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O rato comeu a tua língua? – Luiz Carlos Prates

Por: Luiz Carlos Prates

08/02/2023 - 05:02

Todos queremos aparecer, ser notados, se possível, admirados e invejados. Fazemos isso, por hábito, sem consciência, fazemos o nosso melhor para impressionar, para deixar admirações nas lembranças alheias.

Só que, não raro, pensamos que uma roupa de grife, uma bolsa especial, um relógio daqueles, um artifício qualquer jogado sobre o corpo é que nos vai fazer admirados. Até pode ser. Pode ser com os levianos, com os cabeças vazias.

Para ganharmos a admiração das pessoas que estão no andar de cima da evolução não são os adornos materiais, os exibicionismos “verbais” que vão deixar marcas de admiração e reconhecimento na cabeça dos “arejados”.

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Digo isso, leitora, porque tenho saído um pouco mais nos últimos dias. Encontros com amigos, com conhecidos e muitos até então desconhecidos. Não costumo assumir o leme das conversas, mais do tempo fico ouvindo.

Já fui simpaticamente “censurado” por algumas pessoas – “Ué, Prates, o rato comeu a tua língua”? Ouço com frequência. Outros dizem – “Bah, nem parece que faz comentários no rádio e na tevê”!

Entendo, mas… Gosto de ouvir, de ouvir para aprender e de ouvir para saber sobre quem está por perto. Santo Deus, mais das vezes, dá um desânimo. Pessoas conhecidas, pessoas desconhecidas, sem prudências na fala, um palavrão aqui, um nome bagaceiro ali e a conversa vai fluindo.

Sem cuidados, simplesmente vão se revelando como costumam ser. Nível baixo. – Ah, cara, mas tu és muito chato, tu queres que as pessoas façam falas da Academia de Letras? Não é isso.

As pessoas precisam lembrar que são julgadas, que se revelam, pela fala, pelos valores, vocabulário, educação, respeito próprio e pelos outros, enfim. Sem falar na superficialidade dos conhecimentos sobre os assuntos do dia a dia.

Malgrado isso, as pessoas não se mancam, continuam fazendo o que fazem e pensam que agradam. Uma língua suja, desbocada, ainda que com palavrõezinhos daqueles que podem passar batidos, não passam batidos. Pais devem falar sobre isso com as crianças.

E assim professores em sala de aula, marido e mulher… Os “pombinhos” se acostumam com a linguagem tosca, com a porta aberta do banheiro, com as tosses e espirros sem lenço nem documento dele ou dela ou de ambos… Tudo numa boa? Só que isso produz enfado, enjoo… Porta aberta para o tchau definitivo.

ENCRENCA

Tenho várias pesquisas comigo, mas esta última bateu recordes. Do aplicativo Survey Monkey – “36% dos trabalhadores brasileiros estão infelizes no trabalho e 64% gostariam de fazer algo diferente do que fazem”. Bah, quem trabalha só pelo dinheiro é um escravo de si mesmo, ninguém é obrigado a fazer o de que não gosta, mas… É preciso vergonha na cara, decisão, competência em algo diferente e partir para a luta. Adianta dizer? Nada. Vão continuar na gemendo.

TEMPOS

Dois conhecidos da televisão, jovens. Namoraram por cinco anos (namoraram daquele jeito, imagino…) e casaram. Quer dizer, estavam certos do amor “eterno” de um pelo outro, certo? Certo nada. Depois de um casamento com 600 convidados, reco-reco pra cá, reco-reco pra lá se separam. Só seis meses após o festão de casamento. Agora é assim, os irresponsáveis se ajuntam, se descobrem e se separaram. Nojo da gentalha!

FALTA DIZER

O “moralista” está de plantão… Ano letivo iniciado, guris e gurias de volta ao convívio danoso das escolas… Será que os pais vão deixar suas filhinhas irem de shortinhos para o colégio? Shortinhos que se confundem com calcinhas muitas vezes. E os guris vão de boca suja e liberados para aprontar? Suspensões ou expulsões, ouviram, senhores das direções?

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.