Em 2018, a Polícia Militar registrou 2.965 acidentes em Jaraguá do Sul. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde, foram anotadas 13 mortes de pessoas residentes na cidade em acidentes de trânsito.

Com o intuito de diminuir esses índices, a Prefeitura, em parceria com a Polícia Civil e a PM, lança mais uma campanha Maio Amarelo neste sábado (4).

A ação busca combater uso do celular enquanto o motorista conduz o carro, o avanço do sinal vermelho, a embriaguez ao volante e o excesso de velocidade.

Os dois últimos alvos da campanha causaram a morte de Nathãn Felipe Postai, 22 anos, no fim da tarde do dia 12 de abril deste ano.

O rapaz atuava em uma facção têxtil com a tia e estava indo para o trabalho de bicicleta para cuidar da saúde, após um diagnóstico de diabetes e de gordura no fígado.

Agora, dois filhos de Nathãn, Dominique e Arthur, de três e dois anos respectivamente, são criados pelo avô. Eloá, de apenas um ano, está com a mãe, com quem o jovem pretendia morar junto e estava comprando os móveis para dividir uma casa alugada.

O acidente ocorreu na rua João Januário Ayroso, no bairro São Luís. Nathãn andava de bicicleta pela via e foi atingido por uma Volkswagen Amarok, vista trafegando em zigue-zague por populares.

 

 

O veículo arrancou duas árvores, um ponto de ônibus e só parou quando bateu em uma estrutura de proteção do maquinário do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).

O jovem foi jogado e caiu na beira do rio Jaraguá. O motorista fugiu do local do acidente sem prestar socorro.

“Veio essa pessoa com o carro desgovernado, em alta velocidade, e passou por cima do meu filho como uma coisa qualquer. Eu acho que não deu tempo do meu filho entender o que estava acontecendo", conta a mãe do jovem, Edilceia Martins Postai.

Para ela, o pior foi o motorista ter corrido a pé, sem prestar socorro à vítima.

"A gente tem uma lei falha, que permite que fuja do flagrante e amenize a sua situação. Se ele tivesse um pingo de caráter, porque ele tem um filho, teria ido ajudar o meu filho”, lamenta.

Nathãn não morreu no local graças aos esforço do policial militar Cleiton Costa, que desceu o barranco e evitou que a vítima se afogasse no próprio sangue. O ciclista foi levado em estado crítico para o Hospital São José. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada na unidade.

Com o choque, a mãe só se deu conta do que aconteceu quando foi escolher um caixão. 

“É abominável a sensação de escolher um caixão para um filho. Uma mãe escolhe a roupa para o filho ir para a escola, a roupa da primeira comunhão, a roupa do casamento, a roupa da formatura. Agora, escolher um caixão?", questiona.

Reduzir riscos

Dirigir sob o efeito de álcool, o uso de celular ao volante, o excesso de velocidade e ultrapassar o sinal vermelho serão os temas da campanha publicitária desenvolvida pela Prefeitura.

O diretor de Trânsito, Gildo Martins de Andrade Filho, afirma que a ação busca fazer com que os motoristas entendam que as práticas elencadas na campanha acabam aumentando o risco da ocorrência de acidentes.

Andrade comenta que as pessoas costumam colocar a culpa na distração, quando, na verdade, estão cometendo essas infrações de trânsito.

Para ele, há um problema com o comportamento errado e inconsequente do condutor.

"A pessoa dirige alcoolizada, com o celular e acha que não vai dar nada, ou que vai segurar o veículo, o que é uma mentira, porque tem o tempo de percepção, o tempo de frenagem”, comenta o diretor de Trânsito.

"É abominável escolher um caixão para o filho", diz Edilceia | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

Outra preocupação do Maio Amarelo é diminuir as sequelas causadas pelas lesões provocadas pelos acidentes em Jaraguá do Sul.

A PM anotou 817 vítimas feridas nos sinistros ocorridos no município no ano passado, muitas delas com consequências graves.

R$ 25 milhões por ano

O custo social decorrente dos acidentes de trânsito é elevado e impacta diretamente na economia. Estima-se que o prejuízo no município seja de R$ 25 milhões anuais.

“Os acidente de trânsito acabam tendo um custo financeiro alto para a sociedade. As pessoas vão ter que começar a viver em outro padrão por causa do familiar acidentado. Há novos gastos com remédios, fisioterapia e  transporte especial, por exemplo", ressalta Andrade.

Conforme opinou, os acidentes de trânsito se constituem em um problema social. "Atacar a questão dos acidentes de trânsito é refletir na qualidade de vida das pessoas”, diz.

 

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