Este sábado (8) será o “Dia D” de vacinação contra a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. Para facilitar o acesso à imunização, 25 unidades de saúde e a Central de Vacinas estarão abertas das 8h às 17h, sem fechar para o almoço. A campanha é voltada a crianças menores de cinco anos de idade. No município, o público-alvo estimado é de cerca de 11.504 crianças, mas até agora pouco mais de 450 receberam a dose, o que preocupa a Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde (MS), na última década a procura pela vacina contra poliomielite no Brasil caiu de 96,5% para 67,6%. A doença foi considerada erradicada no país em 1989, quando ocorreu o último caso, mas a queda da imunização coloca em risco esse avanço. Os sintomas da poliomielite incluem febre, dor de cabeça, de garganta e no corpo, vômitos, diarreia, constipação (prisão de ventre), espasmos e rigidez na nuca. O vírus pode atingir o sistema nervoso e causar paralisia permanente nas pernas ou braços.

De acordo com o Ministério da Saúde, na última década a procura pela vacina contra poliomielite no Brasil caiu de 96,5% para 67,6% | Foto: Eduardo Montecino/PMJS
O médico e secretário de Saúde de Jaraguá do Sul, Rogério Luiz da Silva, reforça a importância de vacinar as crianças contra a poliomielite. “A vacinação é a única forma de prevenir a doença e é fundamental para reduzir o risco de reintrodução da pólio no Brasil. A baixa adesão à campanha, não só em Jaraguá do Sul, mas em todo cenário nacional, é preocupante”, alerta.
Ele afirma, ainda, que “como humanidade, não podemos permitir que o estado das coisas relacionadas aos indicadores epidemiológicos possam regredir à situação de anos e até décadas atrás, quando tínhamos números alarmantes de casos de doenças com potencial de causar morte ou deixar sequelas graves. A prevenção através de vacinas sempre se mostrou segura e muito eficaz na redução considerável nos números da doença”.
Silva observa também que “narrativas foram criadas após a pandemia de Covid-19 e, se por um lado, é justo questionar, por outro lado, vacinas que já estão à disposição da população há anos e que comprovadamente se demonstraram seguras e eficazes não podem simplesmente deixar de ter sua importância valorizada. A melhor arma que o ser humano tem para prevenção de doenças infecto contagiosa é a vacina”.

Foto: Divulgação/PMJS
Vacina contra a gripe
Desde o dia 3 de maio, a campanha de imunização contra a gripe foi ampliada em Santa Catarina e as doses remanescentes da vacina estão liberadas para aplicação em toda a população acima dos 6 meses de idade. A medida segue recomendação feita pelo Ministério da Saúde, tendo em vista o grande número de internações registradas em decorrência da gripe.
Com a ampliação, a Secretaria de Saúde de Jaraguá do Sul pretende reduzir o número de hospitalizações e casos graves causados pela doença, porém a procura pela imunização também tem sido baixa: a cobertura vacinal contra a gripe está em 30.72% no município e em 32% no estado, sendo que a meta recomendada pelo MS é de 90%.
A vacina oferecida na rede pública de saúde previne os principais vírus influenza presentes no Brasil, que são o influenza A (H1N1), influenza A (H3N2) e o vírus influenza B. No entanto, a proteção só ocorre de duas a três semanas após a aplicação da dose, por isso é importante que as pessoas se vacinem o quanto antes, evitando casos graves, hospitalizações e mortes por gripe. As crianças que vão receber a vacina pela primeira vez devem tomar duas doses, com um intervalo de 30 dias.

A cobertura vacinal contra a gripe está em 30.72% no município e em 32% no estado, sendo que a meta recomendada pelo Ministério da Saúde é de 90% | Foto: Eduardo Montecino/PMJS
Vacina contra a dengue
Os postos de saúde de Jaraguá do Sul também disponibilizam a vacina contra a dengue, para a faixa etária de 10 a 14 anos. O público-alvo estimado nessa faixa etária em Jaraguá do Sul é de 11,5 mil pessoas, mas, mesmo com 11 casos de mortes relacionados à doença já confirmados no município, até agora a imunização atingiu menos de 30% da meta.

Vacinação contra a dengue voltada ao público dos 10 aos 14 anos segue com pouca procura em Jaraguá do Sul, que já registrou 11 mortes ligadas à doença | Foto: Eduardo Montecino/PMJS
Divulgação de fake news
A coordenadora da Assessoria Clínica do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz e do Projeto de Reconquista das Altas Coberturas Vacinais, Maria de Lourdes Sousa Maia, afirma que não existe uma única causa para a baixa cobertura vacinal. Segundo ela, a sociedade passa por momentos diferentes que interferem nesse movimento, além de haver doenças que já não aparecem tanto dando a ilusão de que estão completamente eliminadas, como a poliomielite e o sarampo, por exemplo.
“E hoje a sociedade é movida por fake news. Temos profissionais de saúde também desacreditando da eficiência da vacina e ajudando a propagar essa ideia. Junto a isso temos a ausência de doenças no país, exatamente por termos sempre altas coberturas vacinais”, avaliou.
Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que ampliar as coberturas vacinais é prioridade da nova gestão da pasta. Segundo o ministério, desde o início de 2023, diversas ações vêm sendo realizadas para reconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS), o restabelecimento da confiança nas vacinas e da cultura de vacinação do país.