A história de uma cidade é mais do que simplesmente um registro de eventos passados, mas sim um tesouro de conhecimento que molda a identidade, influencia as escolhas presentes e orienta o futuro de uma cidade, e é por isso que Guaramirim carrega uma rica história que mescla tradição, cultura e desenvolvimento.
Suas origens remontam a tempos antigos, quando tribos indígenas guaranis habitaram a região, ainda antes dos primeiros colonizadores desbravarem a região em busca de novas oportunidades e melhores condições de vida.
Com a chegada de imigrantes, diversas colônias foram criadas ao longo do tempo. Guaramirim teve uma diversidade muito grande de colonizadores, foram russos, letos, portugueses, alemães, italianos e colonos nacionais, vindos de várias regiões do Brasil.
Na década de 1880, surgiu o primeiro povoado de Guaramirim, o Núcleo de Brüderthal, formado por um grupo religioso liderado pelo pastor Wilhelm Lange, patrono do arquivo histórico da cidade. Fugida da Rússia já com destino à colônia Dona Francisca, a comunidade precisava escolher o território onde iria se estabelecer. Naquela época, as fronteiras eram muito dinâmicas e as terras de Guaramirim foram escolhidas já na chegada.
Em seguida, houve a formação de Itapocuzinho I, região onde hoje se localiza o bairro Imigrantes e depois, surgem as comunidades Batistas Letas de Jacu-Açu e Ponta Comprida, que se estabeleceram no fim do século XIX e início do XX.
Essas comunidades, a partir da década de 1910, passaram a fazer parte de um núcleo criado pelo Governo Federal, o Núcleo Colonial Barão do Rio Branco, onde hoje se encontram as localidades de Rio Branco, Jacu-Açu, Ponta Comprida e Putanga.
Emancipação

Entrega dos documentos de emancipação politica do município ao prefeito Emílio Manke Junior, em 1949 | Foto: Biblioteca Pública Municipal/Arquivo Histórico de Guaramirim
Em 2 de junho de 1919 foi dado o primeiro passo para a emancipação de Guaramirim. Foi nesta data, que através da resolução nº. 281 do município de Joinville, foi criado o 4º Distrito de Bananal, que abrangia além do território onde hoje é Guaramirim, partes de Schroeder e Massaranduba.
Quase 30 anos depois, no dia 30 de dezembro de 1948, foi criado o município de Massaranduba, através da Lei nº. 247, reunindo terras de Blumenau, Itajaí e Joinville. A instalação da nova cidade aconteceu em 13 de fevereiro de 1949.
O ato causou um descontentamento nos moradores do Distrito de Bananal, que acreditavam que ali deveria ser a sede e não o território vizinho, ao contrário daquilo que havia ocorrido.
Depois de alguns meses de negociação política, a localidade tornou-se então um município, através da Lei nº 295 de 18 de agosto de 1949. Após dez dias, Guaramirim se tornou oficialmente um município catarinense, no dia 28 de agosto. Foi então que José Mota Pires foi nomeado como o primeiro prefeito e logo depois Emílio Manke Júnior foi eleito democraticamente e recebeu os documentos de emancipação política do município das mãos do então prefeito de Joinville, João Herbert Érico Colin.
Desde então a cidade se desenvolveu, cresceu e evoluiu, passando por fatos que marcaram a trajetória guaramirense até os dias atuais, como construção da ferrovia e da estação ferroviária. Inaugurado em 1910, o espaço foi responsável pelo desenvolvimento da região onde atualmente se encontra o centro da cidade. A obra fez com que a cidade se conectasse mais rapidamente a outras, além de contribuir a carga de produtos e passageiros, que também trazia visitantes a região.

Foto: Biblioteca Pública Municipal/Arquivo Histórico de Guaramirim
Em 2023, são celebrados os 74 anos de expansão da Capital Catarinense da Palmeira Real, que também recebeu o título de “Cidade das Guirlandas”. Desde 1949, foi necessário muito trabalho duro para construir cada casa, escola, igreja e ponte que constituem o cenário da cidade, além de força de vontade e trabalho duro dos cidadãos e da gestão municipal para superar empecilhos que surgiram pelo caminho.
Nos dias atuais, Guaramirim destaca-se como um notável exemplo de contínuo desenvolvimento e evolução, demonstrando de forma sólida e inspiradora como uma comunidade pode prosperar e se transformar ao longo do tempo.