A DIC (Divisão de Investigação Criminal) de Jaraguá do Sul finalizou o inquérito sobre a morte do morador de rua Wilson Carlos Ranijac, de 56 anos, o primeiro homicídio registrado em 2021 no município.

O homem de 32 anos suspeito de matar Wilson foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e meio cruel.

De acordo com o delegado Diones de Freitas, a investigação continuou após a prisão do suposto autor em flagrante no dia 24 de abril. Os agentes realizaram diligências complementares a esse auto de prisão em flagrante.

 

Além dos policiais militares que atenderam a ocorrência, outras testemunhas do caso foram ouvidas.

Uma delas foi a mulher que foi procurada pelo suspeito para fazer a ligação para a Polícia Militar. A gravação da chamada também foi requisitada pelos policiais civis.

Os investigadores também enviaram ofícios para o Instituto de Análises Forenses, em Florianópolis, para a comparação do sangue encontrado nas roupas do suposto autor e na residência é compatível com o de Wilson.

“O laudo cadavérico da vítima também foi anexado ao inquérito. O documento aponta que a causa da morte foi choque hipovolêmico causado pelo corte feito com uma faca na garganta do morador de rua. Também foram verificadas diversas lesões contundentes na região da cabeça”, comenta o delegado.

Freitas também aguarda o laudo de local de crime, feito na residência abandonada em que o corpo foi encontrado e na casa do suspeito, ambas localizadas no bairro Jaraguá Esquerdo.

O homem está preso preventivamente no Presídio Regional de Jaraguá do Sul.

Mulher foi coagida a mentir

A mulher do suspeito da autoria do crime foi novamente ouvida pelos policiais civis.

O delegado afirma que ela estava muito abalada no dia do crime e que foi necessário realizar uma nova oitiva para não perder a riqueza de detalhes.

“Ela corroborou com tudo o que havia falado e confirmou a motivação, que foi aquela questão do cartão de ajuda social, bem como deu detalhes da execução”, ressalta Freitas.

A companheira do suspeito disse aos policiais civis que foi coagida a mentir para a polícia após o crime.

Depois de chegarem em casa, a mulher foi ameaçada pelo suposto autor do homicídio.

“Ele alertou que, caso ela falasse para a polícia o que ocorreu, o mesmo poderia acontecer com ela. Ou seja, provavelmente daria fim para a vida da companheira. Por saber que ele já tinha registros criminais, que foi preso e tinha um perfil violento, ela se sentiu bastante intimidada, amedrontada. Por isso, num primeiro momento, ela não relatou para a polícia o que de fato aconteceu”, frisa.

Freitas conta que a mulher foi obrigada a encampar a versão dada inicialmente para a polícia, de que o suposto autor teria apenas encontrado as marcas de sangue no local do crime.

Posteriormente, na presença da autoridade policial e sabendo que poderia ser responsabilizada criminalmente pelo homicídio, ela acabou optando por contar a verdade.