligência artificial no futuro dos motores elétricos e outros produtos que a empresa tem?
Esse é um tema sobre o qual se está falando bastante. Dentro da empresa nós temos, desde 2021, um programa de desenvolvimento de profissionais para a inteligência artificial. Nós já treinamos praticamente 300 pessoas e temos usado a inteligência artificial tanto para fins internos da empresa, para a gente ganhar competitividade, quanto também para levar informação ao mercado. Vou te dar alguns exemplos: internamente, nós temos usado a inteligência artificial para processar algumas informações e chegar mais rápido a conclusões. Então, ao passo que um profissional levaria uma semana para calcular uma otimização de produto, usando o sistema de inteligência artificial, a gente tem essa resposta em poucos segundos, reduzindo o custo no final do dia.
Também usamos a IA para o desenvolvimento de processos de manufatura, coletando informações das nossas fábricas sobre como tornar os equipamentos mais ágeis, como produzir mais, identificando onde estão os gargalos. Isso olhando para dentro de casa. Olhando para fora de casa, tem um exemplo clássico que é a produção dos band-aids: para ver se aquele algodão está bem posicionado no band-aid ou não, uma pessoa conseguiria olhar talvez uns 5 ou 10 por segundo. Já num sistema de visão por IA, a correção é automática. Ele vai lendo, retroalimenta o sistema e faz o ajuste. Os sensores captam informação, mas precisa ter uma inteligência tomando as decisões. Então, a gente usa um sistema de inteligência artificial que, com base nas informações que estão sendo capturadas, aponta quais são as potenciais causas dos problemas. E aí, dá uma informação muito mais precisa para quem faz a manutenção, quem gerencia a planta. É uma revolução que otimiza bastante tempo. As pessoas estão preocupadas em perder emprego para a inteligência artificial, mas quem pode eventualmente perder o emprego são aqueles que não usam a IA. Ela veio para nos ajudar, não para nos substituir. Esse é o primeiro paradigma que tem que ser quebrado.

Rodrigo destaca que os investimentos da empresa hoje estão totalmente direcionados à transição energética, reduzindo a pegada de carbono e com foco na energia renovável | Foto: Fábio Junkes
Quais são os investimentos mais promissores que a empresa está fazendo para manter a liderança no mercado global?
Ano passado, nós investimos R$ 1 bilhão em Pesquisa e Desenvolvimento com foco na transição energética, ou seja, em tudo aquilo que a gente pode contribuir para a eletrificação do mundo. Isso inclui os novos sistemas – sistemas de bateria, sistemas digitais, motores elétricos de mais alta eficiência, o aerogerador de 7 megawatts, que é um produto que a gente lançou no ano passado e está em fase de validação, toda a parte de automação, sistema de visão. A WEG automação agora também está voltada à automação residencial. Temos olhado o mundo de maneira bem ampla para ver como podemos capturar essas oportunidades de transição energética para dentro da empresa. Outro exemplo é a própria mobilidade elétrica, os sistemas de eletrificação para motores de ônibus e caminhões, que é onde a gente está presente, além dos inversores de frequência e as baterias. Nossos investimentos hoje estão totalmente direcionados à transição energética, reduzindo a pegada de carbono e com foco na energia renovável.
Como a cultura da WEG contribui para o sucesso da empresa? Existe algum modelo específico de gestão que favorece o crescimento e a inovação?
Se a gente entrar numa fábrica da WEG na China hoje, vai parecer que estamos andando numa fábrica em Jaraguá do Sul, porque você olha fisicamente, a fábrica é igual, a mentalidade das pessoas, o jeito de fazer. Para isso, a gente promove, ao longo de toda essa expansão, muito intercâmbio entre as pessoas, tanto da matriz para as unidades do exterior, quanto vice-versa. Com isso, a gente vai construindo em conjunto a cultura do que é a WEG. E a gente tem uma cultura de ser muito diligente com o dinheiro, com os investimentos. A gente faz os investimentos sempre pensando em maximizar também o retorno para o acionista, mas também para nos tornarmos competitivos ao mercado, sendo muito cuidadosos na hora de fazer as movimentações.
A cultura da simplicidade não pode estar só no discurso, precisa estar no dia a dia, assim como a cooperação. Temos a participação de resultados, por exemplo. Então, a gente sempre premia o coletivo e não o individualismo. Com o passar do tempo, essa proposta da coletividade evoluiu do Círculo de Controle da Qualidade até chegar no modelo WEG Management System, o sistema de gestão da WEG, que está implantado em praticamente todas as operações da empresa no mundo. Tem os indicadores padronizados, as ações padronizadas, a forma de mensurar como é que está a performance, permitindo comparar uns com os outros. Aí, muitas vezes, antes de contratar uma consultoria externa, a gente simplesmente vê quem é que está fazendo o melhor ao redor do planeta e adapta isso para a realidade local. A gente aprendeu ao longo do caminho que precisamos ter a cultura empresarial forte, mas respeitando a cultura local. A partir do momento que a gente consegue fazer a mescla disso, o resultado é exponencial, é muito melhor.
Como a WEG se prepara para possíveis disrupções no setor?
Este é um ponto ao qual temos despendido maior atenção. Nós observamos as tendências tecnológicas, prestamos atenção nas pesquisas que estão sendo feitas por universidades ao redor do planeta, para saber se o que esse pessoal está pesquisando pode, em algum momento, se tornar um produto ou uma solução de um mercado. Para isso, a gente desenvolveu um sistema com inteligência artificial que monitora quais são os principais temas que as universidades de ponta ao redor do mundo estão fazendo. Também passamos a monitorar quais são as tendências das principais patentes no mundo, porque entre uma ideia ser patenteada até se tornar um produto pode levar 3, 5 ou 10 anos. Então, a gente está se adiantando nesse negócio. Essa tem sido a maneira de olhar em termos de inovação e tecnologia.
Qual a principal filosofia, o valor que guia a WEG e como isso influencia o dia a dia da empresa?
A essência da empresa é ser simples, crescer continuamente e contribuir para um mundo mais sustentável. E, dentro desse lema, ser protagonista na transição energética. É onde a gente tem realmente baseado as nossas ações e os direcionamentos, desde o nível mais elevado da empresa até quem está lá no chão de fábrica, passando uma mensagem única de onde a gente quer chegar e por que a gente quer chegar lá.
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